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Avaliação dos contaminantes emergentes Cafeína e Bisfenol A em água bruta e água tratada

Resumo

Os contaminantes emergentes são uma nova classe de substâncias que se encontram no meio ambiente em quantidades muito pequenas (nanogramas e microgramas). Os seus reais efeitos tanto para saúde humana como para a biota em geral são pouco conhecidos. Porém, existe a possibilidade de algumas destas substâncias afetarem o sistema endócrino. Estes compostos estão presentes nas águas utilizadas para o abastecimento público e dependendo da forma de tratamento da estação, quando realizado de maneira convencional, não apresentam efetividade na remoção destes contaminantes. A cafeína é uma substância utilizada em produtos como fármacos e bebidas e a sua ocorrência no meio ambiente é resultado de atividades antrópicas. O bisfenol A é um composto químico empregado na fabricação de diversos produtos como embalagens de alimentos e em revestimento de proteção em latas de metal. O objetivo deste trabalho foi avaliar a presença dos contaminantes emergentes cafeína e bisfenol A em água bruta e água tratada de um mesmo sistema de abastecimento. Para tanto, amostras de água bruta e de água tratada foram coletadas.A quantificação dos analitos foi realizada com extração em fase sólida e cromatografia líquida de alta eficiência com espectrometria de massas do tipo single quadrupolo e sistema eletro spray ionização (ESI). Os resultados obtidos confirmam a presença de cafeína e bisfenol A na água bruta e na água disponibilizada para o abastecimento púbico.

Introdução

Levando em conta o atual nível de desenvolvimento industrial e a iminente necessidade de expansão urbana, efluentes tanto domésticos como industriais são lançados de maneira indiscriminada no meio ambiente, sem levar em conta que estes podem causar danos à saúde humana e o desequilíbrio de ecossistemas aquáticos.
A precariedade de políticas públicas e dos serviços de saneamento básico, aliados ao desordenado crescimento populacional em grandes centros urbanos têm sido uma das principais causas para a diminuição da qualidade dos recursos hídricos. Além disso, a ausência na destinação de recursos financeiros e planejamento baseado em critérios toxicológicos e ambientais originaram uma situação em que o lançamento de efluentes domésticos in natura, juntamente com efluentes industriais remanescentes, vêm causando sérios danos aos sistemas de águas superficiais (RAIMUNDO, 2007).
Os contaminantes lançados em corpos hídricos são tanto de origem industrial como doméstica e causam diversos danos ao meio ambiente, comprometendo principalmente a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, que são utilizadas para o abastecimento humano.

Diferentes contaminantes são lançados em corpos hídricos, mas uma classe recente de contaminantes vem chamando a atenção das autoridades e da comunidade científica. Estes contaminantes são conhecidos como contaminantes emergentes e podem estar presentes no meio aquático e terrestre. Existem diversas substâncias classificadas como contaminantes emergentes, entre elas: progesterona, testosterona, bisfenol A, atrazina, triclosan, cafeína e outros (RAIMUNDO, 2007). Estas substâncias estão presentes no meio ambiente em baixas concentrações, conforme Bila e Dezotti, (2007), na ordem de nanogramas por litro e microgramas por litro e podem estar contaminando os corpos hídricos utilizados como mananciais para o abastecimento público.
Segundo Bila e Dezotti (2007), algumas substâncias químicas que se encontram no meio ambiente podem afetar o sistema endócrino de humanos e outras espécies, alterando a saúde, o crescimento e a reprodução. Desta forma, estas substâncias vêm despertando grande interesse científico. Entre estes compostos, a cafeína é apresentada como um indicador de atividade antrópica e o bisfenol A como uma substância que possivelmente pode causar alterações no sistema endócrino.
Os contaminantes emergentes não são abordados por legislações e não possuem limites para controle. Além disto, as estações de tratamento de efluentes e as estações de tratamento de água operam utilizando tratamentos convencionais e que não são efetivas na remoção de diversos contaminantes, que por sua vez podem se encontrar inclusive na água utilizada para o consumo (RAIMUNDO, 2007). A existência de desreguladores endócrinos em estações de tratamento de esgoto e fontes de água potável evidência que é indispensável à avaliação dos processos de tratamento envolvidos na remoção destes compostos (BILA E DEZOTTI, 2007).
A água utilizada para o abastecimento humano é a que recebe o fim mais nobre. Para prevenir danos à saúde e o bem-estar do homem, a água utilizada para o abastecimento doméstico deve possuir características sanitárias e toxicológicas adequadas, tais como ser isenta de organismos patogênicos e substâncias tóxicas (BRAGA etal., 2005).

Autores: Amanda Gonçalves Kieling; Henrique Ludvig Vogt; e Gabriela Kern.