Projeto Caldeira amplia reservas minerais, prevê financiamento milionário e reforça política de processamento e agregação de valor no País
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o avanço do Projeto Caldeira, em Minas Gerais, que reúne aproximadamente 802 mil toneladas de NdPr (neodímio e praseodímio) e 41 mil toneladas de DyTb (disprósio e térbio). Segundo os dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia, a incorporação do empreendimento pela Lynas Rare Earths representa um aumento de 79% nos recursos minerais da companhia e de 26% em suas reservas de minério.
A Lynas possuía cerca de A$ 1,2 bilhão em caixa e depósitos de curto prazo em 30 de junho de 2026. Pelo acordo firmado com a Meteoric Resources, a empresa também prevê uma linha de financiamento interina de até R$ 110 milhões para manter o desenvolvimento do Projeto Caldeira, cobrir despesas ligadas à transação e atender necessidades de capital de giro durante o processo.
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos prevê até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034 para estimular o beneficiamento e a transformação mineral no Brasil, com incentivos vinculados ao nível de agregação de valor realizado no território nacional. A legislação também autoriza participação da União de até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor da Atividade Mineral, mecanismo destinado a reduzir riscos no financiamento de projetos do setor.
O avanço ocorre após a Lynas Rare Earths Limited e a Meteoric Resources Limited anunciarem um acordo vinculante para a proposta de aquisição de 100% das ações da Meteoric pela Lynas. A operação envolve o Projeto Caldeira de Terras Raras, localizado no município de Caldas, no Sul de Minas Gerais, e abre caminho para uma nova etapa de processamento mineral no país.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o anúncio ocorreu 15 dias após a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A nova legislação criou instrumentos para ampliar o beneficiamento e a transformação dos minerais dentro do Brasil, em vez de concentrar a atividade apenas na extração.
Silveira afirmou que a iniciativa representa uma mudança na posição brasileira dentro da cadeia produtiva mineral.
“Esse anúncio é um grande marco e uma virada de chave na história da mineração brasileira, que dá um grande passo para avançar nas diferentes etapas das cadeias produtivas, como o processamento. Esse investimento é uma prova de que a nossa Política Nacional, sancionada pelo presidente Lula, é importante para que nossas riquezas fortaleçam a capacidade industrial e tecnológica brasileira, gerando emprego e desenvolvimento”, afirmou o ministro.
Projeto Caldeira entra em nova etapa
A transação entre as duas empresas deve levar a Lynas a assumir integralmente a Meteoric por meio de um scheme of arrangement, modalidade societária prevista na legislação australiana. O acordo coloca o Projeto Caldeira no centro da estratégia de expansão da companhia no segmento de terras raras.
O empreendimento reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China, segundo o Código JORC, padrão internacional usado para classificação e divulgação de recursos e reservas minerais. O projeto contém elementos leves e pesados e concluiu recentemente seu Estudo de Viabilidade Definitivo.
O projeto havia sido apresentado a Alexandre Silveira em 16 de setembro, antes da promulgação da nova política mineral no Palácio do Planalto. Participaram da reunião o CEO global da Meteoric Resources, Andrew Tunks, e o diretor executivo da Meteoric Brasil, Marcelo Carvalho.
A operação reúne dois ativos com características distintas. A Lynas desenvolve o depósito de Mt Weld, na Austrália Ocidental, baseado em rocha dura, enquanto o Projeto Caldeira concentra mineralização em argilas iônicas em Minas Gerais.
Minerais têm uso em veículos elétricos e energia eólica
Os elementos presentes no Projeto Caldeira ocupam espaço relevante em cadeias industriais ligadas à transição energética e à produção de equipamentos tecnológicos.
Neodímio e praseodímio, assim como disprósio e térbio, entram na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho utilizados em veículos elétricos, turbinas de geração eólica, produtos eletrônicos e outras tecnologias.
A incorporação do projeto também amplia a base mineral da Lynas. Segundo os números apresentados pelas empresas e reproduzidos pelo MME, a operação eleva em 79% os recursos minerais existentes da companhia e em 26% suas reservas de minério.
Empresas avaliam processamento no Brasil
Um dos pontos centrais do acordo envolve a possibilidade de expandir, dentro do Brasil, as etapas de processamento e separação de terras raras.
Segundo comunicado conjunto das empresas, a Lynas pretende avaliar a implantação de atividades de separação de terras raras no país, o que pode permitir maior agregação de valor antes da comercialização do produto mineral.
“A Lynas pretende avaliar o potencial para o desenvolvimento de atividades de separação de terras raras no Brasil, criando perspectivas para novas etapas de processamento e agregação de valor no País. A iniciativa poderá contribuir para o fortalecimento da cadeia brasileira de terras raras, para a formação de capacidades técnicas locais e para a ampliação da participação brasileira em etapas de maior conteúdo tecnológico da cadeia mineral. A combinação entre a experiência acumulada pela Meteoric no desenvolvimento do Projeto Caldeira e a expertise da Lynas em processamento, separação, desenvolvimento de projetos e operação de ativos de terras raras cria uma plataforma para avaliar oportunidades de longo prazo no Brasil”, diz o comunicado.
A transação também pode ampliar a transferência de conhecimento e tecnologia, a formação de profissionais e a cooperação técnica entre a indústria australiana de terras raras e o setor mineral brasileiro.
Nova política busca ampliar agregação de valor
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos estabelece diretrizes para pesquisa mineral, mapeamento geológico, lavra, beneficiamento e transformação de minerais no Brasil, com foco em industrialização e agregação de valor.
O Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos concentra uma das principais ferramentas previstas na legislação, com possibilidade de concessão de até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034. O desenho dos incentivos considera o grau de processamento realizado em território brasileiro.
A lei também autoriza a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral, com participação federal de até R$ 2 bilhões, além de instituir o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por coordenar, planejar e acompanhar a política nacional para o setor.
Com o acordo entre Lynas e Meteoric e o avanço do Projeto Caldeira, o governo federal busca ampliar a presença do Brasil nas etapas de processamento e transformação de terras raras, incorporando ao país parcelas da cadeia produtiva que concentram maior conteúdo tecnológico e valor industrial.
Fonte: Brasil 247



