NOTÍCIAS

Mercado entra em aquecimento para os próximos leilões do setor

Mercado entra em aquecimento para os próximos leilões do setor

Licitações atraem empresas nacionais e estrangeiras; eventuais restrições às debêntures de infraestrutura ou incentivadas podem impactar a competitividade

 

A nova rodada de leilões de saneamento, prevista para este e o próximo ano, está movimentando o mercado, com empresas reunindo estudos, avaliações e negociações para poderem participar de licitações que forem consideradas interessantes para suas estratégias de negócios. Esse quadro é pintado por profissionais de diferentes setores que gravitam na órbita desses projetos, que envolvem cifras bilionárias.

O BNDES, por exemplo, calcula que os 12 leilões que realizou desde 2020 e pelo menos dez dos projetos em desenvolvimento devem movimentar R$ 120 bilhões, dos quais R$ 61 bilhões já foram contratados. De seu lado, a Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon) contabiliza 48 projetos em estruturação em todo o país, considerando aqueles em desenvolvimento por municípios e Estados e não apenas aqueles gestados no BNDES.

“Eu trabalho há mais de 20 anos fazendo assessoria na área e nunca vi tantas empresas interessadas no setor como agora”, afirma o presidente da BF Capital, Renato Sucupira. “Todas estão analisando”, diz. Na visão de Bruno Aurélio, sócio da área de infraestrutura e direito regulatório do Demarest Advogados, trata-se de uma área bastante atraente, seja para players financeiros ou técnicos, nacionais e internacionais. “Construtoras estrangeiras, principalmente espanholas, estão olhando esse segmento”, diz.

“Vi empresas de todos os tamanhos começando a fazer parcerias, as menores se consorciando, estrangeiras interessadas em entrar no Brasil conversando com investidores e, certamente, as grandes já estabelecidas no país [devem participar]”, reforça Rogerio Yamashita, superintendente de project finance especializado em saneamento do Itaú BBA. “O mercado de capitais abraçou o setor de saneamento.”

Yamashita, porém, alerta para a discussão no governo para barrar o financiamento de outorgas por meio de debêntures de infraestrutura ou incentivadas. Mesmo argumentando que a eventual proibição não inviabiliza o financiamento, Yamashita afirma que a restrição não vai ajudar. “Deixaremos de fora dois bolsos importantes que seriam acessados.” Na análise do diretor executivo da Abcon Sindcon, Percy Soares Neto, a restrição terá o efeito de tornar os leilões menos competitivos. “Diminuirá o apetite dos investidores e provavelmente aumentará o custo de capital dos projetos, o que causa preocupação no setor”, avalia.

A largada para os leilões deste ano, tomando por base os estudos do BNDES, deve ser dada pelo processo de Sergipe, já no segundo trimestre. Posteriormente, no terceiro trimestre, o banco prevê as licitações na Paraíba e em Rondônia. Há ainda a previsão de leilões em Pernambuco e no Pará no quarto trimestre. O número de processos, porém, é maior, pois nem todos são estruturados pelo BNDES. Existem projetos independentes, como os das estatais Sabesp, de São Paulo, e Sanepar, do Paraná, cercados de muito interesse.

Nunca vi tantas empresas interessadas no setor como agora” – Renato Sucupira

AAbcon Sindcon calcula que existam 39 projetos municipais em estruturação no país, que devem trazer R$ 22,6 bilhões em aplicações e levar os serviços para 5,75 milhões de pessoas. Segundo a entidade, de 2020 a 2023 houve 30 leilões municipais com previsão de R$ 6,5 bilhões de investimentos contratados e outorgas. As eleições deste ano, no entanto, devem afetar o desenvolvimento dos processos envolvendo os municípios, segundo Italo Joffily, fundador da Y.Sanso Soluções Integradas de Saneamento.

No geral, o mercado está confiante.

“Está muito claro que há apetite por parte dos operadores privados”, afirma Soares Neto. Com 16 operações em seis Estados, que atendem 3 milhões de pessoas, a Iguá Saneamento confirma o interesse. “Estamos comprometidos em buscar formas de viabilizar nossa participação, seja por meio de capital próprio, parcerias estratégicas ou financiamentos”, declara o CEO, Roberto Barbuti, em nota.

Grandes players, a BRK Ambiental e a Aegea Saneamento, optaram por não dar entrevistas.

Alguns fatores explicam tanto interesse pela atividade. Trata-se de um “mercado inelástico”, segundo Aurélio, do Demarest. Ou seja, não há variabilidade de usuários e, com a expansão do sistema, o número de clientes torna-se crescente. O nível de inadimplência não é considerado alto, e a melhora no padrão dos projetos e a aprovação do Marco Legal do Saneamento também contribuem. Dando voz a uma avaliação corrente no mercado, Gustavo Fava, responsável por project finance no BTG Pactual, diz que a participação do BNDES e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) nos processos tornou os projetos mais bem estruturados. “Eles têm uma matriz de risco bem estabelecida”.

O sucesso de licitações anteriores é visto como preponderante para dar mais confiança aos interessados. Outro ponto considerado relevante é o timing adequado para a realização dos leilões. “Há uma lógica de fazer isso num tempo [apropriado], de modo que os leilões possam atrair mais players.

Não fazer tudo ao mesmo tempo”, afirma Nelson Barbosa, diretor de planejamento e estruturação de projetos do BNDES.

Fonte: Valor


ÚLTIMAS NOTÍCIAS: IMPACTOS DA CRISE HÍDRICA NOS NEGÓCIOS ABREM OPORTUNIDADES PARA A INOVAÇÃO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS: SETOR APOSTA EM ENERGIA SOLAR E MERCADO LIVRE PARA REDUÇÃO DE CUSTOS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS