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Choque do petróleo no Oriente Médio deve acelerar transição energética global

Choque do petróleo no Oriente Médio deve acelerar transição energética global

Crise energética provocada pela guerra no Irã pressiona mercados e pode impulsionar energias renováveis e mudanças estruturais no sistema global

A escalada da guerra no Irã desencadeou uma crise energética sem precedentes, considerada a mais grave já registrada, com impactos imediatos sobre preços, abastecimento e mercados globais. O fechamento quase total do Estreito de Ormuz intensifica a instabilidade no fornecimento de energia e amplia os riscos para a economia mundial, em um cenário que pode acelerar a transição energética nos próximos anos, segundo a RFI.

Os mercados financeiros reagiram com cautela ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Nesta terça-feira (7), os preços do petróleo apresentaram estabilidade após semanas de alta, enquanto bolsas globais registraram ganhos mesmo diante da intensificação das tensões. O cenário permanece incerto com a continuidade das ofensivas militares e a resistência de Teerã às pressões internacionais

O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de hidrocarbonetos, segue no centro das preocupações. O Conselho de Segurança da ONU analisa medidas para lidar com a situação da via marítima, que foi praticamente bloqueada pelo Irã desde o início do conflito. A interrupção do fluxo energético tem efeitos diretos sobre cadeias produtivas e setores industriais em escala global

Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, classificou o momento como o pior choque energético da história. “Esta guerra está bloqueando uma das artérias da economia global. Não apenas petróleo e gás, mas também fertilizantes, produtos petroquímicos, hélio e muitas outras coisas”, afirmou

Birol também alertou para o agravamento da crise no curto prazo. “Março foi muito difícil, mas abril será muito pior”, disse. Segundo ele, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado durante todo o mês, a perda de petróleo e derivados poderá dobrar em relação ao mês anterior. Desde o início do conflito, 75 infraestruturas energéticas foram atingidas, sendo que mais de um terço sofreu danos graves, dificultando a recuperação da capacidade produtiva

Diante desse cenário, a recomendação imediata da AIE é o uso mais eficiente da energia, com foco em conservação e racionalização do consumo. Ainda assim, o dirigente avalia que a crise pode gerar transformações estruturais no sistema energético global

“A arquitetura do sistema energético global mudará”, afirmou Birol, ao destacar que a geopolítica da energia passará por profundas alterações. Ele apontou que fontes renováveis, como solar e eólica, devem ganhar impulso por sua rápida capacidade de instalação. “As energias solar e eólica podem ser instaladas muito rapidamente. Haverá uma transição para as energias renováveis em questão de meses”, declarou

O executivo também mencionou o possível fortalecimento da energia nuclear, incluindo o uso de pequenos reatores modulares, além da ampliação da vida útil de usinas já existentes. O avanço dos veículos elétricos é outro fator que tende a se intensificar diante do encarecimento dos combustíveis fósseis.

Na Europa, a crise reacendeu o debate sobre a dependência energética externa. O Banco Central Europeu (BCE) alertou que essa vulnerabilidade dificulta o controle da inflação. “A dependência energética da Europa está complicando cada vez mais a tarefa de manter a estabilidade de preços”, afirmou Frank Elderson, integrante do Conselho Executivo da instituição, defendendo investimentos em energia limpa produzida localmente

Os efeitos já são sentidos em países como a França, onde 18% dos postos de combustíveis enfrentam falta de ao menos um tipo de produto. Embora o governo negue um colapso no abastecimento, medidas emergenciais estão sendo discutidas para conter os impactos econômicos e sociais

O setor aéreo também sofre com o aumento expressivo dos custos operacionais. Em entrevista ao jornal La Tribune, Pascal de Izaguirre, presidente da Federação Nacional de Aviação Civil Francesa (Fnam) e CEO da Corsair, afirmou que reajustes nas tarifas são inevitáveis. “Os aumentos nos preços das passagens estão se tornando generalizados e são inevitáveis”, declarou

Ele ressaltou que a alta do querosene, aliada a rotas mais longas devido a restrições de sobrevoo, pressiona ainda mais as companhias aéreas.

“Podemos esperar novos aumentos de preços nos próximos meses, caso a situação persista”, acrescentou

Dados da Fnam indicam que o preço da tonelada de combustível saltou de US$ 750 antes do conflito para cerca de US$ 1.900 no início de abril. Como resultado, a participação do combustível nos custos operacionais das empresas aéreas subiu de 25% para 45%, evidenciando a dimensão do impacto provocado pela crise

O cenário global segue marcado por incertezas, com a guerra no Oriente Médio afetando não apenas o mercado de energia, mas também cadeias logísticas, transporte e estabilidade econômica em diversas regiões do mundo.

Fonte: Brasil 247


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