NOTÍCIAS

Água do mar pode dar segurança hídrica para grandes cidades, diz diretor da ANA

O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse que é preciso considerar a dessalinização da água do mar como fonte alternativa para a segurança hídrica das grandes cidades brasileiras, mesmo sendo uma tecnologia cara. Andreu participou do seminário organizado pela ANA para o Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22

Em meio a críticas sobre a qualidade da água, Baía de Guanabara sediará o primeiro evento-teste para as Olimpíadas de 2016(Tânia Rêgo/Arquivo Agência Brasil)

É preciso considerar a dessalinização da água do mar como fonte alternativa para a segurança hídrica, diz diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu. Foto: Tânia Rêgo/ Arquivo Agência Brasil

 

A quantidade de água no mundo é finita, mas renovável, porém, segundo Andreu, além do aumento contínuo da demanda nas cidades e na agricultura, em vários aspectos a água está sendo degradada, portanto depois não pode ser utilizada.  “Essas alternativas, como reuso, captação de água de chuva, adoção de tecnologia nas edificações e, inclusive, a dessalinização, colocariam água nova no sistema no sentido de tentar equilibrar essa equação que hoje é desfavorável para a água”, disse.

O Brasil já utiliza a tecnologia de dessalinização da água do mar. Um exemplo é o Arquipélogo de Fernando de Noronha que tem sua água obtida desta forma.

Hábitos de consumo

Andreu explicou que não é mais possível fazer previsões hidrológicas consistentes como no passado e que é preciso admitir a fragilidade do sistema hídrico diante de eventos extremos. “As séries históricas nos trazem informações, mas é preciso traduzir isso em medidas técnicas adequadas, seja pelo nosso conhecimento, seja dialogando com outras áreas do conhecimento”.

A mudança de hábitos de consumo da população também são fundamentais para o diretor-presidente da ANA. “As crises têm sinalizado para a sociedade que não podemos manter padrões de consumo que são incompatíveis com a trajetória de oferta de água e poluição. Essa mudança é absolutamente vital”, disse.

Andreu explicou que as cidades são responsáveis por cerca de 12% a 16% do consumo de água do país. “Isso pode parecer pouco, mas os hábitos que as pessoas adotam vão se manifestar em vários aspectos. Se a pessoa economiza água, ela vai cobrar da indústria e da agricultura para que elas economizem água. E vai cobrar até dos políticos para que a água entre como agenda relevante. Não pode ser só uma agenda de crise”.

Gestão da água

Para o presidente da ANA, é imprescindível também fazer o gerenciamento correto dos recursos hídricos, coordenando os diversos usos e tomando medidas regulatórias e disciplinatórias, para evitar os conflitos em momentos de crise.

Além de uma melhor regulação, Andreu defendeu a melhoria da infraestrutura, como a construção de reservatórios de água. “O Brasil construiu, durante muito tempo, importantes reservatórios, mas por várias razões deixou de construir. Eles são o melhor mecanismo para enfrentar cheias e secas”, explicou.

O presidente da ANA disse ainda que é preciso fortalecer o sistema de gestão, como os comitês de bacia e os conselhos estuais para que, em momentos de crise, a Justiça não precise intervir. Ele deu como exemplo a crise hídrica que atingiu o Sudeste, entre 2014 e 2015, e colocou a água da bacia do Rio Paraíba do Sul no centro de uma disputa entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

“Não fosse a sabedoria e valorização do comitê de bacia, estaríamos diante de uma solução pelo Judiciário em relação ao domínio da água. Precisamos de um agente que resolva isso e que assuma da tomada de decisão em situação de conflito. O que temos na legislação não dá conta de solução no tempo exigido e na imparcialidade técnica necessária”, disse o diretor-presidente da ANA.

Para Andreu, é fundamental definir antecipadamente, com a participação dos interessados, os marcos regulatórios e as condições de operação dos reservatórios estratégicos para o país.

Crise hídrica

Rio de Janeiro - Passageiros de um ônibus ficaram ilhados no alagamento na Rua do Lavradio, na Lapa, região central, durante temporal com forte chuva e vento (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Segundo presidente da ANA, apesar da chuva no Sudeste, a crise hídrica na região ainda não acabou. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Sobre a situação hídrica atual, Andreu explicou que para os moradores das cidades do Sudeste, a chuva está sinalizando que a crise acabou, “muito embora não tenha acabado”. “A água que existe nos reservatórios é o segundo pior da história, se parar de chover, as circunstâncias do Sudeste pode retornar com bastante gravidade”, disse.

No Semiárido, a crise continua. “As chuvas chegaram de maneira irregular, não há perspectivas e em vários reservatórios, como em Campina Grande, Recife, Fortaleza e Natal, os sinais são que as pessoas precisam continuam mantendo hábito com restrição de consumo para que possamos atravessar esse período até quando a chuva chegar e não sabemos quando ela vai chegar”, explicou.

Água e emprego

Durante o seminário da ANA, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em nome da ONU Água, lançou a edição de 2016 do Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos. Com o tema Água e o Emprego, ele mostra que a escassez de água pode limitar o crescimento econômico mundial e a criação de empregos nas próximas décadas.

Segundo a oficial do Programa Mundial das Nações Unidas em Avaliação dos Recurso Hídricos da Unesco na Itália, Angela Ortigara, metade da água do planeta é utilizada em oito grandes setores dependentes de recursos hídricos e naturais: agricultura, silvicultura, pesca, energia, manufatura intensiva de recursos, reciclagem, construção e transporte. Três de cada quatro empregos de toda a força de trabalho global são forte ou moderadamente dependentes da água.

Colheitadeiras
Escassez de água pode limitar o crescimento econômico mundial e a criação de empregos em vários setores, como a agricultura. Foto: Agencia Brasil/arquivo

“Os problemas de escassez levam à diminuição da produtividade agrícola, à perda de empregos e ao êxodo rural”, disse Angela, explicando que isso resulta no inchaço das cidades pelo mundo, no aumento da insegurança alimentar, assentamentos informais, desemprego e instabilidade política.

A criação de oportunidades de emprego em atividades de mitigação e adaptação e o mercado emergente de pagamentos por serviços ambientais pode oferecer às populações a oportunidade de aumentar a renda e implementar práticas de restauração e conservação, segundo o relatório.

O próprio uso de recursos hídricos alternativos criará novos empregos no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias e na implementação de seus resultados. “As maiores potencialidade de emprego estão relacionadas com a economia verde. Há todo um trabalho para capacitar os empresários para essa transição econômica”.

Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS