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‘Aquaponia’ garante produção de alimentos com baixo uso de água

A produção de medidas alternativas e sustentáveis para amenizar o quadro da seca no Rio Grande do Norte foi um dos temas debatidos durante o 32ª Seminário Motores do Desenvolvimento, que ocorreu na manhã desta segunda-feira (30), no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern). A produção de pescados e vegetais na Caatinga, por meio do sistema de “Aquaponia”, foi um dos casos apontados pela professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Virgínia Cavalari, uma das palestrantes do evento.

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Para Virgínia Cavalari, “Não basta produzir, deve-se recuperar o bioma por meio de tecnologias inteligentes e sustentáveis”

A tecnologia usa 90% a menos de água do que na agricultura tradicional. É o que afirma a professora e coordenadora do departamento de Oceanografia da UFRN, Virgínia Cavalari.  “Ouvimos falar que Caatinga é lugar pobre e escasso de recursos, mas é uma região com 1.333 municípios no Brasil, com 22 milhões de pessoas e que precisa de cuidado. É um grupo expressivo de pessoas que precisam de apoio e desenvolvimento”, disse Virgínia Cavalari.

No Rio Grande do Norte, 98% território é composto por Caatinga. A professora alerta que atualmente o bioma está em composição crítica, em que 70% foi alterada pelo homem, e apenas 28% têm área de proteção ambiental. O desmatamento é equivalente ao que houve na Amazônia. “Isso acontece por práticas agrícolas inadequadas, que degradaram o bioma ao longo do tempo”, disse Virgínia. A professora reforça que existem poucos marcos regulatórios de proteção.

As atividades que degradam a Caatinga são agricultura e pecuária, mas da maneira em que são feitas, conforme detalhou Virgínia Cavalari. Outra atividade que degradou o bioma foi a mineração de argila, além do próprio desmatamento de grandes áreas. “Essas atividades aconteceram durante décadas como praticas de desenvolvimento, mas da maneira que foram feitas houve degradação”, disse a professora.

A UFRN têm grupo que se chama “Catingueiros”, coordenado pela professora Magda Guilhermino, na qual Virgínia Cavalari faz parte. Dentro da produção, desenvolveu a ações para recuperar o meio ambiente e estratégias para retenção de água, em um assentamento em Currais Novos, chamado de Trangola.  “Não basta produzir, deve-se recuperar o bioma por meio de tecnologias inteligentes e sustentáveis”, disse a professora.

A professora ressaltou que o Rio Grande do Norte não têm pouca água. Na Caatinga, a quantidade é menor que em outras regiões, mas a água deve ser melhor utilizada, segundo Virgínia Cavalari. “O semiárido é o mais chuvoso do mundo, um dos problemas é que 90% da água evapora e escorre”. Ela explicou que a seca é um fenômeno natural, e que nunca vai acabar. “Não podemos conviver com a seca, e sim conviver com ela e trazer tecnologias que nos ajude a viver com essa situação”, frisou Virgínia.

Alguns exemplos de tecnologias foram apontados pela especialista como possibilidades de produção permanente com uso de pouca água. Um exemplo citado foi a plantação de pimentão verde no deserto de Israes, onde 60% do território é formado por deserto. Outro caso mencionado por Virgínia Cavalari ocorre no semiárido da Bahia, com a irrigação de frutas, produção de vinho, caprinos, sisal, mamona, algodão, feijão-de-corda e mel.

Dentro desse contexto, foi desenvolvida a “Aquaponia”, que se propõe a ser uma tecnologia sustentável, com baixo uso de água e alto aproveitamento de resíduos. “Em um mesmo espaço, é possível intensificar produção de vegetais e animais, porque há um controle da água e resíduos e disponibilidade de nutrientes maior para as plantas. Se agricultor fosse produzir na agricultura tradicional, se precisaria de água menor”, explicou a professora.

Na agricultura convencional o solo é simplesmente um reservatório de nutrientes e um meio de sustentação de plantas, já na Aquaponia os nutrientes são reaproveitados.

Na Aquaponia pode ser produzido diversos peixes, camarões e rãs. A estrutura necessária depende da necessidade do produtor, existe o sistema em calhas ou canos, no floating, modelo que utiliza tranques para cultivo. O terceiro é o modelo de cama de cultivo em substrato. O produtor que já desenvolve 20% da água pode reaproveitar para a tecnologia, “ e ainda vai resolver um problema dos nitratos”, ressaltou Virgínia.

No sistema de Aquaponia, é possível produzir de 50 a 100 kg de peixes por m³, o tempo de criação dos peixes é reduzido, cerca de seis meses. É possível plantar 20 alfaces por m², na agricultura convencional é de 16 alfaces por m². O mais importante, segundo a professora, é de a redução de custos de 80%. “Além de não usar adubo e nem defensivos”, explicou Virgínia. “É um produto orgânico, com custo baixo e economia de água bastante expressiva. É um sistema simples de implementar e facilmente replicável, cuja disseminação deve ser fomentada no âmbito de políticas de apoio a comunidades”, frisou a palestrante.

Vantagens da aquaponia em relação a outros sistemas de produção

  • Maior produtividade (8 a 10 vezes);
  • Maior rapidez em número de ciclos;
  • Mais econômico;
  • Menor consumo de água;
  • Maior eficácia energética;
  • Não necessita de solo;
  • Menos parasitas e infectantes.

Desvantagens do sistema

  • Dependência contínua de energia elétrica;
  • Restrição quanto à utilização de agrotóxicos e antibióticos;
  • Pouca tecnologia difundida no Brasil;
  • Necessidade de conhecimento básico em algumas áreas-chave como engenharia, hidráulica, biologia, fitotecnia e piscicultura.

Fonte: Tribuna do Norte.

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