Tecnologia transforma sobras de óleos de girassol e amendoim em filtros capazes de remover até 99,89% dos metais pesados da água
A produção de muitos dos produtos que consumimos também gera resíduos que podem prejudicar o meio ambiente. Mas, em vez de descartá-los, cientistas e empresas têm buscado maneiras de reaproveitar esses materiais para criar soluções úteis. Um exemplo vem de pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, e da ETH Zurich, na Suíça, que desenvolveram uma membrana filtrante a partir de resíduos da produção de óleo vegetal para retirar metais pesados da água.
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A pesquisa responde a um problema que afeta diferentes regiões do mundo. “A poluição da água continua sendo um grande problema global em muitas partes do mundo”, disse Ali Miserez, autor do estudo e professor da Universidade Tecnológica de Nanyang. “Metais pesados representam um grande grupo de poluentes da água que podem se acumular no corpo humano, causando câncer e doenças mutagênicas. As tecnologias atuais para removê-los consomem muita energia, necessitando de eletricidade para funcionar, ou são altamente seletivas no que filtram.”
Para desenvolver o filtro, os cientistas observaram que as proteínas presentes nas farinhas de oleaginosas, resíduos que sobram da produção de óleo de girassol e amendoim, têm grande afinidade com os metais pesados. Eles transformaram essas proteínas em estruturas microscópicas chamadas fibrilas amiloides, capazes de capturar partículas, e as combinaram com carvão ativado, material usado em diversos sistemas de filtragem. A mistura foi testada com três metais: platina, chumbo e cromo.
Os resultados mostraram que as membranas conseguiram remover 99,89% dos metais pesados presentes na água, com maior eficiência na filtragem de chumbo e platina. Segundo Miserez, o filtro também pode ser usado para retirar outros contaminantes. “Ele tem a capacidade de filtrar qualquer tipo de metal pesado, bem como poluentes orgânicos como PFAS (substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas), que são produtos químicos utilizados em uma ampla gama de produtos de consumo e industriais”, disse o professor.
O funcionamento do material depende da capacidade das proteínas de capturar os contaminantes sem impedir o fluxo da água. “As fibrilas amiloides contêm ligações de aminoácidos que aprisionam e encapsulam partículas de metais pesados entre si, permitindo a passagem da água.” Além da eficiência, a tecnologia tem baixo custo, já que utiliza um material residual que já é produzido pela indústria. O filtro também pode ser fabricado em diferentes tamanhos, o que permite adaptar sua produção a diversas necessidades e ampliar seu uso.
Fonte: Ciclo Vivo



