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Empresas e a seca. Soluções de economia

O solo rachado revela o quinto ano consecutivo da seca mais severa da história do Ceará. A chuva não molha mais o Estado com intensidade e não se sabe como serão as precipitações para 2017. A economia de água se torna realidade nas residências da Capital, o que já é cotidiano no Sertão Central. Há escassez do recurso nas 153 bacias hidrográficas do Estado, com 7,43% de volume. Os fatos afetam o setor privado, que busca nas tecnologias de economia e reúso de água soluções para enfrentar o período de seca, em que a prioridade vai para o consumo humano.

Francisco Teixeira, secretário dos Recursos Hídricos do Estado, diz que na indústria há racionamento e a diminuição da atividade econômica já fez com que o consumo de água nas empresas caísse. Cada gota conta e os avanços para economizar o recurso nas indústrias se dá no reúso, na captação de água da chuva e no uso de tecnologias que reduzam uso da água na agricultura.

Indústria

Quando um dos principais insumos de uma indústria é a água, instalar-se no Ceará significa economizar o recurso. Marcelo Mansur, gerente geral da Cervejaria Aquiraz, frisa que nos últimos 13 anos a empresa reduziu em 40% o índice de consumo de água no processo produtivo. Somente de 2012 a 2015 (período em que a seca dura) a redução chegou a 24%.

Da água que sai de suas tubulações e vira esgoto, o aproveitamento é de 100%. Há uma estação de tratamento de efluentes industriais na fábrica com capacidade para volume equivalente ao tratamento de esgoto de um município por mais de oito meses. Beneficiado com o reúso é a Cerâmica Tavares. Isso porque 60% dos efluentes da Ambev vão para a empresa. A parceria fez a olaria deixar de captar água limpa do rio Pacoti.

A cearense M. Dias Branco vai além. Toda água da Fábrica Fortaleza, no Eusébio, é própria, sendo captada da chuva e armazenada na lagoa que possuem no terreno. Cícera Oliveira, analista de meio ambiente da Fábrica, diz que possuem saldo suficiente para utilizar o recurso na produção dos biscoitos e consumo humano, mesmo que não esteja mais chovendo.

Investem ainda no uso do efluente tratado que é utilizado na irrigação da fábrica desde 2014.

José Sampaio Filho, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Ceará (Simec-CE), diz que o setor investe não só em reúso, mas em instalar torneiras e descargas de baixo consumo. A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), por exemplo, alega que utiliza 20% do volume outorgado pela Cogerh em seu processo produtivo e opera com uma taxa de recirculação de 98% do total consumido na usina. Para isso, tem cinco estações de tratamento de efluente industrial, uma de água e uma de efluente sanitário.

Shopping

O Shopping Iguatemi trabalha com duas estações próprias de tratamento de efluentes. Paulo Bandeira, engenheiro eletricista e gerente de manutenção do Shopping. diz que a água que a Cagece fornece custa para ele R$ 11,80 o m³, enquanto a que o empreendimento trata para irrigação custa R$ 1,10 o m³. “Com as duas estações a economia é de 80% de água.

O Grupo JCPM, investe na captação de chuva e reúso na descarga de sanitários/mictórios. O RioMar Fortaleza (2014) e o RioMar Kennedy (2016) reutilizam a água que se forma no processo de condensação (ar condicionado) pela retirada da umidade interna do Shopping e refrigeração dos ambientes de Mall. São reutilizados cerca de 49,69 milhões de litros/ano.

Turismo e agronegócio

Há oito anos o Beach Park possui uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e reutiliza água na irrigação de plantas e lavagem de carros e ônibus. Com uma população equivalente a 20 mil habitantes, o complexo com parque aquático e resorts Acqua e Wellness, trata 500 m³ por dia de esgoto. “Estamos com um projeto para 2017 para não desperdiçar água das piscinas”, diz Francisco Paiva, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Sanebras, que instalou a ETE no complexo.

Beto Bessa Júnior, presidente do Conselho de Agronegócio da Fiec, diz que na fruticultura se desenvolveu a irrigação por gotejamento. Já o produtor de leite investe em palma de forragem, que precisa apenas de 10% da água que o capim consome. Na pscicultura, a tecnologia passa por reúso da água dos tanques e criação de alta densidade de peixes.

(Beatriz Cavalcante)

Fonte: O Povo