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Brasil perde quase 40% de toda a água tratada no país

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Segundo o Instituto Trata Brasil, o volume desperdiçado em 2019 seria suficiente para abastecer 63 milhões de pessoas durante um ano. Em meio ao alerta de estiagem, especialistas acreditam que o Marco Legal do Saneamento Básico tem um difícil objetivo de levar água potável a todos os brasileiros até 2033

 

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Imagem Ilustrativa

 

No Brasil, 35 milhões de pessoas não têm água tratada nem para lavar as mãos, ação básica e indispensável para evitar a contaminação por Covid-19, por exemplo.

É o caso de Kátia de Oliveira Souza. Ela vive com a família em uma comunidade na cidade de São Paulo.

Com esgoto a céu aberto e água sem qualidade, todos ficam expostos a doenças:

“Não temos onde jogar o nosso esgoto, que é jogado atrás de uma empresa. Estamos com esgoto a céu aberto. A qualidade da água aqui é muito ruim. As nossas crianças passam mal…”

Um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que 39,2% de toda a água potável captada no país não chega às residências.

Esse volume seria suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros em um ano.

Os dados são de 2019

Se a perda de água tratada fosse reduzida para 25%, a quantidade poupada seria suficiente para atender todas as favelas do país por quase três anos.

Entre as causas desse desperdício estão roubos, fraudes e erros de medição. Mas, o principal problema está nos vazamentos, que correspondem a mais de 60% de água perdida.

O presidente executivo do Trata Brasil, Edison Carlos, destaca que as principais responsáveis são as empresas de água e esgoto:

“O nível de ineficiência na distribuição de água está piorando nos últimos anos. Os impactos são múltiplos, principalmente, na natureza, porque as empresas têm que tirar mais água da natureza do que era necessário. Tem o impacto econômico muito grande, porque essa água custa para ser fabricada. E também o impacto social. Porque as pessoas que ficam sem água são as que moram mais longe, normalmente nas periferias, nas áreas mais pobres”.


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Em 2015, o índice de perda de água era de 36,7%. Nos anos seguintes, o volume de perda só aumentou.

Enquanto isso, o Brasil enfrenta mais um período de estiagem. Com alerta do governo federal, órgãos buscam alternativas para evitar o racionamento no país.

Para Carlos Bocuhy, presidente do do PROAM, Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, a falta de água também tem relação com o desmatamento. A perda de vegetação prejudica a absorção e a pureza da água:

“Existe uma ligação direta entre a floresta e a produção de água das áreas de mananciais. A vegetação é um elemento que protege o solo, mantém o solo úmido. Isso permite que a produção de água se mantenha mesmo em períodos de estiagem”.

Novo Marco legal do Saneamento Básico

Há quase 1 ano, em junho de 2020, foi aprovado no Congresso o novo Marco legal do Saneamento Básico, que prevê o oferecimento de água tratada para todos os brasileiros até 2033.

Sancionada em julho do ano passado, a nova legislação ainda passa por regulamentações.

Edson Aparecido da Silva, secretário Executivo do ONDAS, Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento, acredita que as áreas mais pobres do país não serão totalmente contempladas pela nova lei, que incentiva a privatização:

“A lógica de lucro presente na operação de serviço de empresas privadas é incompatível ao atendimento dessas áreas, que não são rentáveis. A tendência é o setor privado continuar melhorando o serviço em áreas que já estão consolidadas, e essas áreas vão ficar excluídas.”

O índice de perda do Brasil em 2019 foi pior que o de países como Etiópia, Camarões, África do Sul e Polônia.

A região Norte do país é a que tem o pior índice, perdendo mais da metade da água produzida. Ao todo, 55,2% da água tratada não chega às casas das pessoas.

O Amapá é o Estado com pior resultado. 74% da água potável é desperdiçada. A lista continua com Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre.

Já Goiás é o Estado com maior eficiência na entrega de água limpa à população, com perda de 29%.

POR MATHEUS MEIRELLES

Fonte: CBN.


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