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Tecnologia cearense produz energia elétrica a partir do esgoto capaz de carregar celulares

Aplicação em larga escala será desenvolvida em laboratório da UFC

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Foi produzida energia elétrica suficiente para carregar bateria de celulares e até um sistema de tratamento de resíduos sanitários, em laboratório, com a matéria orgânica do esgoto. Tal tecnologia foi desenvolvida no doutorado de uma pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e agora deve ser otimizada para aplicação em escala comercial.

Fernanda Lobo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, conseguiu produzir hidrogênio, gás ambientalmente sustentável, para a geração de energia elétrica a partir de reações químicas.

“A pesquisa se iniciou nos Estados Unidos, na Universidade do Colorado, os primeiros testes foram feitos por mim e uma equipe do grupo de pesquisa em bioenergia”, explica.

Funcionamento do cubo acrílico

Para isso, um cubo de acrílico funciona como uma pilha, com lado positivo e negativo, para captar a energia química transformada em energia elétrica. Os resultados foram publicados na revista Energy & Environmental Science.

“Essa foi a primeira fez que a gente conseguiu produzir hidrogênio sem nenhuma energia externa, utilizando apenas energia química da matéria do esgoto”, pontua Fernanda.

A pesquisadora destaca que a tecnologia possui relevância ambiental, por ser uma alternativa sustentável de manejo do esgoto, além de ter impacto social e econômico.

Possibilidade de geração de renda

“Associar o tratamento de esgoto com a geração de um produto com valor comercial coloca o saneamento em evidência pela possibilidade de geração de renda”, destaca.

Em 2020 os testes, até então realizados no exterior, devem ser continuados na UFC.


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Além do carregamento de celulares, a tecnologia já foi utilizada para fornecer energia para sistema de tratamento de outros esgotos e, para aplicação em escala comercial, ainda não necessários outros estudos.

“Tem um longo caminho para (a pesquisa) sair da escala de laboratório e chegar em larga escala, mas eu acredito que os novos testes que vão iniciar no ano que vem vão ajudar muito. A gente precisa sempre de apoio, de recurso, pra gente continuar com a pesquisa e contribuir com a sociedade”, esclarece a pesquisadora.

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