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Pesquisa inédita avalia a disponibilidade de água subterrânea do Norte de Minas Gerais

O clima semiárido é predominante na região do Projeto Águas do Norte de Minas (PANM), que abrange 181 municípios e ocupa uma área aproximada de 245.520 km².

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Distribuição espacial do Recurso Potencial Explotável

Com baixas precipitações pluviométricas e mananciais superficiais escassos, a água subterrânea muitas vezes é a única fonte de abastecimento. Ao longo de 10 anos, mais de 40 técnicos e pesquisadores avaliaram as disponibilidades hídricas subterrâneas das regiões norte, nordeste e noroeste do estado de Minas Gerais (MG).

O lançamento do Projeto Águas do Norte de Minas (PANM) ocorreu no dia (10/5), na Superintendência Regional de Belo Horizonte do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Compuseram a mesa de abertura o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, Antônio Bacelar, o chefe do Departamento de Hidrologia, Frederico Peixinho, o superintendente regional de BH, Marlon Coutinho, e a diretora-geral do IGAM, Marília Carvalho.

“O estado de Minas sai na frente ao desenvolver este estudo que fomenta a criação de políticas públicas, utilização racional e disponibilização desse recurso à sociedade”, destacou Bacelar. Peixinho aproveitou para ressaltar que neste ano a CPRM comemora 50 anos. “Em 2019, completamos bodas de ouro de um Serviço Geológico que tem na sua essência a tarefa de gerar e disponibilizar conhecimento científico”, disse.

Os resultados finais desta pesquisa possibilitaram a elaboração dos seguintes produtos: Relatório de integração, Atlas Cartográfico, Mapa Hidrogeológico, Mapa de Recarga Hídrica Subterrânea em escala regional, Bancos de dados hidrometeorológicos e Sistema de Informações Geográficas (SIG).

O estudo foi realizado pela CPRM em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Secretaria de Desenvolvimento do Norte de Minas (SEDVAN), Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (SEMAD), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Estudo Superior (SECTES), Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) e Fundação Educativa de Rádio e Televisão Ouro Preto (FEOP).

Diferentes tipos de uso dos recursos hídricos

Segundo Márcio Cândido coordenador técnico do projeto e pesquisador em Geociências da CPRM, o recurso potencial explotável refere-se a cerca de 20% do volume do reservatório da usina hidrelétrica de Três Marias, que pode ser utilizado para diferentes tipos de uso, como irrigação, abastecimento e indústrias na região.

“O conhecimento da disponibilidade hídrica e uma gestão integrada, pautada com dados provenientes do monitoramento hidrometeorológico e hidrogeológico, são necessários para minimizar os conflitos gerados pelo uso das águas”, afirma.

Durante o evento, a ex-analista ambiental do IGAM Maricene Paixão (in memorian) foi homenageada pela importante contribuição à área de Recursos Hídricos, além dos trabalhos desenvolvidos no PANM. Guilherme Paixão, viúvo de Maricene, juntamente com outros familiares, recebeu uma placa em reconhecimento à dedicação e profissionalismo dela em nome de toda a equipe técnica do projeto. “Além da excelência dos produtos aqui divulgados, hoje é um dia especial em memória à Maricene, que deixa um legado para a água subterrânea do nosso estado”, afirmou a diretora-geral do IGAM.

Na fase de obtenção de dados primários foi implementada uma Rede Integrada de Monitoramento Hídrico, permitindo assim a contínua aquisição de dados climáticos, hidrológicos e hidrogeológicos em curto, médio e longo prazos.

A Rede de Monitoramento Hidrológica conta com 97 estações do tipo fluviométricas, pluviométricas, climatológicas e pontos de medição de vazão, enquanto a Rede de Monitoramento Hidrogeológica é composta por 38 poços de monitoramento.

A maior parte da área estudada (88%) se concentra nas bacias dos rios São Francisco e Jequitinhonha. O restante se distribui nas bacias dos rios Mucuri e Pardo, além das bacias do leste: rios Jucuruçu, Itanhém (Alcobaça) e Buranhém. Dentre o grande número de municípios, alguns deles se destacam como polos administrativos, apresentando uma considerável concentração populacional, infraestrutura e maior participação no PIB estadual. São eles: Montes Claros, Diamantina, Paracatu, Teófilo Otoni e Araçuaí.

A motivação para a estruturação do Projeto se deu a pedido do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH), em 20 de novembro de 2009, por meio da Deliberação Normativa N° 33/2009. Esta norma foi reeditada pela Deliberação Normativa N° 34/2010.

Fonte: CPRM.

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