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O espectro da crise hídrica

As variações climáticas são uma realidade incontornável. Em princípio, está afastado o risco maior de um apagão, mas a pressão na conta de luz é inevitável

 

crise hídrica
Imagem Ilustrativa

Diz-se que “a primeira coisa que a chuva leva é a memória da seca”. Inversamente, a primeira coisa que a seca traz é a memória da chuva. Há um ano o País testemunhou as chuvas avassaladoras na Região Sudeste que, entre enchentes e desmoronamentos, levaram dezenas de vidas. Anos antes, em 2014, o Sistema Cantareira, que abastece metade da Região Metropolitana de São Paulo, atingiu pela primeira vez o volume morto, afetando o abastecimento de água e a geração de energia com grande impacto socioeconômico. No primeiro trimestre deste ano, o volume de chuva na região do Cantareira foi o mais baixo desde 2016, e o volume de água nos reservatórios de São Paulo é menor do que em 2013. É um reflexo da estiagem que afeta o País, especialmente suas grandes “caixas d’água”, o Sudeste e o Centro-Oeste.

Em princípio, está afastado o risco maior de um apagão, como o de 2001. Desde então, o País investiu em sistemas de compensação, sobretudo nas usinas termoelétricas. Mas a pressão na conta de luz é inevitável. Estima-se que o reajuste médio nas tarifas residenciais possa chegar a 17%.

Períodos de seca e o setor elétrico

É consenso no setor elétrico que as mudanças climáticas estão deteriorando as condições hidrológicas brasileiras. Num futuro previsível os períodos de seca tendem a ser mais severos e frequentes. Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura, entre 2016 e 2020, o fluxo das represas de hidrelétricas ficou abaixo da média registrada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em quase 90 anos: 85,6% no Sudeste/Centro-Oeste; 49,3% no Nordeste; 88,4% no Sul; e 76,2% no Norte. Desde 2013, enquanto a inflação foi de 47,7%, a tarifa média da energia subiu 105,2%.

A escassez hídrica afeta não só a energia, mas a navegação, a indústria e a agricultura. Isso exigirá tanto adaptações de curto prazo quanto estratégias de longo prazo. Não há saída única. Em estudo sobre o problema, o Ipea aponta que será preciso implementar uma composição de soluções que envolverão necessariamente tecnologias relacionadas com captação e reservatórios de armazenamento; tratamento de água e esgoto; monitoramento e gestão da quantidade e qualidade da água nos mananciais; estações elevatórias, adutoras e redes de distribuição; e controle de consumo.


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O equilíbrio entre custos e benefícios é delicado. No setor elétrico, em particular, muitos apostam na construção de novos reservatórios. Mas a contrapartida é o alagamento de grandes áreas, eventualmente inviável ante os novos paradigmas de proteção ambiental. Uma solução mais imediata e evidente é investir mais na contratação de termoelétricas. As térmicas podem funcionar ininterruptamente e servem como uma espécie de bateria que compensa as intermitências do sistema hidrelétrico, dando-lhe mais resiliência e permitindo um melhor gerenciamento dos reservatórios. O problema é que elas funcionam à base de combustíveis fósseis, como derivados de petróleo ou carvão mineral, com óbvios impactos ambientais.

Novas matrizes energéticas

A longo prazo, é possível apostar em parques eólicos e solares. Hoje a participação dessas matrizes no Brasil é de 12%, mas estima-se que possa chegar a 50%. Ainda assim, por mais promissoras que sejam, as fontes renováveis ainda são relativamente caras e o desenvolvimento das tecnologias é incerto. De resto, elas também são intermitentes, e ainda será preciso contar, ao menos num futuro próximo, com as termoelétricas como base de estabilização do sistema. Uma boa notícia é que a aprovação do Novo Marco do Gás deve impulsionar a importação, produção e distribuição do gás natural, mais barato e menos poluente.

O fato é que as variações climáticas são hoje uma realidade incontornável. “Chamar a atenção para este fato não se trata de postura catastrófica”, advertiu em artigo no Estado o pesquisador do Instituto Democracia e Sustentabilidade Guilherme Checco, “mas sim de atitude preventiva para a construção de uma nova cultura de cuidado com a água capaz de se adaptar a este cenário de escassez hídrica, com o devido planejamento para evitar situações extremas de criticidade e potencial colapso dos sistemas de abastecimento.”

Fonte: Estadão.


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