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Folha lança série sobre impactos da transição energética na Chapada Diamantina

Folha lança série sobre impactos da transição energética na Chapada Diamantina

Região é responsável por 43% dos parques eólicos e solares de toda a Bahia

A Chapada Diamantina, na Bahia, uma vez cobiçada pelos diamantes que a nomeiam e conhecida pela beleza natural, agora é um dos destinos preferidos de empresas de energia renovável -um pesadelo para a maioria das comunidades tradicionais, pesquisadores e ativistas da região.

O território tem 529 empreendimentos de energia eólica e solar aprovados, com 238 já em operação, contando o território de identidade da Chapada Diamantina e áreas mais próximas do sertão, como a Chapada Norte, a Chapada Setentrional, o Piemonte da Chapada Diamantina e a Chapada Velha.

Isso corresponde a 43% dos empreendimentos de toda a Bahia, que lidera a produção para transição energética no país, segundo dados disponibilizados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Em relação à potência de energia eólica e solar gerada no estado (13 GW), é responsável por 61%.

Em março, a repórter Geovana Oliveira e a repórter fotográfica Rafaela Araújo visitaram seis cidades da região, em diferentes estágios de implementação de parques eólicos, solares e empreendimentos de mineração “verde” para o projeto Excluídos do Clima. Com a aceleração pela transição energética, tanto para reduzir emissões de carbono como para se adequar ao mercado de carros elétricos, o Brasil tem priorizado os investimentos em energia eólica e solar para ampliar sua matriz. Até 2050, o país precisará mais do que duplicar a produção de energia. O rápido crescimento, entretanto, leva os moradores de comunidades tradicionais a reclamarem da chegada abrupta das empresas, sem diálogo nem informações claras, com obras de estradas que causam rachaduras nas casas e pressão para a instalação dos empreendimentos.

O desmatamento desmedido, a promessa de empregos que não se concretiza, a restrição de áreas tradicionais usadas para fins econômicos, ressecamento de rios, além de alterações no modo de viver, doenças respiratórias e psicológicas também são motivos para insatisfação.

A corrida pela transição energética retoma ainda a corrida pela mineração na região, que amplia conflitos com as comunidades. Segundo pesquisa do Instituto Geografar da Ufba (Universidade Federal da Bahia), nos últimos cinco anos, houve 35% de aumento nos pedidos de pesquisa mineral na Bahia.

Para a produção de energia eólica e solar são necessários minerais como estanho, germânio, prata, selênio, silício, cobalto, cobre, elementos terras raras, ferro, manganês e níquel, muitos que estão presentes na Chapada Diamantina. O processo reacende conflitos antigos da região, que tem ocupação ligada à exploração mineral nos séculos 16 e 17.

Depois da escassez de minério, a Chapada Diamantina se tornou um espaço propício para o turismo ecológico e para a sobrevivência de comunidades tradicionais -indígenas, quilombolas e comunidades de fecho e de fundo de pasto que, segundo pesquisadores, convivem com uma seca cada vez maior devido às mudanças climáticas. Em quatro reportagens, a Folha mostrará na série “Chapada em Transição” como a expansão da matriz renovável, importante para desacelerar a crise climática, coloca os moradores da Chapada Diamantina no centro de conflitos devido ao desmatamento, pressão em comunidades tradicionais, abertura de estradas e aumento da mineração, além de discutir o impacto da mudança climática na região.

Fonte: Folha


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