Presidente do BNDES defende Estado e banco público na exploração
O Brasil ainda não explorou boa parte de sua capacidade. Lantânio, neodímio, disprózio. Você já ouviu falar desses minérios? Esses são alguns dos 17 elementos químicos de difícil extração na natureza.

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Esses minerais são considerados raros e são alvo de disputa entre as duas maiores potências atuais, a China e os Estados Unidos. Segundo especialistas, a China processa mais de 90% das terras raras no mundo, controlando a oferta desses minerais. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, detalha como iniciou o assunto.
“A China, há 30 anos atrás, ela planejou isso. Ela dominou essa tecnologia, ela investiu em torno de US$ 1 trilhão nesse período e ela controla 95% desse mercado. E ela fez toda a cadeia produtiva até o superímã. Então, o Ocidente é crítico para o Ocidente e é estratégico entrar em terras raras, porque a China tem um monopólio. E o país que é a melhor fronteira para entrar nesse segmento é o Brasil. Só que o Brasil só tem um terço do território pesquisado do ponto de vista mineral.”
E por que essas terras raras são tão essenciais hoje em dia? O seu maior uso é na produção dos chamados super-ímãs, fundamentais na aplicação de alta tecnologia para a transição energética, principalmente para geradores de energia eólica e nos componentes dos carros elétricos. A estimativa é de que o nosso país tenha a segunda maior reserva de terras raras globais, mas com apenas uma mina ativa em Goiás.
E o nosso país também pode se beneficiar desta exploração mineral. Aloizio Mercadante explica como fazer.
“Para fazer isso, precisa de Estado, precisa do banco público, precisa de uma empresa estatal como a Petrobras, e a Vale também foi uma empresa estatal durante toda a sua história. Nós precisamos construir essas alianças para o Brasil entrar com força e ofertar o mundo sem nenhuma subordinação. Nós não temos que nos subordinar aos interesses americanos, nem da União Europeia, que tem muito interesse nessa agenda. Nós não podemos fazer dos minerais críticos o que foi o minério de ferro ou o que foi a nossa história de exportar commodities.”
Fonte: Radio Agência

