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Estimativa do custo de implantação de uma unidade de beneficiamento da casca do coco verde consumido in natura

Resumo

Nas cidades litorâneas há um grande consumo de coco verde, principalmente nas ruas e avenidas próximas às praias. A grande demanda é pela água in natura extraída do coco verde no ato do consumo. No entanto, apesar de saudável, este consumo de água de coco gera um sério problema ambiental, pois as cascas de coco são destinadas, na maioria dos casos, em áreas consideradas inadequadas para a disposição de resíduos. Mesmo quando destinadas para aterros sanitários, esta disposição requer um elevado custo de manejo, associado a um elevado tempo de decomposição, o que diminui a vida útil dos aterros sanitários. Portanto, o estudo do aproveitamento da casca de coco verde como matéria-prima para obtenção de novos produtos é de grande importância não só para minimizar os problemas relacionados ao meio ambiente, mas também para a geração renda, criando postos de trabalho e ganhos ambientais para todos. Desse modo, o presente trabalho busca levantar o custo de implantação de uma unidade de beneficiamento do coco verde consumido nas praias de Vitória e Vila Velha, abordando as principais etapas do beneficiamento da fibra e do pó de coco verde, além de estimar previsão de receita bruta através de dados de mercado. Para quantificar a geração, foi realizada uma pesquisa de campo com vendedores de coco verde na orla das praias. Os resultados foram coerentes com o esperado, onde se obteve uma quantidade de 252.620 unidades de casca de coco por mês gerada nos municípios em estudo. O investimento inicial previsto para implantação da unidade é de R$ 1.164.379,23 e a previsão de faturamento anual atingiu o valor de R$1.434.039,85, demonstrando que a receita obtida justifica o investimento nesta área.

Introdução

Nos últimos anos, a intensificação de áreas de cultivo e o aumento da produção são percebidos em várias partes do mundo. No Brasil, a situação não é diferente. O avanço da cultura ocorre não só pela evolução em níveis produtivos, mas também, por apresentar a maior extensão cultivável do mundo. Dentre as culturas pode-se destacar o coco verde, sendo o Brasil o quarto maior produtor mundial, com uma produção que pode chegar a 2,8 milhões de toneladas, em uma área colhida de 257 mil ha de coqueiros (MARTINS e JESUS JUNIOR, 2014).

O consumo de coco verde no Brasil é crescente e significativo. A principal demanda é pelo comércio do fruto através da extração e envasamento da água, envolvendo desde pequenos comerciantes a grandes empresas. (SILVEIRA, 2008).

No entanto, esse consumo tem gerado cerca de 6,7 milhões de toneladas de casca de coco por ano, tornando-se um grande problema ambiental principalmente nas grandes cidades litorâneas. Cerca de 80% dos resíduos coletados nas praias são compostos pelas cascas do coco verde, que muitas vezes são destinados a lixões e outras áreas consideradas inadequadas (BITTENCOURT e PEDROTTI, 2008). Mesmo quando destinados em aterros sanitários apresentam um alto custo de manejo e um elevado tempo de decomposição de cerca de 10 anos, o que traz grandes consequências para o meio ambiente.

Apesar do panorama atual, existem alguns projetos voltados para o reaproveitamento da casca de coco. Estes projetos desenvolvem trabalhos voltados não só para a problemática ambiental, mas também buscam a inclusão social de pessoas de baixa renda e a recuperação econômica deste resíduo. Os projetos desenvolvidos pela Embrapa Agroindústria Tropical, Projeto Coco Verde no Rio de Janeiro, Associação dos Barraqueiros da Beira Mar (ABBMar) em Fortaleza, são exemplos.

Da estrutura do coco, cerca de 85% são resíduos que podem ser reaproveitados. Portanto, descartar este material em aterros sanitários deve ser encarado como desperdício. O resíduo de coco é um material nobre que pode ser aproveitado de várias formas. O processamento dos resíduos gera a fibra de coco, produto que pode ser aproveitado na indústria têxtil, na indústria automobilística (confecção de estofamentos de automóveis), fabricação de capachos para utilização em portas de residências ou condomínios, indústria da construção civil como carga para preparação de alguns tipos de cimento e na produção de briquetes para geração de energia (SENHORAS, 2003).

O Estado do Espirito Santo é o quinto maior produtor de coco verde do país em área plantada e o segundo maior em produtividade. Além do potencial produtor do Estado do Espirito Santo, sua localização geográfica, banhado por um extenso litoral, favorece o consumo de coco verde in natura pela população nos grandes centros litorâneos. Uma consequência deste elevado consumo, no entanto, é a geração de resíduos de casca de coco verde nas praias, tornando-se um grande problema não só para o meio ambiente como também para logística do sistema de coleta de resíduos urbanos, uma vez que, como descrito por Silveira (2008), um único coco pode gerar em torno de 1,5kg de resíduo após o consumo da água.

Assim, verifica-se que é necessário buscar alternativas que possam equacionar esta questão, com ganhos ambientais e sociais. Neste contexto, o beneficiamento da fibra do coco aparece como uma alternativa para garantir uma destinação ambientalmente adequada destes resíduos com possibilidade de retorno econômico.

Autores: Guilherme de Almeida Eleutério; Ricardo Zamprogno Lorenzon e Maria Claudia Lima Couto.