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Tratamento de efluentes e produção de água de reúso para fins agrícolas

Resumo

A agricultura é o setor que mais consome água no planeta, cerca de 70% da água potável, o que aponta para a necessidade de buscar meios eficazes para a diminuição desse uso. O efluente mais adequado para a aplicação na agricultura é o esgoto doméstico, devido à sua composição e aos seus valores nutricionais. Desse modo, o referido trabalho tem como objetivo avaliar o tratamento de efluentes e a produção de água de reúso para fins agrícolas no campus do IFRN de São Paulo do Potengi/RN, Brasil. Para avaliação da qualidade do tratamento de esgotos, foram realizadas coletas dos esgotos bruto e tratado em uma das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) do referido campus, entre os meses de julho e dezembro de 2018. Para isso, foram analisadas as propriedades físico-químicas e microbiológicas do efluente por meio de parâmetros, como: pH, temperatura, condutividade elétrica, alcalinidade total, sólidos suspensos totais, DQO, nitrogênio amoniacal, nitrogênio orgânico, NTK, sódio, cálcio, magnésio e coliformes termotolerantes, todos segundo APHA et al. (2017). Espécimes de milho (Zea mays) foram irrigadas com efluente tratado em diferentes dosagens na horta do laboratório do campus e obteve-se resultados favoráveis para a utilização do efluente na irrigação dessa cultura.

Introdução

A disponibilidade e a qualidade dos recursos hídricos têm se agravado nas últimas décadas, sobretudo em regiões semiáridas do Nordeste brasileiro. O aumento populacional nas áreas urbanas reflete diretamente nas pressões sobre os mananciais, já que se tem acréscimo na demanda de água para abastecimento e aumento da produção de efluentes, que, em sua grande maioria, chegam aos mananciais com elevadas concentrações de nutrientes que contribuem com o processo de eutrofização.

Nesse sentido, o reúso de águas pode trazer benefícios econômicos, sociais e ambientais para as comunidades em que se insere, sendo uma alternativa mais sustentável para a disposição dos efluentes tratados. Sendo assim, o esgoto doméstico é uma alternativa de uso potencial na agricultura, pois águas de melhores qualidades podem ser utilizadas para fins mais nobres, como, por exemplo, para o consumo humano e/ou para a dessedentação de animais, como preconiza a Política Nacional de Recursos Hídricos, por meio da Lei nº 9.433 de 1997.

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, por razões diversas, como seu clima variado, suas dimensões continentais, seu solo fértil e sua grande disponibilidade hídrica (12,3% da água doce mundial). Apesar disso, existe, nesse território, uma variação espacial e temporal, em que a Região Nordeste, mais especificamente a região do semiárido nordestino, apresenta a porcentagem de 3,3% dos recursos hídricos do país, menor percentual entre as 5 regiões (ANA, 2019).

Em função disso, o semiárido brasileiro é acometido por uma crise hídrica (FELIPE; CARVALHO; ROCHA, 2004), proveniente da irregular distribuição dos recursos hídricos em função das condições edafoclimáticas locais e da ineficiente gestão desses recursos, que implicam em sua racionalização, priorizando o consumo humano. Assim, no entrave ao desenvolvimento das atividades antrópicas na região em questão, torna-se necessário buscar mecanismos de enfrentamento das referidas adversidades naturais.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2008), cerca de 19% da população brasileira vive na zona rural, o que equivale a mais de 31 milhões de pessoas, e a maior parte dessas localidades lança seus efluentes in natura nos corpos hídricos ou no solo, comprometendo a qualidade da água utilizada para abastecimento, para irrigação e para recreação (TONETTI et al., 2010).

Além disso, aproximadamente 70% do uso mundial de água, incluindo o desvio dos rios e o bombeio do subsolo, é utilizado para irrigação agrícola. A reutilização das águas residuárias tratadas para esse fim reduz a quantidade que seria extraída das fontes naturais e reduz a descarga desses efluentes diretamente nos mananciais superficiais. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 2019), a agricultura brasileira cresceu, entre os anos de 1975 e 2018, em média, 3,36% ao ano. Essa taxa é superior a de países como Argentina, Austrália e China. Rocha, Silva e Barros (2010) comentam que o reúso dos efluentes domésticos poderia, então, ser uma alternativa para as demandas de água e de nutrientes na agricultura.

Nesse sentido, o presente trabalho objetivou avaliar o tratamento e o reúso agrícola de águas residuárias produzidas no campus do IFRN de São Paulo do Potengi.

Autores: D. M. TORRES*, S. S. NASCIMENTO, J. F. SOUZA, J.O. FREIRE.

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