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Brasil desperdiça quase 40% da água tratada, diz estudo

Brasil desperdiça quase 40% da água tratada, diz estudo

Mesmo diante de 33 milhões de brasileiros sem acesso à água potável, 39,53% da água tratada no país é perdida antes de chegar na torneira da população, segundo estudo do Trata Brasil e da consultoria GO Associados, com base nos dados do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico) de 2024.

O volume de água tratada desperdiçada soma 4,4 bilhões de metros cúbicos e poderia abastecer cerca de 77 milhões de pessoas anualmente.

As perdas poderiam abastecer 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis por dois anos.

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Somente 12 dos 5.569 municípios brasileiros cumprem as metas determinadas pela Portaria 788/2024, do Ministério das Cidades, de apresentar até 35% de perda de água até 2025. Das capitais, apenas quatro apresentaram valores inferiores à meta de 25%. Por determinação da portaria, os indicadores devem cair para 30% entre 2026 e 2032 e para 25% a partir de 2033, fim do prazo das metas de universalização.

Apesar de ser inviável o indicador chegar a zero, o cenário de mudanças climáticas clama por sua redução, com o aumento da escassez da disponibilidade hídrica, na avaliação do instituto. Na prática, reduzir as perdas tendem a ampliar a sustentabilidade econômica-financeira dos prestadores de saneamento, ao evitar aumento das tarifas e permitir a destinação de recursos a investimentos de expansão e melhoria da operação.

“Reduzir perdas de água é uma escolha de gestão que impacta diretamente a qualidade de vida da população e a saúde dos nossos mananciais, especialmente em um cenário em que as mudanças climáticas já pressionam a disponibilidade hídrica e tornam a eficiência no uso da água ainda mais urgente”, destacou a presidente-executiva do Trata Brasil, Luana Pretto.

Ganho econômico

Em termos financeiros, reduzir as perdas de água para 25% pode gerar ganho bruto de R$ 47,3 bilhões até 2033 e benefício líquido de R$ 23,6 bilhões em dez anos. O potencial sobe para R$ 79,8 bilhões de ganho bruto e R$ 39,9 bilhões líquidos se o índice de perdas cair para 15%. Já no cenário mais parecido com a realidade, perdas de 35% da água tratada podem resultar em ganhos de R$ 14,7 bilhões bruto e R$ 7,3 bilhões líquidos.

Conforme a pesquisa, os desempenhos mais altos de desperdício se apresentam nas regiões Norte e Nordeste, que também têm os indicadores mais baixos de atendimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Estados como Alagoas, Roraima, Pará, Maranhão, Acre e Sergipe lideram os níveis de perdas, respectivamente com 66,9%, 65,97%, 57,33%, 56,68%, 56,48% e 55,10%. Do outro lado, Centro-Oeste, Sudeste e Sul possuem os menores índices, com destaque para Goiás (27,61%), Mato Grosso do Sul (30,6%), Distrito Federal (31,55%), São Paulo (32,15%) e Paraná (33,11%).

Fonte: Agência Infra


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