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Reuso de efluente petroquímico empregando a osmose reversa em unidade piloto

Resumo

A preocupação com a preservação dos recursos naturais, disponibilidade e a possível cobrança pelo uso da água, têm impulsionado nas últimas décadas a implantação de programas de reutilização de efluentes líquidos em todo o mundo. Uma unidade piloto com capacidade de 2 m³/h em operação contínua foi instalada na área operacional da Superintendência de Tratamento de Efluentes Líquidos (SITEL), vinculado à Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN), onde está sendo testada a tecnologia de osmose reversa (OR) para a produção de água clarificada e desmineralizada por um período de 18 meses. A utilização da microfiltração como pré tratamento da osmose demostrou eficiência de 97,3% da turbidez, auxiliando no processo de prevenção de incrustações na membrana de OR. Os resultados obtidos após a utilização da osmose reversa demonstram que o permeado produzido no sistema piloto de reuso atende aos padrões estabelecidos para a produção de água clarificada, exceto o parâmetro pH, que está fora da faixa estabelecida pela indústria (6 a 8). Para a produção de água desmineralizada, modificações nas condições operacionais se fazem necessárias, pois a condutividade encontrada no permeado da OR está significativamente mais alta do que os limites pré-estabelecidos para reuso. Espera-se como resultados do projeto a determinação da resistência das membranas, bem como determinar as condições de operação que produzam permeado com qualidade requerida para reuso nos processos produtivos das indústrias do Polo Petroquímico do Sul.

Introdução

A indústria petroquímica utiliza elevados volumes de água em seus processos produtivos. O Polo Petroquímico do Sul é um complexo industrial constituído por 7 empresas, que captam cerca de 67.000 m³/dia de água da Bacia do Rio Caí e geram a partir de seus processos produtivos 18.000 m³/dia de efluente. Este efluente é submetido a um tratamento composto por: tratamento preliminar (remoção de sólidos grosseiros) e remoção de compostos orgânicos voláteis, tratamento primário (remoção de óleos e graxas); tratamento secundário (sistema de lodos ativados com aeração prolongada); e terciário composto por sistema de oito lagoas de estabilização na ETE. O efluente tratado é disposto no solo através do sistema de gotejamento por tubulação e aspersão em uma área de aproximadamente 250 hectares, devidamente licenciada.
O Comitê de Fomento das empresas do Polo Petroquímico do Sul (COFIP) em parceria com o Laboratório Aquário, da Universidade FEEVALE, deram início em 2014 a fase I do Projeto de Reuso onde foram elaboradas 3 dissertações, sendo elas: Aplicação de Osmose Inversa no tratamento de efluente industrial de empresas do Polo Petroquímico do Rio Grande do Sul; Aplicação do Processo de Eletrodiálise no Tratamento de Água Industrial da Indústria Petroquímica; e Aplicação de Processos Híbridos ao Tratamento de Efluentes da Indústria Petroquímica: Osmose Inversa e Eletrodiálise Reversa. Estes trabalhos indicaram a utilização destas tecnologias como promissoras soluções para o tratamento do efluente petroquímico, visando o reuso nos processos produtivos.
A fase II do projeto de Reuso, da qual este estudo faz parte, busca a utilização de processos de separação por membranas (PSM), com a aplicação do processo de Osmose Reversa para obtenção de 2 diferentes tipos de água de reuso: água clarificada e a água desmineralizada.

O presente estudo contém informações sobre a utilização da Osmose Reversa para tratamento de efluente petroquímico, visando avaliar a qualidade do permeado para reuso como água clarificada e água desmineralizada. Inicialmente os parâmetros de turbidez, pH e condutividade do permeado foram comparados com os padrões estabelecidos pela indústria. O desenvolvimento desse projeto conta com o apoio e a participação da Companhia Riograndense de Saneamento.

Autora: Andréia Barros dos Santos.