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Barragens chegam ao volume morto no Rio Grande do Norte

Em três meses, o número de reservatórios de superfície que secaram no Rio Grande do Norte quase dobrou. Em agosto, oito mananciais com capacidade de reserva igual ou superior a cinco milhões de metros cúbicos não dispunham de água suficiente para consumo humano, animal ou para irrigação. Hoje, o número chega a 15. A maioria deles abastecia cidades das regiões Seridó e Oeste, que entraram em colapso e atualmente são abastecidas por carros-pipa ou em sistema de rodízio. A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, o maior reservatório do Estado, amarga o índice mais baixo de carga hídrica da história: 16.62%. Dos 2.4 bilhões de metros cúbicos possíveis de serem armazenados no reservatório, hoje existem 398,82 milhões de metros cúbicos.

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Na última medição, o nível da Armando Ribeiro Golçalves chegou a 398,82 milhões de metros cúbicos, 16,62% da capacidade

A evaporação natural, aliada aos ventos fortes que sopraram entre os meses de agosto e setembro, aceleraram o processo de secagem de algumas reservas hídricas. O quantitativo de reservatórios em volume morto, cuja barragem ou açude não tem capacidade de verter água pela comporta sem a necessidade do acionamento de bombas, é de 16 atualmente. Até o fim deste ano, de acordo com o Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), outros três deverão se enquadrar na mesma categoria e piorar, ainda mais, a situação do abastecimento no interior do estado.

“A situação está cada vez mais crítica, Não há chuvas para obtermos recarga hídrica”, disse o diretor do Igarn, Josivan Cardoso. Ele destacou que as
fiscalizações para conter o desvio ilegal ou até o furto de água se intensificaram ao longo deste ano. “Nós efetuamos em torno de 400 fiscalização esse ano e emitimos 1.600 outorgas de licenças, que regulamentam o uso e delimitam o volume de água extraída dos reservatórios”, declarou o diretor do Igarn. Ele relembrou, ainda, que os conflitos por água são comuns em algumas regiões do estado, principalmente no Oeste.

Ao longo do curso do Rio Piranhas-Açu, por exemplo, ele frisou que apreendeu dezenas de bombas, canos e cifões que eram usados para desviar água ilegalmente. “Foi preciso intensificarmos a fiscalização e firmarmos parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) e com a Agência de Águas da Paraíba (AESA) para impedir retirada de água para irrigação, por exemplo”, relembrou Josivan Cardoso.  A situação do abastecimento d’água no Rio Grande do Norte é tão grave, de acordo com Josivan Cardoso, que o Canal do Pataxó só tem água porque a Caern está “injetando”.

O Igarn determinou, em consonância com a Caern e com a Prefeitura Municipal de Itajá, que somente esses dois últimos órgãos são habilitados a fazer a extração de água do Canal. Qualquer outra pessoas que o fizer, poderá ser advertida pelo Igarn e sofrer a punição do pagamento de multa. “Ao longo desta semana, fizemos fiscalizações e extraímos dois caminhões de equipamentos que retiravam água do Canal do Pataxó de forma clandestina. Eram bombas, cifões, canos”, relembrou Josivan Cardoso. O furto de água também é comum na Bacia do Corema-Mãe D’água, que abastece o Rio Piranhas- Açu. “Existem muitos conflitos d’água nesse trecho, que começa na Paraíba e termina aqui no Rio Grande do Norte”, declarou Josivan Cardoso.

Armando Ribeiro

A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves é o maior reservatório de superfície do Rio Grande do Norte, com capacidade para armazenamento de 4,4 bilhões de metros cúbicos de água. Hoje, porém, ela acumula 398,82 milhões, o que corresponde a 16,62% de seu potencial. “A Barragem (Armando Ribeiro Gonçalves) nunca esteve num nível tão baixo. Se baixar para 10%, entra no volume morto. Ainda assim, ficará com mais de 200 milhões de metros cúbicos, o que garante uma sobrevida relativamente longa. Mas, é preciso que chova para não corrermos riscos”, comentou Josivan Cardoso.

Volume armazenado – Confira a situação hídrica dos principais mananciais:

Barragens e Açudes
Armando Ribeiro Gonçalves
Capacidade: 2,4 bilhões de metros cúbicos
Atual: 398,82 milhões de metros cúbicos 16,62% da capacidade

Santa Cruz do Apodi
Capacidade: 600 milhões de metros cúbicos
Atual: 124,52 milhões de metros cúbicos 20,76% da capacidade

Umari
Capacidade: 292 milhões de metros cúbicos
Atual: 33,68 milhões de metros cúbicos 11,50% da capacidade

Lagoas
Bonfim – abastece 32 municípios através da Adutora Monsenhor Expedito
Capacidade: 84,2 milhões de metros cúbicos
Atual: 46,39 milhões de metros cúbicos 55,06% da capacidade

Extremoz – abastece a zona Norte de Natal
Capacidade: 11 milhões de metros cúbicos
Atual: 7,31 milhões de metros cúbicos 66,38% da capacidade

Boqueirão – usos múltiplos
Capacidade: 11 milhões de metros cúbicos
Atual: 8,94 milhões de metros cúbicos 80,72% da capacidade

Pium – abastece o município de Parnamirim
Capacidade: 4,3 milhões de metros cúbicos
Atual: 4,05 milhões de metros cúbicos 94,96% da capacidade

Jiqui – abastece a zona Sul de Natal
Capacidade: 440 mil metros cúbicos
Atual: 404,17 mil metros cúbicos 91,90% da capacidade

Fonte: Tribuna do Norte / Texto: Ricardo Araújo

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