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Sabesp capta 7,5 bilhões de litros de água do rio Paraíba do Sul e ‘segura’ nível do Cantareira

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) transferiu 7,5 bilhões de litros de água do Rio Paraíba do Sul ao sistema Cantareira entre os dias 30 de outubro, quando retomou essa estratégia de captação, e o último domingo (7). Com isso, o nível do manancial responsável por abastecer diariamente mais de 7 milhões na Grande SP manteve-se estável, algo incomum desde junho deste ano, início do chamado período seco.

Para especialistas, a medida de captação de água é insuficiente para evitar uma crise de falta de água em 2023

abastecimento-agua

Imagem ilustrativa

Em 30 de outubro, o Cantareira registrava 28% da capacidade. Na atualização desta segunda (8), feita às 9h, foram contabilizados os mesmos 28%. Entre junho e outubro, o manancial teve uma redução média de 1,2% de seu volume operacional passados os oito primeiros dias de cada mês. Em novembro, houve uma oscilação negativa de 0,1%.

O Cantareira opera em estado de restrição, patamar preocupante, o que, na avaliação de especialistas, deveria fazer a Sabesp adotar medidas não implementadas até agora para evitar uma crise hídrica no ano que vem, como dar descontos proporcionais à redução do consumo de água pela população.

Em 15 de outubro, a Sabesp foi autorizada a retomar a transferência de água do Paraíba do Sul para o Cantareira. O volume permitido é de 40 bilhões de litros até dezembro, menor do que o solicitado pela estatal (60 bilhões de litros).

Na prática, porém, a Sabesp iniciou essa transferência de água entre os sistemas em 30 de outubro. A companhia pode captar ainda 32,5 bilhões de litros de água até o fim deste ano.

Prognóstico desfavorável

Na avaliação do professor Pedro Luiz Côrtes, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), a situação dos mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo é preocupante.

“O prognóstico climático não é favorável para o período primavera-verão. Nós temos, no início da primavera, um volume de chuvas que já estava previsto. Nós também temos a previsão que, à medida que nós nos aproximarmos do verão, essas chuvas vão diminuir e vamos ter chuvas abaixo da média. Serão chuvas insuficientes para dar a segurança hídrica de que precisamos”, diz o especialista.


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Para ele, é inexplicável a relutância da Sabesp em adotar, por exemplo, um bônus (um desconto) para quem diminuir o consumo de água em São Paulo.

“É uma crise que já está se transformando em crise de abastecimento, tendo em vista que vários consumidores reclamam da redução de pressão além do originalmente previsto e de falta de água na cidade de São Paulo e em municípios adjacentes”, afirma Côrtes.

O que diz a Sabesp

A Sabesp informou por meio de nota que

“retomou de forma regular a transposição da represa Jaguari/Cesp (da bacia do Paraíba do Sul) para a represa Atibainha (no sistema Cantareira) em 30/10, após a conclusão dos trâmites previstos”.

“Até o dia 7/11, foram transferidos 7,5 bilhões de litros. A retomada é importante para dar mais segurança hídrica para as regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas (Bacia do PCJ – Piracicaba, Capivari e Jundiaí), devido às baixas precipitações registradas neste ano, e foi autorizada pelos órgãos reguladores.”

De acordo com a estatal,

“visando à segurança hídrica e à preservação dos mananciais em momentos como o atual, um conjunto de medidas vem sendo adotado: integração do sistema (com transferências de água rotineiras entre regiões), ampliação da infraestrutura, gestão da pressão noturna para maior redução de perdas na rede e campanhas para o consumo consciente”.

“Medidas adicionais às que já são realizadas serão adotadas se necessário, levando em consideração as projeções da Sabesp e o trabalho de acompanhamento da situação.”

Fonte: G1.


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