Biblioteca

Caracterização de manifestações patológicas em estações elevatórias e de tratamento de esgotos

Publicado em 21/04/2021 às 08:25:26

Resumo

O sistema de esgotamento sanitário e seus componentes são essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura e saneamento e da qualidade de vida da população. As estruturas integradas ao funcionamento desse sistema possuem características próprias inerentes ao meio em que estão inseridas, sendo ambientalmente agressivos. A facilidade no desenvolvimento de patologias, aliada à falta de manutenção provocam diversos danos aos processos operacionais e relacionados ao tratamento de efluentes. Se previstos em projeto e tratados de forma preventiva, os gastos e energia dispendidos com estes problemas podem ser reduzidos do que se foram tratados de forma remediada. Utilizando classificação visual com a análise de registros fotográficos, objetivou-se identificar e classificar as patologias recorrentes em estações elevatórias (EE’s) e de tratamento de esgotos (ETE’s), levando em consideração sua origem (construtiva, funcional, acidental ou natural), intensidade (estética, funcional ou estrutural) e frequência. Constatou-se que a maior parte das patologias foram adquiridas, devido à classe de agressividade do ambiente, apresentando percentuais de 78,48% e 47,83%, trazendo danos estruturais das construções na faixa de 43,90% e 83,33% em ETE’s e EE’s respectivamente. Por meio de fator característico para classificação de relevância, pode-se concluir que as ETE’s são mais suscetíveis à danos de maior gravidade, atingindo com maior intensidade o sistema, em comparação às EE’s.

Introdução

Um dos serviços de infraestrutura que impactam diretamente no bem-estar do indivíduo é o saneamento básico. Sua ausência ou precariedade causa problemas econômicos, ambientais, sociais e de saúde. O setor relacionado a este assunto, no Brasil, tem recebido maior atenção governamental e há uma quantidade significativa de recursos a serem investidos. Um dos resultados desses investimentos é a Região Metropolitana do Recife, que possui a maior Parceria Público-Privada (PPP) destinada a novas implantações, manutenção e operação do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES). As estruturas que compõe esse sistema estão expostas a ambientes e agentes agressivos, com classe de agressividade elevada, tornando-as vulneráveis ao surgimento de patologias e redução do tempo de vida útil pela qual é projetada, representando uma ameaça aos investidores e profissionais da área (IDALGO, 2016).

Uma das razões para o estudo das patologias das estruturas é devido à necessidade de divulgação das manifestações patológicas mais incidentes, para fundamentar programas de manutenção e prevenção das mesmas, a fim de que quanto antes detectadas menores serão os custos para a recuperação dos elementos danificados (BASTOS et al., 2017). Os fenômenos patológicos apresentam manifestações de características e ocorrências bem definidas, fazendo com que seja possível realizar diagnósticos preliminares eficientes apenas por inspeção visual, entretanto, em outros casos é necessário verificar o projeto, investigar a estrutura e até a realização de ensaios, nos casos mais complexos (ARIVABENE, 2015).

Embora existam muitos estudos na área alertando sobre as manutenções preventivas e ao desenvolvimento correto dos projetos, ainda existem limitações para execução e implantação dos mesmos, visto que as estruturas apresentam desempenho insatisfatório devido às falhas involuntárias, imperícias, má utilização de materiais, envelhecimento natural sem manutenções periódicas e preventivas, não atendimento das recomendações das normas, interação com o meio ambiente, erros de projetos e dimensionamentos que contribuem para a degradação da estrutura (LORDSLEEM JUNIOR et al., 2017).

Além das citadas anteriormente, diversas manifestações podem surgir devido a existência de falhas de origens distintas, dentre as quais podem ser em qualquer uma das seguintes etapas: planejamento, concepção do projeto, execução, utilização e ausência de manutenção (SANTOS et al., 2017).

Visando contribuir para o histórico das patologias, a classificação das manifestações encontradas quanto a: sua natureza, nível de impacto, redução de durabilidade e eventual dano, fornece um melhor entendimento objetivando ressaltar a importância do tema estudado.

Nesse contexto, destaca-se a durabilidade das estruturas, que está intimamente relacionada com a vida útil que é desejada. Apesar disto, existem dois fatores relevantes que interferem nesta questão: as propriedades do concreto como material heterogêneo em proporção adequada de cimento, agregados, água e adições e/ou aditivos, e a interação com o meio ambiente e suas condições de contorno, por vezes consideradas condições adversas de agressividade ambiental.

O concreto numa estação de tratamento de esgoto (ETE) ou estação elevatória de esgoto (EEE) está sujeito a ação do esgoto doméstico, sendo um ambiente de agressividade muito forte, classe IV (NBR:6118 – ABNT, 2014). Sendo assim, o responsável pela sua deterioração é o gás sulfídrico (H2S) e o anidrido carbônico (CO2) que favorece a formação do ácido sulfúrico biogênico (H2SO4) devido ao microclima no interior da estrutura de concreto. No que se diz a respeito dos elementos estruturais (pilares, vigas e lajes), observa-se o elevado índice de degradação, principalmente à ação da corrosão de armaduras e fissuras provocadas pelas movimentações de origem estrutural (KUDLANVEC JUNIOR et al., 2018).

Além disso, os ambientes de clima característicos tropicais são bastante suscetíveis ao desenvolvimento de diversas patologias que prejudicam o funcionamento corretos desses elementos, gerando maiores custos e reduções nos intervalos de intervenções físicas, prejudicando modelos sustentáveis de operação desse tipo de SES (SILVEIRA et al., 2019).

Diante do exposto o presente trabalho tem como objetivo principal caracterizar as manifestações patológicas mais frequentes encontradas em algumas estruturas que compõe o sistema de esgotamento sanitário de alguns municípios pertencentes a Região Metropolitana do Recife.

Autores: Diogo Botelho Correa de Oliveira; Paula Olivia de Belo; Willames de Albuquerque Soares e Eliana Cristina Barreto Monteiro.

leia-integra


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *