Especialistas apontam que mudanças climáticas podem levar organismos para áreas que não eram comuns
Um novo estudo divulgado no domingo (25) pela revista Biocontaminant aponta que pesquisadores vêm se atentando para um grupo de organismos microscópicos que pode representar um perigo global.
As amebas de vida livre, presentes de forma natural no solo e na água, estão se espalhando em consequência das mudanças climáticas e deterioração dos sistemas hídricos, apontam os cientistas.
Algumas dessas espécies podem provocar doenças graves. Esse é o caso, por exemplo, da Naegleria fowleri (conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebros”), causadora de uma infecção cerebral que pode levar à morte.
“O que torna esses organismos particularmente perigosos é sua capacidade de sobreviver a condições que matam muitos outros micróbios”, diz o pesquisador Longfei Shu, da Universidade Sun Yat-sen, na China, ao longo do estudo.
Com o aumento das temperaturas globais, é esperado que as amebas se espalhem para regiões em que antes eram incomuns, podendo suportar altas temperaturas, além de produtos químicos, como desinfetantes.
Em 2024, no Ceará, um caso de Naegleria fowleri foi registrado em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza. A vítima era uma criança de 1 ano e 3 meses, que faleceu sete dias após o início dos sintomas. No ano seguinte, um novo surto acometeu a Índia, matando 19 pessoas e atingindo ao menos outras 69.
Os surtos, destacam os especialistas, se tornam ainda mais preocupantes ao considerar que as amebas podem atuar como hospedeiras para outros micróbios causadores de doenças.
Para ajudar a controlar essa situação, os autores do estudo destacam a importância de tecnologias avançadas de tratamento de água.
Outras medidas incluem estratégias que integrem saúde pública, pesquisa ambiental e gestão de recursos hídricos.
Fonte: R7

