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Avaliação da toxicidade de água residuária de bovinocultura (ARB) utilizando germinação de sementes de milho (Zea mays L.)

Resumo

Atualmente, nos países em desenvolvimento, houve aumento da geração de resíduos, com consequência direta no ambiente e na saúde. Vários países produzem alimentos com o reuso de água residuária. Essa prática é um fator importante para a gestão dos recursos hídricos, uma vez que: fomenta a ciclagem dos nutrientes e matéria orgânica dos dejetos animais; minimiza a poluição ambiental; preserva as características físicas, químicas e biológicas do solo; além de ser uma alternativa econômica para propriedades rurais. De maneira geral, significa um aporte considerável de nutrientes que causa um incremento na produtividade. Este trabalho teve por objetivo avaliar a toxicidade de água residuária de bovinocultura (ARB) utilizando germinação de sementes de milho. O experimento utilizou sementes de milho (Zea mays L.), variedade Sol da Manhã, para os ensaios toxicológicos, tendo-se avaliado os parâmetros comprimento de raiz primária (CRP), comprimento de parte aérea (CPA), volume de raiz (VR), área superficial de raiz (ASR) e diâmetro médio de raiz (DMR), com o objetivo de verificar a toxicidade de distintas concentrações de água residuária de bovinocultura na germinação da cultura do milho. Nenhum parâmetro morfológico analisado no 4.º dia de incubação foi considerado significativo, para um nível de 5% de probabilidade de erro. Os parâmetros CRP, VR e DMR foram considerados significativos e puderam ser ajustados a ajustados modelos de regressão linear para a determinação do CE50. A toxicidade, expressa em CE50 foi de 51%, 50% e 49%, para os parâmetros CRP, VR e DMR, respectivamente.

Introdução

No Brasil, dentre outros países em desenvolvimento, a globalização aumentou a geração de resíduos com características sintéticas, cuja deposição sobre o solo, implica em impacto ambiental negativo e elevados riscos à saúde pública. Poucas são as áreas povoadas que não sofram com a poluição dos recursos hídricos, a contaminação por material biológico ou químico, tornando-se um problema mundial. O aproveitamento agrícola de água residuária constitui uma importante contribuição para a minimização da contaminação ambiental devido à redução de seu lançamento em mananciais e/ou solos, além de ser uma alternativa econômica para a propriedade rural. No entanto, a aplicação de água residuária na agricultura, ainda é feita com pouco embasamento experimental, e pode ocasionar contaminação de águas subterrâneas e desequilíbrios na relação solo-planta.

A realização de ensaios toxicológicos é de extrema importância para a aplicação de efluentes no solo. A toxicidade do efluente a um determinado organismo vivo, é determinada pelos bioensaios, observando o seu desenvolvimento quando colocado em diferentes concentrações da amostra.

Segundo Sant’anna Junior (2010), os testes de toxicidade vêm adquirindo crescente importância para o controle da qualidade de efluentes. A toxicidade é determinada em bioensaios, observando-se a resposta de uma dada população de organismos, quando exposta a diferentes níveis de exposição, sendo possível a utilização de seres de diferentes níveis tróficos, como bactérias, algas, microcrustáceos, vegetais e peixes.

A toxicidade aguda pode ser determinada pelos ensaios de CL50 (concentração que causa efeito letal em 50% dos organismos) ou de CE50 (concentração derivada estatisticamente que causa 50% de efeito sobre os organismos), tendo-se utilizado este último no presente trabalho.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a toxicidade de distintas concentrações de água residuária de bovinocultura na germinação da cultura do milho (Zea mays L.).

Autores: Rhégia Brandão da Silva; Camila Pinho de Sousa; Everaldo Zonta; Alexandre Lioi Nascentes e Leonardo Duarte Batista da Silva.

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