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Importância do tratamento da água no setor de terapia renal

Resumo

A insuficiência renal consiste em um decréscimo da função renal, resultando no acúmulo de eletrólitos e metabólitos no organismo, principalmente ureia e creatinina. Nos quadros crônicos, o paciente necessita ser submetido a tratamento dialítico contínuo, através da depuração do sangue por meio de um equipamento chamado dialisador. A água utilizada em hemodiálise deve passar por rigoroso controle de purificação, a fim de assegurar a total retirada de contaminantes químicos e microbiológicos. Para tanto, a técnica de purificação recomendada pela legislação brasileira é a osmose reversa, cujo monitoramento da qualidade da água deve ser rigorosamente implantado. O objetivo do trabalho é discutir os parâmetros de qualidade da água utilizada em hemodiálise e ressaltar a importância do monitoramento físico, químico e microbiológico no processo de purificação, por meio de Revisão bibliográfica, com busca de artigos publicados no período de 2000 a 2017, efetuada por meio do portal Lilacs, empregando os descritores “tratamento água hemodiálise” e “osmose reversa água”. Foram encontrados oito artigos publicados sobre o tema no período considerado e a análise dos mesmos evidenciou a necessidade de um controle rigoroso no serviço de hemodiálise, de extrema importância para garantir melhor qualidade de vida aos pacientes. Entre as principais considerações, os trabalhos reforçam que a água para hemodiálise, quando inadequadamente tratada, coloca em risco a vida e a segurança do paciente com insuficiência renal. Portanto, a garantia da qualidade da água para hemodiálise não depende somente da escolha do sistema de tratamento, mas também de manutenção eficiente de seus componentes.

Introdução

A Insuficiência Renal (IR) consiste em uma síndrome clínica caracterizada por decréscimo da função renal com acúmulo de metabólitos e eletrólitos no organismo, podendo ser subdividida em Insuficiência Renal Aguda (IRA) e Insuficiência Renal Crônica (IRC), de acordo com o tempo de desenvolvimento da doença.

A IRA é definida como a perda abrupta da filtração glomerular nos rins com consequente alteração do equilíbrio hidroeletrolítico e acidobásico no organismo. Esse desequilíbrio, por sua vez, leva ao acúmulo de substâncias no sangue, como a ureia e a creatinina; quando detectada no estágio inicial ocorre um retardo da evolução da doença, tornando possível a recuperação renal, evitando que o indivíduo seja submetido à terapia de substituição renal.

A IRC consiste na perda progressiva e irreversível da função renal, urinária e endócrina na qual o organismo não é capaz de manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico, finalizando em quadro urêmico e síndrome clínica que comprometem o funcionamento de diversos sistemas ou órgãos.

A IRC não contempla uma cura. O tratamento definitivo indicado é o transplante renal, que consiste em um processo demorado e, como alternativa para se manter a vida, opta-se pelo tratamento dialítico contínuo. A diálise é um tratamento que visa repor as funções dos rins, sendo um processo que promove a retirada das substâncias tóxicas, a restauração dos eletrólitos e do balanço ácido/base e a retirada do excesso de água e sais minerais do organismo através da passagem do sangue por um filtro.

Existem dois tipos de diálise ou purificação sanguínea: uma delas é a diálise peritoneal, realizada através do abdômen. Este tipo de diálise aproveita a membrana peritoneal que reveste toda a cavidade abdominal do corpo humano para filtrar o sangue. O segundo tipo de purificação é a hemodiálise, realizada através de um aparelho externo, chamado dialisador, onde todo o sangue do paciente é retirado por uma fissura e filtrado, retornando depurado ao paciente, ou seja, o equipamento é capaz de promover a função que um rim comum realizaria.

Em geral, a diálise é realizada três vezes por semana, em sessões que duram em média de três a quatro horas, com o auxílio do dialisador, também conhecido como “rim artificial”, em clínicas especializadas neste tipo de tratamento.

Para cada sessão é necessário um volume de aproximadamente noventa litros de água purificada que entrará em contato com o sangue do paciente através de uma membrana semipermeável do filtro dialisador, promovendo a depuração devido a um fluxo contra paralelo entre o sangue do paciente e o fluido de diálise, onde ocorre a migração de substâncias entre esses dois sistemas.

Autores: Agata Ferreira, Anderson Luís Siqueira, Grasiela Sarti Teixeira, Tainá Juliana Tomiura, Andréia de Haro Moreno.

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