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Indústria siderúrgica de olho no controle de impactos ambientais

Indústria siderúrgica de olho no controle de impactos ambientais

Empresas investem em diferentes projetos para reduzir a emissão de gases estufa, mas também precisam lidar com passivos ambientais

Fundamental no desenvolvimento da sociedade contemporânea, o aço é matéria-prima onipresente na vida humana: seu uso vai de utensílios domésticos até segmentos automotivo, naval, moveleiro, da construção civil e de motores elétricos. Também é insumo essencial para a transição energética, porque compõe as turbinas de energia eólica, por exemplo. Mas o impacto econômico que a indústria siderúrgica causa em locais onde se instala traz consequências ambientais para o entorno.

O setor é fonte importante do lançamento de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Estudo conduzido pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável e pelo Rocky Mountain Institute aponta que a produção desse derivado do ferro é diretamente responsável por 2,6 gigatoneladas (Gt) de emissões de CO2 em 2020, o que representa 7% do total global, além de despejar 1 Gt de GEE no ar devido ao uso de eletricidade. “Os métodos de produção atuais dependem de combustível fóssil para energia e remoção de oxigênio de minerais de ferro. Como resultado, mudanças fundamentais nos métodos de produção são necessárias para descarbonizar o setor”, indica o documento, lançado em junho de 2023.

Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: 71% do aço que produz é feito a partir desse material. Gustavo Werneck, CEO da companhia, aponta que 11 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço por ano. A empresa também se posiciona como a maior produtora de carvão vegetal do mundo, com mais de 250 mil hectares de base florestal no Estado de Minas Gerais. Entre sucata e biorredutor, 80% da produção é baseada no uso de fontes recicladas ou renováveis.


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Recentemente, segundo ele, a Gerdau venceu o leilão da plataforma P-32, unidade do sistema de produção que foi utilizada pela Petrobras na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

“Uma das fontes de geração de sucata metálica é o desmantelamento de plataformas como a P-32 e de navios, o que permite que um volume importante desses materiais seja retirado dos mares brasileiros e transformado em novos produtos de aço, porque o aço é um item infinitamente reciclável. Outros materiais serão enviados para descarte seguro. Essa iniciativa é pioneira na indústria brasileira do aço”, afirma Werneck.

A empresa, contudo, também mantém passivos ambientais. A Justiça de São Paulo aceitou uma denúncia do Ministério Público estadual, que aponta um depósito clandestino de resíduos tóxicos após a desativação de uma planta industrial em Sorocaba. Em fiscalização, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) confirmou a contaminação do solo e do lençol freático por metais, hidrocarbonetos de petróleo e fluoreto. A Gerdau informa que fechou um acordo com a promotoria, e que “o terreno já se encontra em processo de recuperação e em fase de intervenção, conforme premissas e requisitos legais do órgão competente, bem como em estrito cumprimento da legislação ambiental”.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) é outra empresa que vem passando por entraves: um pó preto expelido por uma planta em Volta Redonda (RJ) vem prejudicando os moradores da cidade. Devido a isso, o Instituto Estadual do Ambiente a multou em R$ 1 milhão em julho. Em nota, a diretoria da empresa diz que conduz uma modernização da fábrica adquirida em 1994.

“Há investimento, neste momento, de R$ 700 milhões em modernos equipamentos e filtros para aprimorar os seus controles ambientais da emissão de poeira até 2024. Há inúmeras medidas para reduzir o impacto da poeira: filtros de despoeiramento, lavadores de gases, turbinas de névoa, limpeza e lavagem de vias internas e canhões de aspersão com aplicação de polímero que minimiza os sólidos em suspensão.”

Helena Brennand Guerra, diretora de sustentabilidade da CSN, diz que a usina da cidade fluminense melhorou a eficiência do uso de água no local – de 92,9% em 2019 para 94,4% em 2022.

“É tão significativo que seria suficiente para abastecer uma cidade como o Rio de Janeiro durante um ano. A usina é hoje a mais eficiente no uso da água no Brasil”, afirma.

Cada tonelada de aço produzida gera entre 500 e 600 quilos de resíduos e coprodutos que, em vez de serem destinados a aterros, são comercializados em diferentes indústrias, como a química fina, a farmacêutica, a de agronegócio, entre outros, um negócio cujo faturamento rendeu R$ 337 milhões no ano passado.

“Em 2022, o aço verde representou 16,4% de todo o aço produzido pela CSN. Assumimos a meta de reduzir 10% das emissões específicas até 2030 e 20% até 2035. Estão previstos R$ 5 bilhões em investimentos até 2030, alguns dos quais já foram aportados.”

Já a Aço Verde do Brasil nasceu diferente, segundo Sandro Marques Raposo, diretor de sustentabilidade, devido a um planejamento de engenharia que torna o biocarbono protagonista na rota de produção.

“Não usamos combustíveis fósseis na usina. Usamos o gás renovável da queima do biocarbono a partir do eucalipto. É um gás isento de emissões. No Brasil, a fatia de aço verde ainda é pequena: somada, corresponde de 10% a 12% da produção de aço nacional”, explica.

“Com a mesma quantidade de madeira para a produção nacional de 25 milhões de toneladas de celulose, conseguimos produzir de 32 milhões a 33 milhões de toneladas de aço, mesma quantidade da produção anual brasileira. Mostra que escalar é difícil, mas não é impossível. É questão de política pública, botar foco e incentivar esse tipo de tecnologia.” A reciclagem, diz ele, também é importante no processo. “Somos o maior reciclador de sucata do Maranhão, que combinado com ferro-gusa verde me dá o aço verde”, acrescenta.

Em maio, no entanto, o Ministério Público do Estado instaurou um procedimento de investigação sobre emissão de gases tóxicos pela empresa em Açailândia, interior do Estado.

Frederico Ayres Lima, diretor-presidente da Aperam South America, diz que mais de 96% da energia usada pela empresa é renovável, e que os fornos são de carvão vegetal, cuja madeira provém de florestas próprias e sustentáveis.

“Elas retiram CO2, então as remoções são praticamente iguais a emissões. Ou seja, 100% do que se produz foi neutralizado pelas nossas florestas.”

Em 2021, a empresa comprou a ELG, maior recicladora de aço do Brasil, para aprimorar o reúso das sobras do metal. Mesmo com as medidas, a empresa foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em 2021, a pagar uma multa de R$ 1,5 milhão por contaminação do solo devido ao uso de um inseticida em plantações de eucalipto. Para a indústria, o caminho para a sustentabilidade plena pode estar traçado, mas ainda é longo.

Fonte: Valor


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