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Isolamento da área da wetland da ETA Gavião como proposta para para a melhoria da qualidade do tratamento dos efluentes de lavagens de filtros e mitigação dos impactos ambientais do tratamento de água

Publicado em 23/12/2020 às 07:20:44

Resumo

À medida que aumentam as populações nos grandes centros urbanos, cresce também a deterioração da qualidade das águas dos mananciais e as pressões dos requisitos legais, cada vez mais restritivos quanto à qualidade da água para consumo humano, fazendo aumentar a demanda por recursos hídricos e por tecnologias mais eficientes e sustentáveis nas Estações de Tratamento de Água – ETAs e com geração mínima de rejeitos no processo de tratamento da água. Os rejeitos de ETAs, decorrentes da necessidade de limpeza das unidades de tratamento, a exemplo do lodo de decantadores e da água de lavagem de filtros (ALF), representam elevadas perdas de água, juntamente aos vazamentos nas unidades e/ou tubulações. Na ETA Gavião, localizada no Município de Pacatuba-CE, pertencente à empresa de economia mista CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), os rejeitos de lavagem de filtros retornam em sua maioria para o processo de tratamento após passar por decantação. O restante das ALFs e o lodo do decantador seguem para tratamento natural em uma área denominada wetland, terras úmidas, para tratamento natural prévio antes de chegar ao corpo receptor. As wetlands naturais são áreas inundáveis que apresentam características propícias ao crescimento de macrófitas aquáticas e desempenham o importante papel na natureza de remoção de nutrientes da água, contribuindo para preservação da qualidade ambiental. Embora não recomendado, por se tratar de área natural, a wetland é atualmente, a única alternativa de tratamento para os efluentes da ETA Gavião. Contudo, essa área encontra-se reduzida em vegetação natural e ameaçada por ocupações irregulares para fins de agricultura. O presente trabalho propõe a proteção da wetland através do cercamento da área de modo a barrar a degradação das condições naturais por invasores, possibilitando a regeneração da vegetação e das condições naturais, importantes para eficiência do processo de tratamento dos rejeitos da ETA, mitigar os efeitos da ausência de um projeto de engenharia para o tratamento desses efluentes, colaborando para a eficiência do tratamento e se antepondo na recuperação da área utilizada por muitos anos como receptora das ALF da ETA Gavião.

Introdução

A água é elemento indispensável à sobrevivência na Terra; sua falta inviabiliza a vida no planeta. À medida que aumentam as populações nos grandes centros urbanos cresce também a deterioração da qualidade das águas dos mananciais e as pressões dos requisitos legais, cada vez mais restritivos quanto à qualidade da água para consumo humano.

Tais condições impõem às Estações de Tratamento de Água – ETAs o aumento do volume captado nos mananciais e a elevação do grau de tratamento, ampliando também os custos e o consumo de recursos naturais; ao passo que o planejamento futuro das grandes cidades demanda por tecnologias mais eficientes, mais sustentáveis e com geração mínima de rejeitos.

Os principais resíduos gerados nas ETAs são decorrentes da necessidade de limpeza das unidades de tratamento que, dependendo da tecnologia adotada são principalmente, o lodo de decantadores e a água de lavagem de filtros (ALF). Esses rejeitos representam as principais perdas de água nas ETAs, junto aos vazamentos nas unidades e/ou tubulações.

No Brasil, a Lei 9.433/97 – Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) estabelece que o lançamento de resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final em corpos d’água, além de outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água, está sujeita à outorga do Poder Público (BRASIL, 1997). Porém, os rejeitos de ETAs são comumente lançados nos corpos hídricos, sem tratamento prévio.

A ETA Gavião, localizada no município de Pacatuba-CE, pertence a empresa de economia mista CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará). Foi construída em 1981, às margens do Açude Gavião, para abastecer Fortaleza e parte de sua região metropolitana; com uma vazão média atual de sete metros cúbicos por segundo, atende a uma população de, aproximadamente, 3.200.000 pessoas.

Os rejeitos de lavagem de filtros na ETA Gavião retornam, em sua maioria, para o processo de tratamento após passar por decantação. O restante das ALF e o lodo do decantador seguem para uma área denominada wetland para tratamento natural prévio antes de chegar ao corpo receptor. Contudo, a wetland a jusante da ETA Gavião encontra-se degradada por ocupações irregulares para agricultura, o que pode colaborar para a ineficiência no tratamento dos seus efluentes, além de comprometer o equilíbrio ambiental da área e ameaçar a segurança operacional e patrimonial da estação.

A ETA Gavião é muito importante para a região, sendo responsável por grande parte do abastecimento do município de Fortaleza e parte de sua região metropolitana. O projeto inicial da estação não contemplou o tratamento de seus rejeitos.

As wetlands naturais são áreas inundáveis que apresentam características propícias ao crescimento de macrófitas aquáticas e desempenham o importante papel na natureza de remoção de nutrientes da água, contribuindo para preservação da qualidade ambiental. Embora não recomendado por se tratar de área natural, a wetland é, atualmente, a única alternativa de tratamento, mesmo que simplificado, para os efluentes da ETA Gavião.

Porém, está comprometido o equilíbrio ambiental da área por ocupações irregulares de agricultores que retiram e substituem a vegetação típica, realizam queimadas, expõem o solo, e interferem nas condições necessárias para mitigar também os efeitos da ausência de um projeto robusto de engenharia para o tratamento dos efluentes da estação e, até mesmo, ameaçar a segurança operacional e patrimonial da estação.

Diante disso, o presente trabalho propõe, por meio de projeto de intervenção, restrição de acesso à área da wetland da ETA Gavião, de modo a barrar a degradação das condições naturais por invasores, possibilitando a regeneração natural da vegetação, importante para eficiência do processo de tratamento das águas de lavagem dos filtros da ETA e mitigar os efeitos da ausência de um projeto de engenharia para o tratamento desses efluentes, além de aumentar a segurança operacional e patrimonial da estação.

Após a realização de visitas ao local foi possível visualizar a retirada da vegetação típica da wetland a jusante da ETA Gavião e a presença de resíduos sólidos, ocasionados por ocupações irregulares para fins de agricultura. Foram realizadas, ainda, entrevistas com funcionários antigos da estação sobre dados e informações da área, além de revisão bibliográfica para subsidiar teoricamente o trabalho.

Autora: MARIA VERÔNICA LOPES ROCHA.


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