NOTÍCIAS

Reavaliando a hidroeletricidade como energia limpa

Reavaliando a hidroeletricidade  – Durante séculos, reservatórios foram construídos para abastecer as populações, além de controlar o fluxo dos rios e gerar energia hidrelétrica. Especificamente, a Espanha é o país da Europa com mais reservatórios construídos.

Nos últimos anos, a tendência na construção de novas barragens para a produção de hidroeletricidade se acelerou, especialmente em regiões com economias emergentes

Reavaliando a hidroeletricidade

Imagem Ilustrativa do Canva

Por outro lado, os reservatórios também causam impactos significativos: forçam o deslocamento de populações e fragmentam rios, afetando seriamente a biodiversidade, a regulação do fluxo natural e o transporte de nutrientes e sedimentos.

Além disso, são fontes significativas de gases de efeito estufa (GEE), como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). Estes dois últimos com potencial calorífico 34 e 298 vezes maior que o CO2 em um horizonte de cem anos, respectivamente.

Reavaliando a hidroeletricidade

Imagem iagua (Reavaliando a hidroeletricidade)

Muitos cientistas estudam as emissões de GEE para determinar a pegada de carbono dos reservatórios e da energia hidrelétrica, obtida pela soma das emissões de CO2 , CH4 e N2O em equivalentes de CO2 . Essa tarefa é complexa, pois as emissões de GEE não são constantes no tempo ou no espaço. Por exemplo, nos primeiros anos após a construção, a emissão de C é maior devido à decomposição da matéria orgânica recentemente inundada.

Além disso, a relação entre produção e emissão não é imediata. Parte dos GEE produzidos é emitido para a atmosfera, gerando emissões “primárias”, às quais a maioria dos estudos se refere. Outra parte importante dos GEE produzidos se acumula no reservatório, principalmente nas águas mais profundas, e posteriormente determina emissões “secundárias”. Estes últimos raramente são quantificados.

Estes incluem os gerados durante a mistura da coluna d’água no outono (por redistribuição de GEEs dissolvidos em águas mais profundas), bem como os derivados da desgaseificação durante turbinas hidráulicas, uma vez que geralmente é retirado de profundidade relativa e vem carregado com GEE. Este último ocorreria na saída da barragem ou a jusante.

“Antes do planejamento de novos reservatórios, deve-se avaliar sua viabilidade e impacto, além de considerar o custo de GEE da energia produzida.”

Almeida e colaboradores (2019) calcularam que as emissões de CO 2 e CH 4 por unidade de hidroeletricidade gerada em reservatórios da Amazônia são altamente variáveis, podendo ser comparadas às emissões de energia solar e eólica ou até mesmo superar as usinas de combustíveis fósseis na Amazônia, dependendo de sua localização.


 

LEIA TAMBÉM: BIOGÁS E BIOMETANO SÃO APOSTAS DA ENERGISA PARA MERCADO DE ENERGIA LIMPA


 

Os nossos estudos em açudes do sudeste da Península Ibérica também suportam a existência de uma enorme variabilidade nas emissões de GEE, bem como o importante papel da bacia hidrográfica na determinação dessas emissões. A litologia da bacia determinou a emissão de CO2; enquanto a maior temperatura, menor profundidade e maior grau de eutrofização (maior crescimento de algas como consequência do influxo de nutrientes) aumentaram o CH4 . Por sua vez, os aportes de nitrogênio recebidos pelo reservatório aumentaram as emissões de N2O .

Com tudo isso, antes da pergunta: – a hidroeletricidade é uma energia limpa? A melhor resposta é que, depende do reservatório. E, sobretudo, que são necessários mais estudos para quantificar as emissões secundárias, com as quais o balanço se agravará. Antes do planejamento de novos reservatórios, deve-se avaliar sua viabilidade e impacto, além de considerar o custo de GEE da energia produzida. Além disso, com planejamento estratégico, as emissões de GEE de futuros reservatórios poderão ser reduzidas.

Ao mesmo tempo, em casos como Espanha, onde já temos muitos reservatórios construídos, as emissões de GEE poderiam ser reduzidas (especialmente CH4 e N2O) estabelecendo medidas que reduzam a entrada de nutrientes nos sistemas aquáticos, como a melhoria dos tratamentos de purificação e a redução da poluição difusa por nitratos provenientes de explorações agrícolas e pecuárias. Desta forma, contribuiríamos também para melhorar a qualidade da água.

Autora: Elizabeth Leon Palmero (Reavaliando a hidroeletricidade como energia limpa)
Fonte: iagua
Adaptado para Portal Tratamento de Água
Traduzido por Jaqueline Morinelli


ÚLTIMAS NOTÍCIAS: CIDADES INTELIGENTES UNEM TECNOLOGIA, SUSTENTABILIDADE E RESILIÊNCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS: METAS CLIMÁTICAS AMEAÇADAS PELA GUERRA ENTRE A RÚSSIA E UCRÂNIA