NOTÍCIAS

IA pode ajudar a encontrar mais petróleo e gás — e aumentar as emissões, alerta estudo

IA pode ajudar a encontrar mais petróleo e gás — e aumentar as emissões, alerta estudo

Análise do Grantham Research Institute mostra que ganhos de eficiência proporcionados pela inteligência artificial podem ter efeitos ambientais contrários ao esperado

A inteligência artificial pode ser usada para tornar a exploração de petróleo e gás mais eficiente. O que parece uma boa notícia, contudo, esconde um risco: isso pode acabar aumentando as emissões de gases de efeito estufa. O alerta aparece em uma análise do Grantham Research Institute on Climate Change and the Environment, da London School of Economics (LSE), que examina os impactos ambientais diretos e indiretos da expansão da inteligência artificial.

Segundo o instituto, empresas de petróleo e gás já utilizam inteligência artificial em diferentes etapas da atividade, incluindo exploração, produção, manutenção e identificação de novas reservas. A tecnologia pode ajudar, por exemplo, a processar grandes volumes de dados e melhorar a eficiência das operações.

O problema apontado pelos pesquisadores é que uma operação mais eficiente pode também se tornar mais barata e produtiva. Em vez de necessariamente reduzir o consumo de combustíveis fósseis, esse ganho de eficiência pode aumentar a atratividade econômica da exploração e produção de petróleo e gás.

O resultado é um efeito conhecido na economia ambiental como efeito rebote: uma tecnologia que reduz custos ou aumenta a eficiência de determinado recurso pode estimular seu uso, reduzindo ou até anulando parte do benefício ambiental esperado.

O Grantham Research Institute destaca justamente esse risco no caso da IA. A tecnologia pode contribuir para reduzir emissões em algumas aplicações, mas também pode melhorar a eficiência de atividades que geram emissões, criando um efeito contrário ao objetivo de descarbonização.

Da descoberta do poço à manutenção

A presença da IA na indústria de petróleo e gás não se limita a uma etapa específica. De acordo com o instituto, sistemas de inteligência artificial podem ser empregados na exploração de novas reservas, na produção, na manutenção de equipamentos e na otimização das operações.

Essa capacidade tem um valor econômico evidente para o setor, ao apoiar as empresas a encontrar reservas, reduzir custos operacionais e melhorar a produtividade pode tornar projetos mais eficientes. Contudo, do ponto de vista climático, existe uma questão relevante que é: até que ponto isso não vai incentivar a postergação do fim do uso dos combustíveis fósseis.

É justamente aí que o estudo chama atenção para um possível efeito indireto da tecnologia. Se a IA tornar a produção de petróleo e gás mais eficiente e barata, ela pode contribuir para a expansão dessas atividades, em vez de apenas reduzir seu impacto ambiental.

O ponto é particularmente relevante porque a IA também pode ser empregada para reduzir emissões. Outro estudo do próprio Grantham Research Institute, produzido em parceria com a Systemiq, estimou que aplicações de IA em energia, transporte e alimentação poderiam contribuir para reduções de 3,2 bilhões a 5,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano até 2035. No setor de energia, por exemplo, os pesquisadores apontam possibilidades relacionadas à otimização de redes elétricas e ao aumento da utilização de fontes renováveis.

Isso cria uma espécie de paradoxo: a mesma tecnologia pode ajudar a tornar uma rede elétrica mais eficiente e, ao mesmo tempo, tornar a exploração de combustíveis fósseis mais eficiente.

Ser mais eficiente não significa automaticamente emitir menos. Se a eficiência tecnológica reduz o custo de uma atividade intensiva em carbono, ela pode estimular essa atividade. No caso dos combustíveis fósseis, isso significa que uma ferramenta criada para processar dados, otimizar operações e reduzir custos pode, indiretamente, contribuir para manter ou ampliar a exploração de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, quando aplicada a setores como energia, transporte e alimentação, a mesma tecnologia pode contribuir para reduzir emissões.

É essa diferença entre eficiência tecnológica e resultado ambiental que torna o impacto climático da IA mais complexo do que simplesmente calcular a quantidade de energia consumida pelos data centers.

O impacto ambiental vai além do petróleo

O petróleo e gás é apenas um dos exemplos do impacto – negativo – da IA apresentados pelo Grantham Research Institute. A expansão da IA também aumenta a demanda por eletricidade e água para alimentar e resfriar data centers, além de pressionar a cadeia de fornecimento de minerais necessários para chips, equipamentos e infraestrutura energética.

O instituto chama atenção ainda para outros possíveis efeitos indiretos. Entre eles está o uso de IA em veículos autônomos. Dependendo de como a tecnologia for adotada, ela poderia estimular o uso de automóveis particulares em vez do transporte público.

A análise também aborda aplicações de IA em biodesign e os possíveis riscos ambientais associados à introdução de novos organismos em ecossistemas.

Por isso, o impacto climático da inteligência artificial não depende apenas de quanto os próprios modelos de IA consomem de eletricidade. Também importa para que a tecnologia está sendo utilizada, os riscos do uso e quais atividades econômicas ela torna mais eficientes.

Fonte: Um Só Planeta


ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Papel e Celulose

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS