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Maior parte do PIB mundial cresce sem elevar CO₂, aponta estudo internacional

Estudo mostra que número crescente de países consegue manter a expansão de suas economias ao mesmo tempo em que reduz emissões de dióxido de carbono (CO₂), movimento identificado como desacoplamento

A relação entre crescimento econômico e aumento das emissões de carbono começa a mudar. É o que aponta o estudo Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU).

De acordo com os dados narrados pela Euro News, 92% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 89% das emissões estão concentrados em países que apresentam desacoplamento relativo ou absoluto, percentual que era de 77% na década anterior ao acordo, entre 2006 e 2015. O relatório analisou dados de 113 países, que juntos representam mais de 97% do PIB mundial e 93% das emissões globais.

Por décadas, o crescimento econômico resultou no aumento das emissões de gases de efeito estufa. Essa lógica, no entanto, não é favorável para o meio-ambiente e finalmente começa a ser quebrada – à medida que um número crescente de países consegue manter a expansão de suas economias ao mesmo tempo em que reduz emissões de dióxido de carbono (CO₂), movimento identificado como desacoplamento.

Avanço

Os dados indicam um avanço significativo desde a assinatura do Acordo de Paris. Além do aumento da participação do PIB global em países desacoplados, quase metade da economia mundial passou a crescer reduzindo emissões no período mais recente, reforçando a tese de que políticas climáticas não são, necessariamente, um freio ao desenvolvimento econômico.

O diretor da ECIU, Gareth Redmond-King, também destaca que o impulso criado pelo Acordo de Paris começa a se materializar.

“Hoje, mais pessoas trabalham globalmente em setores de energia limpa do que na indústria de combustíveis fósseis, e as atividades ligadas ao net zero crescem três vezes mais rápido do que a economia como um todo”, afirmou.

A Europa aparece como a região com maior número de países classificados como desacopladores consistentes, incluindo Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Suécia, Dinamarca e Países Baixos. Para evitar a crítica de que economias avançadas estariam apenas transferindo suas emissões para outros países, o estudo utilizou dados baseados no consumo, que incorporam emissões associadas a produtos importados.

Já países como Itália, Portugal e Suíça aparecem como “em evolução”, enquanto Lituânia, Letônia e Eslovênia registraram reversões no período mais recente. As maiores reduções proporcionais de emissões foram observadas na Europa Ocidental, com destaque para Noruega, Suíça e Reino Unido.

O que é desacoplamento?

O conceito de desacoplamento se refere à capacidade de uma economia crescer sem ampliar suas emissões de carbono. O estudo diferencia três situações. No chamado desacoplamento absoluto, considerado o cenário ideal, as emissões caem enquanto o PIB cresce.

Já no desacoplamento relativo, as emissões ainda aumentam, mas em ritmo inferior ao da economia. No extremo oposto está o reacoplamento, quando as emissões sobem ao mesmo tempo em que a economia encolhe, fenômeno raro e geralmente associado a crises profundas, como a pandemia de Covid-19.

Fonte: Um só planeta


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