NOTÍCIAS

Com a agenda do petróleo em alta, como fica a energia limpa em 2026

Com a agenda do petróleo em alta, como fica a energia limpa em 2026?

Aumento da demanda por energia indica que o caminho é de equilíbrio de renováveis com petróleo e outras fontes fósseis

Responder à pergunta do título deste artigo é, em alguma medida, tentar organizar um debate que, nos últimos anos, tem sido com frequência capturado por leituras apressadas do noticiário internacional.

O mundo acompanha as recentes iniciativas dos EUA para fortalecer investimentos em energia, o que inclui combustíveis fósseis. Esses recursos representam aproximadamente 83% da matriz energética do país. Em 2024, os norte-americanos lideraram a produção de petróleo e gás no mundo, responsáveis por aproximadamente 20% do total produzido e por 25% de todo o investimento realizado no setor.

Os números devem aumentar nos próximos anos, muito em função de recentes alterações de políticas governamentais domésticas e internacionais, como no decreto “Unleashing American Energy” de janeiro de 2025; em leis como a One Big Beautiful Bill Act, de julho de 2025, e em medidas de maior alcance global, como a retirada do Acordo de Paris, da UNFCCC e do IPCC.

No relatório mais atualizado da Irena (International Renewable Energy Agency), de 2024, verifica-se que o mundo registrou investimentos de US$ 807 bilhões em transição energética (v. US$ 662 bilhões em 2023). Parte significativa dessa cifra decorreu de agentes privados (US$ 397 bilhões). Os governos em si são responsáveis por só 3% do total investido.

A China é a líder dessa carteira, com US$ 352 bilhões investidos no total (44% de todo o montante alocado). Esse valor representa apenas investimentos em transição, isto é, a mudança de um sistema de energia utilizado para determinadas finalidades, de fontes fósseis para fontes renováveis.

O total de investimentos em energia limpa foi de US$ 625 bilhões. A União Europeia aparece como 2ª colocada no ranking de maiores impulsionadores da transição energética, com US$ 137 bilhões investidos em 2024.

Apesar dos robustos investimentos chineses em energia limpa, as projeções feitas para o mercado chinês indicam que a demanda por petróleo deve seguir estável. Estima-se um aumento de aproximadamente 1% em 2026 (próximo a 18,6 milhões de barris por dia) e contar com o apoio substancial do governo chinês à indústria petrolífera e de gás natural.

Difícil sustentar que isso seja, portanto, um jogo de soma zero, em que para a energia limpa crescer, os fósseis devem desaparecer. Os agentes globais equilibram investimentos em ambos os setores sobre a balança da segurança energética.

O crescimento estrutural do consumo energético global, impulsionado por digitalização, inteligência artificial, eletrificação de processos industriais, data centers e novas cadeias de valor intensivas em energia, tem superado a capacidade de substituição linear entre fontes.

Combustíveis fósseis até podem ser capazes de atender a essa demanda, muito por meio do gás natural. Porém, grandes consumidores tecnológicos tendem a priorizar fontes com maior previsibilidade de preço e contratos de longo prazo, o que desloca a nova demanda incremental para soluções baseadas em renováveis, associadas a armazenamento, posicionando os fósseis a um papel complementar de segurança energética.

Nesse contexto, a coexistência entre renováveis e fósseis deixa de ser uma anomalia de política climática e passa a refletir uma restrição física e econômica concreta. Isso significa dizer que a agenda de expansão do petróleo e do gás em 2026 não representa um retrocesso inevitável da energia limpa, mas a manifestação de um sistema energético pressionado por uma demanda estruturalmente crescente e mais complexa.

O cenário que projetamos, nos primórdios de 2026, portanto, é o de convivência pragmática entre fontes, com investimentos paralelos em renováveis, armazenamento, redes, nuclear e combustíveis fósseis.

Em um mundo em que a demanda por energia cresce mais rápido do que a capacidade de transformação do sistema, não se pode dar o luxo de suprimir espaço das energias renováveis por uma suposta competição com petróleo e outras fontes fósseis. Porque toda energia conta, e porque o equilíbrio entre fontes será condição necessária para sustentar o crescimento que não para de se impor.

Fonte: Poder360


ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS