BIBLIOTECA

Entenda as diferenças entre biometano e gás natural e saiba o que muda para a indústria e o saneamento

Entenda as diferenças entre biometano e gás natural e saiba o que muda para a indústria e o saneamento

Quimicamente, biometano e gás natural são quase a mesma coisa: ambos têm o metano como componente principal e queimam da mesma forma em caldeiras, fornos, turbinas e veículos.

A diferença está na origem, e é ela que define o impacto ambiental, o custo e a disponibilidade de cada um.

De onde vem cada combustível

O gás natural é um combustível fóssil. Ele se formou ao longo de milhões de anos no subsolo, geralmente associado ao petróleo ou em reservatórios próprios, e chega ao mercado depois de extraído, processado e transportado por gasodutos ou na forma de GNL. Além do metano, carrega quantidades variáveis de etano, propano e outros compostos.

​>> Siga o canal do Portal Tratamento de Água no WhatsApp

O biometano nasce de resíduos orgânicos. A matéria orgânica de aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto, dejetos da pecuária e resíduos agroindustriais, como a vinhaça da cana, se decompõe sem oxigênio e gera o biogás, uma mistura de metano e gás carbônico. Esse biogás passa por um processo de purificação que remove CO₂, umidade e contaminantes como o gás sulfídrico. O produto final, com alto teor de metano, precisa atender às especificações da ANP para ser injetado na rede ou usado como combustível.

O que muda no impacto ambiental

O gás natural é considerado o mais limpo entre os fósseis. Emite menos CO₂ que o carvão e o óleo combustível e praticamente não emite material particulado. Mesmo assim, continua sendo carbono que estava armazenado no subsolo e passa a ser lançado na atmosfera. Há ainda o risco de emissões fugitivas de metano ao longo da cadeia, um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO₂ no curto prazo.

No biometano, o raciocínio é outro. O carbono liberado na queima é o mesmo que a biomassa capturou da atmosfera, o que fecha um ciclo curto. Há um ganho adicional: a matéria orgânica que seria deixada para se decompor livremente em aterros, lagoas ou esterqueiras emitiria metano de qualquer forma. Ao capturar esse gás e transformá-lo em energia, evita-se uma emissão que aconteceria de todo modo. Para quem trabalha com saneamento, esse é um dos pontos mais interessantes: o lodo e o esgoto deixam de ser apenas um passivo e passam a ser matéria-prima.

O processo ainda gera o digestato, que pode ser aproveitado como biofertilizante após o devido tratamento, e isso reforça a lógica de economia circular.

Vantagens e limitações do biometano

Entre os pontos fortes, destacam-se a redução da pegada de carbono, a possibilidade de produção descentralizada, perto de onde o resíduo é gerado, e o uso da infraestrutura que já existe. Por ter características equivalentes às do gás natural, o biometano pode ser injetado nos gasodutos e consumido pelos mesmos equipamentos, sem adaptações relevantes. Também diversifica a matriz energética e cria uma nova fonte de receita para usinas, aterros e companhias de saneamento.

Os desafios são reais. A produção depende de escala e de um fornecimento regular de resíduos. O investimento em biodigestores e em unidades de purificação é alto, e a conexão com gasodutos nem sempre é viável, já que muitos projetos ficam longe da rede. O volume disponível hoje também é pequeno diante da demanda industrial por gás.

Vantagens e limitações do gás natural

O gás natural tem a seu favor a oferta em larga escala, uma infraestrutura de transporte e distribuição consolidada e uma cadeia de fornecimento madura. É um combustível previsível em termos de especificação e eficiente em processos industriais que exigem calor constante, como cerâmica, vidro, siderurgia e alimentos.

Por outro lado, seu preço acompanha o mercado internacional e sofre com a volatilidade. Além disso, é fóssil e finito, e as indústrias enfrentam pressão crescente de clientes, investidores e da regulação para reduzir emissões. Depender apenas dele pode se tornar um risco para a estratégia de descarbonização.

Concorrentes ou complementares?

Colocar os dois lado a lado ajuda a entender as diferenças, mas na prática eles caminham juntos. O biometano é compatível com a infraestrutura do gás natural, o que permite uma transição gradual: a indústria continua operando com os mesmos equipamentos enquanto aumenta a parcela de combustível renovável no seu consumo.

No Brasil, esse movimento ganhou força com a Lei do Combustível do Futuro, que prevê metas de descarbonização para produtores e importadores de gás natural e abre espaço para o biometano como forma de cumpri-las. Vale conferir a regulamentação vigente para confirmar prazos e percentuais, porque os detalhes ainda estão sendo definidos.

Como decidir

Para uma empresa que consome gás hoje, a pergunta mais útil costuma ser como incluir o biometano na matriz, e não qual dos dois escolher. A resposta depende da localização, do volume consumido, da proximidade de produtores e das metas de emissões. Para operadores de saneamento e geradores de resíduos orgânicos, a questão é outra: avaliar se o biogás já produzido nas estações e aterros pode ser purificado e vendido, transformando um custo de tratamento em receita.

Os dois combustíveis vão coexistir por bastante tempo. O que tende a mudar é a proporção, à medida que a oferta de biometano cresce e as exigências ambientais ficam mais rigorosas.

Fonte: elaborado por Portal Tratamento de Água com auxílio de IA.


ÚLTIMOS ARTIGOS: