NOTÍCIAS

Investimentos em terras raras somam R$ 13,2 bilhões no Brasil

Investimentos em terras raras somam R$ 13,2 bilhões no Brasil

País entrou no radar de outras nações e investidores locais e estrangeiros em meio à corrida global pelo grupo de elementos, estratégico para áreas como as de transição energética, tecnologia e Defesa

Sete projetos de mineração de terras raras em fase pré-operacional somam até R$ 13,2 bilhões previstos em investimentos no Brasil. O país entrou no radar de outras nações e investidores locais e estrangeiros em meio à corrida global pelo grupo de materiais, estratégicos para áreas como transição energética, tecnologia e Defesa. O interesse nas reservas brasileiras de terras raras, localizadas principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, surge porque são as maiores depois das chinesas.

Elas poderiam ajudar a reduzir a dependência de países do Ocidente de terras raras da China, que responde por 69% da produção global e por 91% do refino. Esse grupo é formado por 17 metais, como lantânio, samário, térbio e lutécio, encontrados em abundância no mundo, porém com processos de extração e refino caros e complexos.

“Seguindo o cronograma, estimamos alcançar a decisão final de investimento no segundo semestre deste ano”, disse Klaus Petersen, gerente nacional da Viridis no Brasil.

A Meteoric deve começar a construir no terceiro trimestre, se conseguir a licença de instalação.

“São 24 meses de construção, que podem virar 18”, disse Marcelo Carvalho, diretor-executivo da companhia.

Segundo a Aclara, a multiplicidade de órgãos envolvidos no processo de licenciamento ambiental e a ausência de clientes no Brasil, para a compra de produtos futuros da mina, são dificuldades para conseguir investimento.

“Estabelecer contratos ‘offtake’ [de compra e venda antecipada da produção] é fator fundamental para a obtenção de financiamentos”, afirmou José Augusto Palma, vice-presidente-executivo da mineradora.

Marc Fogassa, presidente da Atlas, afirmou que, atualmente, as áreas da mineradora se encontram “em fase de estudos geológicos, testes laboratoriais e definição de rotas de processamento.” Os projetos da St. George Mining, também listada na bolsa de Sydney, e da Terra Brasil, brasileira de capital fechado, têm expectativa de iniciar operações em 2029.

“Estudos estão em andamento para confirmar o potencial técnico e econômico do projeto”, afirmou o presidente da St. George, John Prineas. O projeto prevê investimentos adicionais em nióbio. As duas frentes são em Araxá, cidade mineira em que opera a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), da família Moreira Salles. A iniciativa da Terra Brasil também mira outros investimentos, em fertilizantes.

“Adotamos uma estratégia diferenciada, com um projeto integrado de terras raras com fertilizantes fosfatados e potássicos”, disse Eduardo Duarte, presidente da empresa.

A Brazilian Critical Minerals (BCM) não informou quando entra em operação, mas Andrew Reid, diretor-executivo, disse que as principais etapas a serem concluídas neste ano incluem a obtenção de “todas as licenças necessárias” para isso.

O volume de investimento previsto no segmento deve ser maior, já que os projetos compilados pelo Valor são apenas alguns dos que se encontram em fase pré-operacional e há outros, entre eles os que ainda não contam com estimativas públicas de aporte de recursos.

A GIN Capital estima que, no máximo, 35% dos R$ 13 bilhões previstos sejam efetivamente captados e desembolsados até 2028.

“Os projetos mais avançados tecnicamente, com estudos de viabilidade mais robustos e já alguma conversação com potenciais ‘offtakers’, têm de 60% a 70% de probabilidade de alcançar a decisão final de investimento”, disse Roberta Dalla, cofundadora e sócia da plataforma.

Os demais enfrentam probabilidade menor sem mudanças estruturais no ambiente de negócios.

Uma proposta que tramita na Câmara sob relatoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) é tida como a em estágio mais avançado para instituir uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e impulsionar o segmento.

