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Redução de perdas aparentes e incremento dos volumes medidos e faturados, como resultado da análise de tecnologias de medição aplicadas aos grandes consumidores

Resumo

Como medidas estratégicas para o enfrentamento da crise hídrica, ocorrida no período de 2014 a 2015, foram priorizadas pelo corpo técnico da companhia, ações que resultassem melhor apuração do volume micromedido, reduzindo perdas por submedição e combatendo o desperdício de água. Entre as ações elencadas pelo grupo, destacou-se a importância da modernização do parque de medidores de grandes consumidores, pois essa categoria de consumo, considerando os volumes medidos maiores ou igual a 100 m3, representam 0,70% do total de ligações, 20% de volume medido e 30% do valor faturado, portanto exigindo esforços menores para o alcance de incremento do volume e valor faturado, além de importante contribuição para um melhor equilíbrio do sistema de abastecimento. Diante da criticidade da situação, era necessária a ousadia, com utilização de novas tecnologias, desde que previamente testadas e com resultados positivos. A pesquisa de mercado apontou os medidores ultrassônicos ou eletromagnéticos, também conhecidos como medidores estáticos, como sendo uma solução inovadora para melhor desempenho dos volumes medidos e excelente custo benefício, tendo a vista o tempo de vida útil desses equipamentos. Como projeto piloto, anterior ao período da crise hídrica, já havia sido instalado no município em estudo, pequena quantidade de medidores ultrassônicos, apresentando resultados satisfatórios. Tendo como referência o projeto piloto, iniciou-se em 2015, a modernização do parque da categoria de consumo de grandes consumidores, sendo que, para um melhor aproveitamento dos medidores adquiridos para investimento, foi feita a opção de diversificar as tecnologias de medição, pois dessa forma, também seria possível a análise conjunta de tecnologias.

Introdução

Nas últimas décadas, têm-se observado por grande parte das companhias de saneamento a busca por resultados mais assertivos para apuração dos volumes macro e micromedido e consequentemente gestão eficiente das perdas do sistema de abastecimento.

Para medição dos volumes macro medido dos setores ou subsetores, os medidores mais utilizados são os medidores eletromagnéticos, por apresentarem erros de medição de +/- 0,50%.

No caso da micromedição dos grandes consumidores, a tecnologia comumente utilizada são os medidores mecânicos, tipo velocimétricos, sendo que esses equipamentos apresentam desvios de medição de +/- 5% (medidores novos) e +/-10% (medidores usados).

Além dos erros de medição superiores aos medidores estáticos (eletromagnéticos e ultrassônicos), os medidores velocimétricos ocasionam perdas de carga no sistema, pois para o caso de medidores tipo woltmann (figura 1), a linha a montante do medidor, precede de filtro, visando postergar a vida útil do equipamento.

figura

Devido ao custo, os medidores eletromagnéticos tornaram-se pouco atraentes para a medição dos volumes micromedidos dos grandes consumidores, cavaletes de diâmetros superiores a 1”, porém para competir com os medidores velocimétricos, o mercado indicou os medidores ultrassônicos, cuja a tecnologia vem sendo utilizada e com resultados validados por diversas companhias de saneamento no país, sendo o custo similar ao velocimétrico, além da vantagem de não possuírem partes móveis e apresentarem vida útil superior aos medidores velocimétricos, postergando o período de trocas por motivo de manutenção preventiva.

O objetivo do presente trabalho é difundir a utilização dos medidores estáticos (ultrassônicos e eletromagnéticos), e dessa forma compatibilizar as tecnologias de medição da macro e micromedição, visando menor incerteza, garantindo confiabilidade e segurança na análise e gestão das perdas totais.

Autores: Adriana dos Santos Dias e Marcelo de Santana Bezerra.