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Aquífero californiano guarda volume de água equivalente a 2,3 mil Sistemas Cantareira

Com 2,7 trilhões de metros cúbicos, reserva encontra-se em profundidade superior a 300 metros; seca na região viabiliza, economicamente, o bombeamento do recurso

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SÃO PAULO – Um novo estudo publicado por especialistas da Universidade Stanford revelou que o aquífero sob a região do Vale Central do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, guarda três vezes mais água do que se imaginava. A descoberta vem em momento oportuno para a Califórnia, que há cinco anos vive uma seca tão grave que o governador chegou a declarar estado de emergência na região – o que acabou por estimular os esforços para encontrar novas fontes do recurso e para consumi-lo de forma mais eficiente.

Dados de 35 mil poços de exploração de óleo e gás na região foram compilados para chegar ao novo volume, estimado em 2,7 trilhões de metros cúbicos, o que equivale a cerca de 2.250 Sistemas Cantareira, com seus 1,2 bilhão de metros cúbicos de capacidade com o volume morto. “Não é todo dia que se faz uma descoberta como essa”, disse Robert Jackson, um dos autores do estudo que revelou o novo aquífero. “É muito mais água do que qualquer um de nós esperava encontrar por ali”, afirmou ao portal de notícias científicas norte-americano Science Daily.

rio seco em los angeles

Ponte Broadway sobre rio que corta a cidade de Los Angeles, a maior do Estado da Califórnia e uma das que mais sofreu com a seca (Foto: Thinkstock Photos)

Boa parte da água recém descoberta está em profundidades superiores a 300 metros e inferiores a 900 metros, o que coloca uma série de desafios para sua exploração. Trata-se de profundidade atípica para a prospecção de água, o que encarece seu bombeamento. O líquido também tem índice acima da média de sal e sedimentos em sua composição, o que pode requerer tratamento antes da distribuição. Retirar toda essa água dos maciços sedimentares da região – onde o recurso costuma ficar acumulado – também pode criar zonas de depressão de solo que cedem mais de três metros. Mas o esforço compensa. “Foi-se o tempo em que água a mais de 300 metros de profundidade era cara demais para bombear”, diz Jackson. “Hoje, isso é possível e precisamos proteger essa fonte, mesmo que a gente só decida usá-la daqui uma década”, afirma.

A contaminação do manancial por infiltrações causadas, principalmente, pela prospecção de gás e óleo é uma possibilidade e os especialistas alertam para esse risco. Segundo o levantamento, até 30% da área onde esse novo volume de água está acumulado é região de prospecção da indústria de energia. Monitoramento e até nova legislação podem ser necessárias para proteger o recurso.

Mesmo com esse possível aumento na oferta, os especialistas lembram que é fundamental manter em funcionamento os programas de consumo consciente e preservação da água que surgiram durante a seca. Felizmente, até com 2,7 trilhões de metros cúbicos de água a mais, “desperdício” deve continuar sendo palavra proibida na Califórnia.

Leia a íntegra do estudo (em inglês) intitulado Salinity of deep groundwater in California: Water quantity, quality, and protection, publicado pela edição online do Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Fonte: Juntos pela água