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Projeto de R$ 10,35 bilhões prevê fábrica de celulose e usina de 372 MW em MT

Projeto de R$ 10,35 bilhões prevê fábrica de celulose e usina de 372 MW em MT

Complexo da Euca Energy volta ao radar sete anos após os primeiros anúncios e traz novo calendário para licitações, equipamentos e construção em Alto Araguaia

Um projeto bilionário que parecia ter esfriado pode, enfim, voltar ao canteiro de obras? Em Mato Grosso, todas as atenções agora se voltam para 2027. A virada apareceu em uma publicação de Leonardo Garcia Degrazia no LinkedIn.

No centro da história está a Euca Energy, que planeja investir cerca de US$ 2 bilhões, ou R$ 10,35 bilhões, em Alto Araguaia, no sul de Mato Grosso.

É um projeto de escala grande mesmo. A futura fábrica foi dimensionada para produzir 2 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto.

E não termina na linha de produção. O plano inclui uma central de biomassa de 372 MW, ramal ferroviário próprio e um terminal de cargas conectado aos trilhos.

Projeto de R$ 10,35 bilhões reaparece sete anos depois

Só que essa história não começou agora. Em 2019, o CPG já noticiava a licença prévia e investimentos próximos de R$ 10 bilhões.

Naquele momento, Alto Araguaia já aparecia como candidato a receber um novo polo industrial, capaz de mexer com logística, energia e toda a cadeia florestal.

O tempo passou. Sete anos depois, o valor permanece na mesma ordem de grandeza, mas o empreendimento retorna ao radar com decisões concentradas em 2027.

Pelo cronograma divulgado, as etapas ligadas ao licenciamento ambiental, aprovações governamentais e estrutura financeira devem avançar até janeiro de 2027.

É a partir daí que a coisa fica mais concreta. A aprovação do investimento aparece prevista para junho e as primeiras cotações de equipamentos, para agosto.

Cotações, licitações e construção entram no calendário de 2027

Outubro de 2027 surge como o mês previsto para os documentos de licitação. Dois meses depois, em dezembro, a construção poderia finalmente começar.

Se o planejamento se confirmar, a implantação estaria concluída em dezembro de 2028. É um calendário apertado para um complexo industrial desse porte.

Somente a fábrica é estimada em US$ 1,84 bilhão. Fora dela ainda estão estruturas essenciais de geração de energia, transporte e logística.

A AFRY Brasil aparece como consultora de engenharia, enquanto a Yama Engeambi é mencionada como responsável pelos trabalhos e estudos ambientais.

Já Valmet e ANDRITZ Brasil surgem como empresas de tecnologia em avaliação. Até aqui, porém, não há indicação pública de contratos definitivos assinados.

Fornecedores podem encontrar uma janela importante a partir de agosto

Agosto de 2027 merece atenção especial de construtoras e montadoras. É justamente quando o cronograma prevê o começo das cotações de equipamentos.

A partir dali, podem surgir oportunidades para fornecedores de processo, montagem eletromecânica, engenharia, construção e diferentes serviços industriais.

Tem outro número que chama atenção. A central de biomassa prevista para o complexo terá capacidade de geração de 372 MW, uma escala nada pequena.

Essa potência, aliás, não é novidade. No licenciamento de 2019, a Prefeitura de Alto Araguaia informou que 201 MW seriam consumidos pela própria fábrica.

Sob aquela configuração, outros 171 MW poderiam ser comercializados. Isso colocaria o projeto também como um ativo relevante de geração de energia regional.

Ferrovia volta ao centro da estratégia da Euca Energy

A ferrovia também acompanha o projeto há anos. Em 2022, o CPG mostrou que a Euca Energy tentava viabilizar cerca de 30 km de ferrovia.

Na época, a implantação do trecho era estimada em aproximadamente R$ 300 milhões, tendo Alto Araguaia como peça central da futura operação industrial.

Agora os trilhos aparecem outra vez. O cronograma menciona ramal ferroviário próprio e terminal de cargas, estruturas vitais para tirar a celulose da fábrica.

E a localização ajuda a explicar essa escolha. Alto Araguaia está perto de corredores rodoviários e ferroviários e ainda conta com base florestal de eucalipto.

Em 2019, a prefeitura dizia que o empreendimento demandaria cerca de 300 mil hectares comprados ou arrendados. Desses, 180 mil seriam para plantio.

Alto Araguaia acompanha o projeto desde 2019

O caminho burocrático também não começou ontem. O empreendimento já passou por audiência pública, análise de EIA-Rima e obtenção de licença prévia ambiental.

Isso não significa, contudo, que as obras estão garantidas. O calendário apresentado ainda depende de etapas importantes antes da decisão final de investimento.

Licenciamento, financiamento, engenharia e contratação precisam caminhar. Só depois disso o projeto poderá, de fato, colocar máquinas e equipes no terreno.

Mesmo assim, a retomada recoloca Alto Araguaia no radar de grandes investimentos em celulose, energia e infraestrutura logística. E isso pesa.

Se as etapas avançarem conforme o calendário divulgado, 2027 pode ser justamente o ano em que uma promessa antiga começa a ganhar forma concreta no município.

O CPG seguirá acompanhando essa movimentação, sobretudo licenças, decisão de investimento, contratos, fornecedores e abertura das primeiras cotações.

Fonte: CPG


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