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Estação Guandu não passa por uma reforma desde o início da década de 1980

Cedae promete uma obra para os próximos meses. Especialistas dizem que a ideia não será suficiente, além de muito cara

 

Imagem Ilustrativa

 

A última vez que a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, passou por uma reforma, a Seleção Brasileira de Futebol era apenas tricampeã mundial, o mundo ainda vivia a Guerra Fria, a Internet era uma realidade distante da maior parte da população e as epidemias eram outras. Nem sonhávamos com Coronavírus. Leonel Brizola era governador do estado do Rio de Janeiro, em 1982, quando essa derradeira obra aconteceu.

De lá para cá se foram muitos anos, décadas, e problemas.  Contudo, ao que tudo indica, de acordo com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) uma reforma deve começar ainda no primeiro semestre deste ano.

O objetivo da obra é impedir que os rios Ipiranga, Queimados e Poços misturem suas águas ao Rio Guandu, o que, segundo a Companhia, deixa a água com qualidade mais baixa.

Contudo, o projeto é questionado por especialistas. Além de serem contra a reforma, eles falam que a melhor obra seria trocar os equipamentos de tratamento, pois isso faria com que uma água com mais qualidade chegasse até à população do estado do Rio de Janeiro.


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Ambientalistas consultados pelo DIÁRIO DO RIO informam que alguns desses equipamentos de tratamento estão parados há anos. Em certos casos, há décadas e, com isso, vai se acumulando sedimentos nos tanques, o que piora drasticamente a qualidade da água.

Grande conhecedor do tema, o engenheiro Civil Sanitarista e Professor da UERJ, Adacto Ottoni, contrário à ideia, comenta a obra prevista pela Cedae.

“Essa obra, na verdade, vai ser uma barragem para separar a água da lagoa do Gaundu da tomada d’água e vão botar por uma tubulação subterrânea para tentar desviar a água da lagoa do Guandu para depois da tomada d’água. Eu sou totalmente contrario a essa obra. É uma obra caríssima que não vai resolver o problema, porque em época de chuva, com uma chuva intensa, vai verter água pelo vertedouro dessa barragem, uma água de pior qualidade que pode entrar no sistema da Cedae. E essa barragem vai impedir o protocolo da Cedae. A Cedae, hoje em dia, tem um protocolo que é o seguinte: o que gera Geosmina é a água da lagoa que está com muita eutrofização, muita alga, muita cianobactéria e cianotoxina, que são produzidos pelas cianobactérias. Então, quando o teor de cianotoxinas fica alto, eles abrem a comporta principal, fecham a comporta da tomada d’água para escoar todo esse material biológico, orgânico, e depois fecham a comporta da barragem principal para estabilizar a situação e realizar a retomada d’água. Esse protocolo não vai ser mais possível com essa obra. Além de ser um projeto de 2004. Esse tipo de coisa tem que ter audiência pública, discussão com a população, estudo de impacto ambiental, por ser uma barragem. Eu fico muito preocupado com isso”, diz o professor.

Adacto acredita que a solução para o problema não seja essa obra e sim o tratamento das águas dos rios Ipiranga e Queimados.

“A Cedae tem que investir na melhoria de suas instalações, trocar tubulações velhas, trocar bombas velhas e melhorar seu sistema de tratamento. Isso vai melhorar a qualidade da água que nós bebemos. E para conter essa eutrofização da lagoa, que é prioritário, a gente tem que tratar as águas dos rios Queimados e Ipiranga, o que seria mais barato e traria mais resultados, evitando, assim, um colapso hídrico”, afirma.

Instituto Estadual do Ambiente RJ (Inea) diz que o assunto está sendo conduzido pela Cedae.

Fonte: Diário do Rio.


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