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Desafios da implantação de tratamento de esgoto em regiões ribeirinhas

Resumo

As ações do homem perante ao meio ambiente tem provocado malefícios a qualidade de vida do homem. O crescimento populacional desorganizado e ampliação de territórios ocasiona um aumento na geração de resíduos e consequente descarte irresponsável do mesmo. Com isso, a preocupação com a escassez dos recursos naturais é uma possibilidade real. A água é um recurso importante para a manutenção da vida, e as ações humanas causam impactam diretamente a qualidade da água que influencia diretamente na saúde. Considerando a importância do tratamento do esgoto no combate a população das águas, esse trabalho procurou demonstrar através de revisão bibliográfica os desafios e dificuldades da implantação de tratamento de esgoto em regiões próximas à cursos d’água. Além disso, teve como objetivo oferecer uma opção sustentável de solução individual de tratamento de esgoto executável voltada para regiões isoladas. Para tanto, caracterizou-se o método de destinação de esgoto comumente adotado em regiões limítrofes à cursos d’água, estudou-se alternativas de tratamento compatíveis e escolheu-se o tipo de solução individuais de tratamento de esgoto eficaz a essa realidade. Concluiu-se que o modelo de fossa biodigestora da EMBRAPA satifaz as necessidades impostas, além disso, é uma opção fácil de executar e de prestar manutenção, não necessita de energia elétrica e ainda produz um tipo de fertilizante que pode ser utilizado em ferti-irrigação.

Introdução

O saneamento é o conjunto de ações com intenção de controlar os efeitos deletérios que o homem exerce ao meio físico, tendo em vista seu estado de saúde, bem estar físico e sobrevivência (WHO, 1950). No Brasil o saneamento básico é instituído pela Lei nº 11.445 (2007), de acordo com essa Lei, o saneamento básico é formado de quatro componentes, sendo eles: abastecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, drenagem e manejo das águas pluviais e gestão dos resíduos sólidos. O esgoto sanitário é definido pela NBR 9648 (1986) como “despejo líquido constituído de esgotos doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição pluvial parasitária”. A mesma define esgoto doméstico como “despejo líquido resultante do uso da água para higiene e necessidades fisiológicas humanas”.

O esgoto sanitário é composto por 99,9% de água e 0,1% de sólidos. Sendo 75% da parte sólida composta de matéria orgânica em decomposição (VON SPERLING, 2014). Nas partículas sólidas há a presença de microrganismos oriundos de fezes humanas. E em alguns casos pode conter a presença de substâncias tóxicas provenientes de efluentes industriais. Com isso, o lançamento de esgoto sem tratamento em corpos d’água pode proporcionar prejuízos à qualidade da água. Essa manifestação pode ser apresentada na forma de mal cheiro, visual desagradável, baixas taxas de oxigênio, e possibilidade de contaminação de animais e humanos através do consumo ou contato com a água (NOVULARI et al., 2011). Nesse caso, destaca-se a importância de tratamento do esgoto visando o mínimo de impactos ambientais.

De acordo com Novulari et al. (2011), nem sempre é possível executar infraestruturas coletivas para tratamento de esgoto. Para isso, existem algumas opções de sistemas individuais que são voltadas para residências ou condomínios isolados. Destaca-se como opção a fossa séptica ou decanto-digestores, são compostas por uma câmara de sedimentação, que realiza o armazenamento dos sólidos e digestão anaeróbica. Para realização do tratamento do efluente da fossa séptica pode ser executado sumidouro, valas de infiltração ou valas de filtração atentando-se a taxa de absorção do solo.

Isto posto, o presente trabalho objetiva levantar e avaliar os desafios para executar a implantação de tratamento de esgoto voltado para comunidades isoladas em regiões ribeirinhas e além disso, propor um sistema de solução individual sustentável para tratamento do efluente doméstico que possibilite minimizar os impactos ambientais.

Autores: Janaína Santos Saldanha Marques; Avilyn Bárbara Garcia Lopes; Débora Cristina Castro de Sousa; Elaine Batista Ferreira; Eloísa Santana Paz; Giuliano Fagner de Souza Lima; Ildo Storer Netto e Stella Lana de Souza.

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