NOTÍCIAS

Fazendas de vento em alto-mar poderão contribuir com captura de CO2

A quilômetros das costas de Massachusetts e Nova York serão construídos os primeiros parques eólicos offshore aprovados pelo governo dos Estados Unidos – eles contarão com 74 turbinas com a capacidade de abastecer cerca de 470 mil casas. Hoje, mais de uma dúzia de outros projetos de parques como estes aguardam aprovação.

Até 2030, a meta do governo Biden é gerar 30 gigawatts desta energia eólica em alto-mar, o suficiente para abastecer mais de 10 milhões de residências

Imagem ilustrativa do Canva

Substituir a energia de combustíveis fósseis por energia limpa, como a eólica, é fundamental para conter os efeitos cada vez mais devastadores das mudanças climáticas.

Mas essa transição não está acontecendo tão rápido quando deveria para ser capaz de frear o aquecimento global. As atividades humanas liberaram tanto dióxido de carbono para a atmosfera que também precisaremos removê-lo do ar.

Fazendas de vento offshore são promissoras candidatas para isso – e, ainda, economizam dinheiro.

Como geofísico marinho, tenho explorado o potencial de incorporar às turbinas eólicas tecnologia de captura de dióxido de carbono do ar capaz de armazená-lo em reservatórios naturais sob o oceano. Sendo aplicadas e construídas juntas, essas tecnologias poderão reduzir custos e minimizar a necessidade de dutos terrestres, o que resultará na redução dos impactos ao meio ambiente.


LEIA TAMBÉM: NOVO DECRETO PERMITE GERAÇÃO EÓLICA EM ALTO MAR; ASSOCIAÇÃO VÊ “AVANÇO CRUCIAL”


Capturando o CO2 do ar

Vários grupos de pesquisa e startups de tecnologia estão testando dispositivos de captura direta de ar que podem retirar dióxido de carbono da atmosfera. A tecnologia funciona, mas os primeiros projetos ainda são caros e consomem muita energia.

Estes sistemas usam filtros ou soluções líquidas para fazer a captura. E, uma vez que os filtros estão cheios, necessitam de eletricidade e calor para liberar o dióxido de carbono e reiniciar o ciclo de captura.

Para que este processo atinja emissões líquidas negativas, é necessário que sua fonte de energia seja limpa.
Hoje, a maior usina ativa de captura direta de ar do mundo, na Islândia, faz isso usando calor residual e energia renovável. Ela então bombeia o dióxido de carbono capturado em uma rocha basáltica subjacente, onde ele reage e se calcifica, se tornando um mineral.

Um processo parecido com este pode ser criado a partir das turbinas eólicas offshore.

Se os sistemas de captura fossem construídos juntos às fazendas de vento em alto-mar, eles teriam uma fonte próxima de energia limpa e poderiam canalizar e armazenar o dióxido de carbono sob o oceano, reduzindo a necessidade de sistemas de dutos extensos.

Atualmente, pesquisadores estão estudando como esses sistemas funcionam no ambiente marinho. A captura direta de ar ainda está começando a ser implantada em terra firme, e a tecnologia, muito provavelmente teria que ser adequada a um ambiente marinho hostil. Mas o planejamento precisa ter início o quanto antes para que os projetos sejam pensados de forma a aproveitar o potencial de armazenamento de carbono e para que as plataformas, infraestrutura submarina e os sistemas de dutos possam ser compartilhados.

Tirando proveito do excesso de energia eólica

Por natureza, a energia eólica é inconstante e sua demanda também varia. Quando o vento consegue produzir energia além do necessário, a produção é reduzida e a eletricidade que poderia ser consumida é perdida.

Essa energia desperdiçada poderia ser usada para retirar carbono do ar e armazená-lo.

Por exemplo, a meta do estado de Nova York é gerar 9 gigawatts de energia eólica offshore até 2035. Estima-se que eles serão capazes de gerar 27,5 terawatts-hora de eletricidade por ano.

Com base nos registros históricos, podemos esperar um excedente de 825 megawatts-hora de energia elétrica por ano, à medida que mais fazendas de vento em alto-mar são construídas. Supondo que a eficiência da captura direta de ar melhore progressivamente e atinja as metas comerciais, essa energia excedente poderia ser usada para capturar e armazenar mais de 0,5 milhão de toneladas de CO2 por ano.

Isso se o sistema usasse apenas a energia excedente que seria desperdiçada de qualquer maneira. Se, além dela, usasse mais, seu potencial de captura e armazenamento de carbono aumentaria consideravelmente.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que cem a mil gigatoneladas de dióxido de carbono precisarão ser removidos da atmosfera ao longo do século para conseguirmos manter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus Celsius, em relação aos níveis pré-industriais.

Pesquisadores estimam que as formações geológicas submarinas próximas às fazendas de vento na costa leste dos EUA terão capacidade para armazenar mais de 500 gigatoneladas de CO2.

É muito provável que também existam rochas basálticas nesta área, o que aumentará a capacidade de armazenamento e permitirá que o CO2 reaja com o basalto e se solidifique com o tempo, embora pesquisas geotécnicas ainda não tenham sido realizadas na região.

Desenvolver ambos simultaneamente economizará tempo e dinheiro

Novos parques eólicos construídos com captura direta de ar serão capazes de fornecer energia renovável e utilizar a energia excedente para captura e armazenamento de carbono, aproveitando todo o investimento para um benefício climático direto.

Mas isso exigirá bastante planejamento e ele precisa começar muito antes da construção. As pesquisas geofísicas marinhas, o monitoramento ambiental e os processos de aprovação de energia eólica e armazenamento juntos podem economizar tempo, evitar conflitos e melhorar a gestão ambiental.

Fonte: Yahoo Finanças


ÚLTIMAS NOTÍCIAS: USO SUSTENTÁVEL DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS PODE AFETAR AS PRINCIPAIS CULTURAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS: ESTIAGEM NO SUL: CASAN PROMOVE AÇÕES EMERGENCIAIS E INVESTIMENTOS MELHORAM ABASTECIMENTO NA REGIÃO OESTE DE SANTA CATARINA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS