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É possível que a água que eu beba já tenha sido esgoto

É possível que a água que eu beba já tenha sido esgoto?

Além do tratamento da água para consumo, as empresas saneadoras são responsáveis por coletar e tratar o esgoto produzido nas residências, comércio e indústrias das nossas cidades. Isso é feito nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE).

Um processo parecido ao das ETAs (Estações de Tratamento de Água) é realizado nas ETEs. A água passa por um sistema de tanques e filtros. Além disso, produtos químicos são adicionados ao processo. Dessa forma, as impurezas são separadas.

Na fase final, há uma etapa em que microrganismos atuam. Nesse processo, bactérias fazem a decomposição da matéria orgânica presente na água. Como resultado, elas transformam essa matéria em substâncias inorgânicas.

Contudo, o produto final não é próprio para o consumo humano. Ele apenas apresenta condições adequadas para retornar ao meio ambiente.

Via de regra, a água que é coletada para ser levada para uma ETA localiza-se na parte superior da bacia hidrográfica. Já o ponto do rio que recebe a água de esgoto tratada fica mais abaixo. Portanto, em uma cidade como Belo Horizonte, a água que é disponibilizada para consumo não é a mesma que já passou pela rede de esgoto.

É possível que a água que eu beba já tenha sido esgoto?

Porém, como todo rio acaba por desaguar em outro maior e, por fim, no mar, é possível que a água que é tratada em uma cidade para ser consumida já tenha sido descartada como esgoto por outra localidade rio acima.

Além disso, é possível sim obter uma água limpa e própria para o consumo humano a partir daquela proveniente de uma ETE. Isso ocorre em diversos países que possuem menor disponibilidade de água. Porém, no Brasil, tal prática não é comum. Pode ocorrer só em contextos de escassez hídrica.

Segundo dados do IBGE, de 2022, 62,5% da população brasileira vive em domicílios conectados à rede de esgoto. Porém, há uma desigualdade regional grande em nosso país. Na região Norte, por exemplo, esse valor é de 46,4%, enquanto no Sudeste chega a 90,7%.

A meta nacional é que, até o ano de 2033, 90% da população brasileira viva em domicílios ligados à rede de esgoto. O que eliminaria o chamado “esgoto a céu aberto”, quando a água proveniente das casas é despejada diretamente na natureza, sem receber qualquer forma de tratamento. A ausência de saneamento básico favorece a contaminação de rios e a proliferação de doenças.

Editado por: Elis Almeida

Fonte: Brasil de Fato


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