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Cantareira tem recuperação surpreendente, mas ainda é preciso evitar antigos erros

Apesar de gasto de água por habitante ter caído de 169 litros por dia para 120 litros, as perdas com vazamentos passaram de 30,6% para 31,8%, no ano passado

cantareira

Imagem:  Estadão.

O ano de 2017 começou com uma ótima notícia para o Estado de São Paulo. O sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de cerca de nove milhões de pessoas,  está cheio novamente, após um longo e tenebroso período de quantidades mínimas de água. Surpreendentemente, no fim de janeiro deste ano, o reservatório apresentava o melhor índice desde 2012.

A recuperação dos reservatórios é notável. Na última sexta-feira, 10 de fevereiro, de acordo com a Sabesp, o Cantareira operava com 62,4% de sua capacidade. Esse percentual não leva em conta o volume morto, ou reserva técnica. Contando com o volume morto, que só pode ser utilizado com bombeamento, o Cantareira está com 70,9%. No mesmo período do ano passado, esses índices eram 18,1% e  36,6 %, respectivamente.

Olhando os dados até parece que a crise hídrica está agora em um passado muito distante. Mas não é bem assim.  Apesar das chuvas, as restrições de retirada de água continuam. Há ainda moradores na Zona Norte da capital paulista enfrentando falta de água e o volume alto do reservatório hoje não garante segurança hídrica da mesma forma como o de 2013 não garantiu que a crise hídrica se estabelecesse em 2014.

O motivo da recuperação é simples: choveu mais na região. O mês de janeiro de 2017 foi o quarto janeiro mais chuvoso em 75 anos. O acumulado desde o início do mês foi de 377,5 milímetros, enquanto a média histórica para janeiro é de 262,6 milímetros. Teve água de sobra.

Precisamos falar sobre segurança hídrica

Vale lembrar que a melhora do Cantareira passou a ser registrada após um longo período de racionamento, quando a população também reduziu drasticamente o consumo de água e houve restrição para a retirada de água mesmo quando as chuvas voltaram a ter efeito no manancial, no fim de 2015. Antes da crise, a captação era de 31 mil l/s e no auge da seca caiu para 13 mil l/s. Desde novembro do ano passado, o limite é de 31 mil l/s.

No entanto, um dado curioso mostra a fragilidade no sistema e a pouca segurança hídrica. Apesar de o gasto de água por habitante ter caído de 169 litros por dia para 120 litros, as perdas com vazamentos passaram de 30,6% para 31,8%, no ano passado.

Evitar perdas é uma questão essencial para a segurança hídrica, pois elas têm impacto direto no na saúde financeira das empresas que deixa de investir. Na prática, a cada 1 mil litros de água tratada pela Sabesp, 314 litros se perdem antes de chegar aos consumidores.

No total, o Cantareira armazena até 982 bilhões de litros de água. Ele é o maior dos seis reservatório que abastecem a região metropolitana de São Paulo com cerca de 21 milhões de habitantes. Em abril de 2014, o sistema estava prestes a entrar em colapso e o governo do estado optou por  fazer obras emergenciais para a criação de um sistema de captação de água do volume morto. No auge da crise, ele quase foi zerado.

Nesse período, estava em vigor um sistema de rodízio, que limitava o acesso ao abastecimento durante parte do dia. A Sabesp também implantou um sistema de bônus em que o consumidor ganhava desconto conforme a redução de consumo.  Parte da cidade antes suprida pelo Cantareira passou a ser atendida por outros reservatórios, como o Guarapiranga e o Alto Tietê.

Menos de três anos depois, o cenário é outro, muitas lições foram aprendidas, algumas obras de melhoria e interligação dos sistemas foram feitas, mas é preciso olhar para o passado e não repetir os mesmos passos que levam para uma nova crise hídrica.

Fonte: Juntos pela Água.

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