BIBLIOTECA

Remoção de dureza com a tecnologia de abrandamento eletrolítico na localidade de Serra dos Vieiras, no município de Russas/CE

Resumo

A quadra chuvosa no semiárido nordestino é demasiadamente inconstante em razão das suas características climáticas predominantes, o que acaba gerando baixos volumes em mananciais superficiais. Com isso, a utilização de poços profundos para abastecimento humano tem se tornado recorrente, por ser uma solução relativamente simples e barata. No entanto, apesar desta experiência atenuar a questão da quantidade de água, a mesma traz consigo a problemática da qualidade das águas subterrâneas, em que estas vêm apresentando elevados teores de dureza na sua formação, gerando a grande problemática que tem sido a escolha pela tecnologia adequada para remoção desta propriedade da água. Diante disso, o referido trabalho tem a finalidade apresentar a eficiência na redução de dureza total com a utilização da tecnologia Troca Iônica, nas águas fornecidas a localidade rural Serra dos Vieiras, no município de Russas – CE, que vem padecendo perante as consequências oriundas da presença de dureza em suas águas locais. Os dados utilizados neste estudo foram coletados no sistema de abastecimento da localidade, que tem sua gestão de forma compartilhada pela associação e o Sistema Integrado de Saneamento Rural – SISAR.

Introdução

São inúmeros os obstáculos que levam o Brasil ao déficit no índice de cobertura de saneamento básico, pois mesmo após a aprovação da Lei do Saneamento 11.445/07, caminhamos lentamente rumo a universalização do acesso aos serviços que possibilitam a dignidade de vida humana, bem como objetivo de Desenvolvimento Sustentável. Dentre este conjunto de serviços, está o abastecimento de água potável para seus diversos usos, no qual segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE em 2018 e divulgado, na Agência de Notícias do IBGE, as regiões Norte e Nordeste do país apresentam os menores percentuais, 59,2% e 80,3% respectivamente, de residências com rede geral de acesso à água tratada diariamente.

Neste cenário, a utilização de poços profundos como fonte de abastecimento vem ganhando grande visibilidade nos últimos anos, principalmente no acesso à água em comunidades rurais, do interior do Estado do Ceará, por exemplo, em que a quadra chuvosa é estável ocasionando baixo aporte nos rios e açudes, comprometendo a demanda de distribuição. Porém, as águas advindas do subsolo requerem aplicação de novas tecnologias afim de promoverem melhorias em sua qualidade, já que estas águas são geralmente caracterizadas pelas elevadas concentrações de dureza de cálcio e magnésio, ferro, cloreto.

Tendo origem natural pela dissolução de rochas calcárias, ricas em cálcio e magnésio, a dureza expressa em mg/L de carbonato de cálcio (CaCO3), indica a concentração de cátions multivalentes em solução na água, sobretudo de cálcio (Ca-2) e magnésio (Mg-2) e em menor magnitude alumínio (Al+3), ferro (Fe+2), manganês (Mn-2) e estrôncio (Sr+3), e se manifesta pela resistência à reação de saponificação (LIBÂNIO, 2010). As abundantes concentrações de dureza nas águas acarretam problemas tais como: incrustações nas tubulações, chuveiros, torneiras e hidrômetros de água quente e uso de grandes quantidades de sabões e xampus, por causar a redução na formação de espuma, comprometendo a utilização do recurso natural nos usos domésticos diários da população. Ainda não há existência de estudos científicos ratificando o surgimento de doenças que comprometem a saúde humana ligadas as águas duras.

Segundo a Portaria de Consolidação N° 5, de 28 de setembro de 2017 – Anexo XX, que aborda sobre o controle e da vigilância da qualidade de água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, dispõe que o valor máximo permitido de dureza total em águas para abastecimento humano seja de 500 mg/L. Deste modo, suceder estudos para remoção de dureza total nas águas subterrâneas se faz necessário, visto que esta se encontra em quantidades significativas nas regiões semiáridas brasileiras.

Assim, para garantir a qualidade das águas subterrâneas fornecidas em comunidades rurais, o presente trabalho foi realizado através de análises e tem por objetivo avaliar a eficácia da tecnologia Troca Iônica como tratamento na redução do elevado teor de dureza total presentes nas águas do sertão nordestino, visando a replicação desta técnica em futuros projetos de sistemas abastecimento de água.

Autores: Larine Vitória Vale de Brito; Fernando Victor Galdino Ponte; Otaciana Ribeiro Alves; Erlândio Diógenes Mourão e Cícero Santiago Barros.