A inclusão de fundo garantidor no marco, para destravar o fluxo de capital, é defendida por empresas da cadeia de minerais críticos. Segundo a Associação de Minerais Críticos (AMC), a proposta uniria bancos de desenvolvimento e setor privado para diluir riscos no financiamento, e permitiria que mineradoras juniores, à frente de grande parte das iniciativas e sem produção ativa para oferecer como garantia real, acessassem recursos em condições mais competitivas.

“Precisamos de outro mecanismo de garantia, de modo que se coloque todo o pacote dos projetos embaixo”, disse Marisa Cesar, presidente do conselho da entidade.

Ao Valor, o deputado Arnaldo Jardim confirmou que o texto sob sua relatoria prevê o instrumento. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o alto risco da pesquisa mineral, em que entre cada 100 áreas sondadas cerca de duas se tornam bons projetos, limita o acesso a crédito. Por isso, disse Julio Nery, diretor de assuntos minerários da entidade, empresas juniores buscam capital em bolsas de países como Austrália e Canadá.

“Não necessariamente [são projetos] de australianos e canadenses. Podem ser até de brasileiros mesmo, que vão buscar esse capital de risco fora do país, porque lá há compensações [financeiras] que aqui não existem.” A AMC aponta como desafio a “insegurança jurídica” que a interferência de órgãos, como o Ministério Público, gera no licenciamento ambiental.

Cesar, da AMC, cita os casos dos projetos da Viridis e da Meteoric, alvos de ação antes de receberem a licença prévia no ano passado. “Isso impacta a atração de mais investidores.” Segundo o MPF, “por precaução”, seria preciso estudar potenciais riscos ambientais em estudos complementares.

Shigueo Watanabe Junior, pesquisador do Instituto ClimaInfo, disse que o órgão atua porque ferramentas de proteção do meio ambiente e de habitantes de áreas impactadas por empreendimentos têm falhado no país.

“Em um mundo ideal, o MP não precisaria entrar em ação, pois os mecanismos de licenciamento e acompanhamentos dariam conta.” A ausência de contratos estruturados de “offtake”, que alguns projetos ainda enfrentam, e a complexidade técnica do refino dos elementos também foram apontadas como entraves pela GIN.

“Sem acordos de ‘offtake’ de longo prazo com fabricantes finais ou intermediários, esses projetos não conseguem bancar o ‘project finance’ tradicional”, disse Dalla, referindo-se ao modelo em que o crédito é concedido com base principalmente na capacidade futura de geração de caixa.

Na corrida global para reduzir a dependência da China, disse ela, o Brasil poderia capturar de 15% a 20% do mercado global de terras raras, projetado em até US$ 12 bilhões anuais até 2030, mas “a janela é de 18 a 24 meses”.

Se o país perder a oportunidade, o risco é que a infraestrutura de refino e os acordos de ‘offtake’ já tenham sido estabelecidos em outros países.

“E será exponencialmente mais difícil, e mais caro, atrair capital de escala”, disse.

Hoje, a única mina em operação comercial no país é a da Mineração Serra Verde, em Goiás, que anunciou que obteve financiamento de US$ 565 milhões (R$ 2,9 bilhões ao câmbio atual) do DFC, o banco de desenvolvimento americano. Essa busca de investidores internacionais, incluindo instituições de fomento e bancos públicos e privados, é estratégia que já tem sido usada pelas mineradoras em fase pré-operacional.

Em setembro de 2025, a Aclara anunciou que recebeu compromisso de financiamento de até US$ 5 milhões do DFC, para estudo de viabilidade. E Viridis e Meteoric também já anunciaram que receberam cartas de apoio e de interesse para financiamento de agências de crédito à exportação de países como Austrália, Canadá, França e EUA.

Internamente, o Brasil também tem frentes que buscam destravar investimentos no segmento de minerais críticos. O próprio governo federal tem buscado atrair investidores internacionais para o segmento.

Fonte: Valor


ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS