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Análises Clínicas requerem diversas aplicações que envolvem a filtração

Vicente de Aquino.

Diversas são as aplicações em Análises Clínicas que envolvem filtração. Desde a preparação de amostras para separação, identificação e quantificação instrumental, passando por clarificação e esterilização de meios de cultura até as determinações em Biologia Molecular, como PCR e outras técnicas envolvendo ácidos nucleicos.

Quem explica com autoridade o processo é José Muradian Filho. Farmacêutico, mestre em fármaco e medicamentos pela USP, ocupa a posição de Gerente Técnico Comercial da divisão Life Sciences (Pall do Brasil). Possui experiência de mais de 20 anos na área de filtração/separação.

Ele explica que para o preparo de amostras existem dispositivos específicos que podem ser aplicados em análises clínicas:

•Dispositivos centrífugos Nanosep com membranas de ultrafiltração de 3 a 100 K Daltons de corte de peso molecular e Nanosep MF (membrana microfiltrantes de 0,2 e 0,45mm de poro), ambos para volumes até 500 mL (microlitros). Aplicações: concentração de fluidos corporais (ex: urina, liquor) e clarificação ou esterilização de pequenos volumes de amostra;

•Placas filtrantes Acroprep 24 , 96 ou 384 (24, 96 ou 384 poços) para preparação múltipla de amostras e volumes mortos reduzidos ( 10M(omega).cm, Bactérias < 10ufc/ml e TOC < 500ppb para a Clinical Laboratory Reagent Water – CLRW). Para laboratórios que escolheram trabalhar com água para instrumentação (Instrument Feed Water – IFW), cujas especificações diferem daquelas da CLRW, é altamente recomendado monitorar a contagem bacteriana de acordo com as especificações aceitas no mercado. Alguns contaminantes, como orgânicos e bactérias, também podem ser considerados potenciais problemas para diversas análises de rotina”, afirma Albertão.

Quando recomendado pela CLSI o nível de orgânico (TOC) menor que 500ppb, é aconselhável diminuir o TOC a níveis mais baixos para a maioria dos procedimentos: “Em algumas especialidades químicas (toxicologia, teste molecular), os instrumentos e as tecnologias utilizadas requerem níveis muito baixos de TOC (< 5 a 10 ppb). A concentração de sílica deve ser considerada um impacto a longo prazo. Adicionalmente, pode ser benéfico monitorar o nível de sílica em uma base definida”, garante.

Tecnologias de purificação

Uma combinação de tecnologias é utilizada em laboratórios clínicos. Esta técnica reduz os níveis de contaminantes e assegura que a água que alimentará o analisador clínico seja de qualidade constante.

“Existem quatro tipos principais de contaminantes na água de alimentação que entram no sistema de tratamento de água, cuja remoção é de fundamental importância para preservar a vida útil dos aparelhos, bem como dos filtros e não sobrecarregar o sistema. Os principais contaminantes são: particulados, inorgânicos dissolvidos, orgânicos dissolvidos, e contaminantes microbiológicos”, explica. Entre as técnicas de purificação, Albertão cita:

Filtro de Profundidade, utilizado com o objetivo de reter partículas suspensas e microorganismos. O tamanho das partículas removidas vai depender do diâmetro dos poros do filtro escolhido. Para melhor dimensionamento da bateria de filtros utiliza-se o teste de SDI (Silt Density Index), que determina o índice de partículas presentes na água a ser pré-filtrada;

Filtro de Carvão Ativado, utilizado principalmente para remoção de cloro livre dosado na água portável, e para remoção de materiais orgânicos provenientes de degradação vegetativa;

Osmose Reversa (RO), que remove até 99% dos contaminantes orgânicos, partículas, microorganismos e cerca de 95% dos contaminantes inorgânicos. A membrana de osmose reversa separa a solução concentrada, contendo contaminantes, de uma solução diluída (água purificada). A aplicação de pressão hidráulica força a solução concentrada a atravessar a membrana semi-permeável, resultando na retenção dos contaminantes. É um eficiente pré-tratamento antes da eletrodeionização;

Eletrodeionização (EDI), tecnologia desenvolvida e patenteada pela Millipore. Avançado sistema que utiliza um método eficiente de remoção de contaminantes iônicos, através de uma corrente elétrica que regenera continuamente as resinas de troca iônica, estendendo o tempo de vida útil.

A escolha da combinação correta das tecnologias de purificação de água é o primeiro passo para a garantia de qualidade constante. Entretanto, o armazenamento da água produzida é determinante para o sucesso dos experimentos no laboratório: “De modo geral, se armazenada adequadamente, a água pode manter suas características de qualidade por um período de tempo. O correto armazenamento da água obtida a partir das tecnologias complexas também minimiza a recontaminação, que representa custos ao laboratório. De nada adianta utilizar boas tecnologias e armazenar água inadequadamente, gerando prejuízo”, explica.

Os reservatórios mais adequados ao armazenamento devem possuir características que visam minimizar a recontaminação, tais como: material limpo, com o mínimo possível de extraíveis, entre os quais polímeros com alta pureza como o polietileno e o polipropileno;distribuição homogênea do material, o que garante superfície interna mais lisa, minimizando a formação de biofilme; transbordo sanitário para que durante a saída de água, o ar seja admitido pelo filtro de proteção; e reservatório com superfície de contato minimizada, sem cantos e 100% esgotável. Além desses cuidados, recomenda-se a utilização de lâmpada UV no reservatório, a fim de minimizar a contaminação microbiológica.

1) Ultrapurificação: Nesse estágio do processo de purificação, a água é armazenada temporariamente em um reservatório. Dependendo da análise, do analisador clínico e do laboratório, pode ser utilizada diretamente para alimentar o analisador e também submetida a um processo de purificação complementar (Íon Exchange Resins – IEX), o qual remove os íons a um nível muito baixo.

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2) Filtro Bacteriológico: O controle bacteriológico pode ser feito por uma membrana filtrante (0,22µm). Normalmente, a membrana filtrante é colocada na saída do purificador para prevenir a liberação de bactérias provenientes do sistema de purificação.

A figura acima ilustra a combinação de tecnologias utilizadas para realizar o processo completo de purificação de água. Algumas combinações de tecnologias podem ser: RO + IEX + Filtro 0,22µm); RO + EDI + Filtro 0,22µm; e RO + EDI + IEX + Filtro 0,22µm. Como mencionado anteriormente, IEX pode ser um opcional de filtração, e diversos analisadores clínicos têm sido equipados com sistemas de purificação que não incluem a tecnologia EDI.

A escolha da tecnologia de purificação depende da qualidade de água necessária e do volume de água solicitado pelo analisador. “Entretanto, deve-se notar que as soluções que empregam a tecnologia EDI permitem a redução significativa dos custos operacionais, pois o modulo EDI proporciona níveis de resistividade elevados com menor necessidade de uso da resina IEX”, explica Albertão.

Para algumas especialidades químicas, tais como toxicologia e análises de ácidos nucléicos, outras tecnologias de purificação estão disponíveis. Sistemas específicos de purificação podem combinar IEX, Carvão Ativado, Ultrafiltração (UF) e Fotoxidação (UV 185/254), para atender esses tipos de análises.

Processo de Controle de Qualidade

O Controle de Qualidade assegura a qualidade num processo de purificação de água. Ele é utilizado para monitorar processos analíticos e prevenir erros no diagnóstico dos pacientes.

Alguns fatores pré-analíticos (preparação, coleta de amostra), são difíceis de monitorar, pois ocorrem fora do laboratório. Alguns fatores analíticos podem ser controlados e otimizados para reduzir o número de falhas e retrabalhos nos resultados.

A água é considerada o mais importante reagente químico. A qualidade da água pode ser monitorada por outras variáveis como calibração dos instrumentos analíticos, bem como de outras formas.

“A manutenção preventiva no sistema de purificação de água e a regularidade com a norma CLSI são meios utilizados para minimizar problemas nas análises. Não se deve utilizar água com baixa qualidade para alimentação dos analisadores clínicos, especialmente em termos de contagem microbiológica e concentração iônica. Estes dois parâmetros devem ser prioritários no controle de qualidade, uma vez que nos laboratórios em que recomendações da CLSI não são seguidas, a água armazenada nos analisadores pode tornar-se fonte de contaminação”, diz Fernando Albertão.

Depois de armazenada, a água utilizada nas cubetas para diluição dos reagentes, enxágüe de manifolds, tubulação e agulhas, já está classificada segundo a norma CLSI.

O reservatório não é freqüentemente sanitizado e raramente a qualidade da água é monitorada. Quando não são seguidas das normas CLSI, a qualidade da água pode se degradar antes mesmo do uso final.

Conclusão

A água interfere de diversas maneiras em análises clínicas, sendo uma boa prática considerá-la como reagente. Dessa forma, é necessário ter cuidado com a qualidade da água a ser escolhida para trabalhar com diversos processos em um laboratório, bem como com o projeto, a seleção e a maneira apropriada de manter as unidades de filtração, minimizando os problemas nas análises clínica.

http://www.meiofiltrante.com.br/
Edição nº 41 – Nov e Dez/09

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