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Caracterização do lodo gerado numa estação de tratamento de água

Resumo

Durante o processo de potabilização da água são gerados resíduos (lodo) que, na maioria das estações de tratamento, não são tratados e são devolvidos diretamente ao manancial, impactando-o negativamente. O presente trabalho apresenta os resultados de parâmetros físico-químico-biológicos obtidos para o lodo gerado na estação de tratamento de água do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Formiga – MG, a fim de quantificar seu potencial poluidor. Os resultados obtidos foram confrontados com os padrões estabelecidos na Resolução n° 430/2011 do Conselho Nacional de Meio Ambiente para lançamento de efluentes em corpos receptores. O lodo da estação de tratamento de água de Formiga – MG, em ambos os períodos analisados, não atendeu à legislação, sendo indevido seu descarte direto em corpos d’água. Entretanto, as concentrações de cádmio, cálcio, chumbo, cobre, cromo, fósforo, magnésio, matéria orgânica, mercúrio, níquel, sódio e zinco no lodo não sofreram alterações dentro do intervalo de tempo analisado nesse estudo.

Introdução

Com o decorrer dos anos, a humanidade tomou proporções maiores e tanto as ciências quanto as artes evoluíram, trazendo maior conforto, comodidade e rapidez nos processos de produção, transporte e benfeitorias. Com a revolução industrial, o homem passou a utilizar máquinas, a população rural migrou para as cidades à procura de melhores condições de vida e do conforto que as novas tecnologias proporcionavam. Mas, mesmo assim, tinha-se uma ideia errônea de que nenhuma matéria prima seria escassa e que os resíduos gerados se degradariam naturalmente (RODRIGUES, 2015).

No âmbito mundial atual, onde as cidades são assustadoramente grandes e as escalas de consumo e produção são igualmente extraordinárias, a humanidade luta para preservar seus recursos naturais e tentar amenizar os impactos causados pela maciça exploração das fontes naturais de matéria prima (AMÂNCIO, 2012).

Com o aumento da população nos centros urbanos, aumentou-se, consequentemente, a demanda por serviços em vários setores; um dos setores mais afetados foi o do saneamento básico (LIMA et al., 2016). E muitas cidades ainda não possuem estruturas adequadas e suficientes para atender a essa demanda de consumidores, causando muitos impactos no meio ambiente (VIANA et al., 2014).

Assim, com o aumento da demanda de água potável, mais recursos hídricos têm de ser extraídos para os devidos processos de tratamento, sendo que em todos esses processos são gerados resíduos (AMÂNCIO, 2012).

O lodo produzido durante o processo de potabilização da água numa Estação de Tratamento de Água (ETA) é constituído de resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos (argilas e areias) provenientes da água bruta e principalmente grandes concentrações de metais, decorrentes da adição de produtos químicos e polímeros condicionantes do processo (BARBOSA et al., 2000).

O lodo de ETA é gerado, normalmente, em grandes quantidades e diariamente, visto que todo dia há a demanda por água tratada (OLIVEIRA, 2016). E o fato de muitas ETA’s lançarem diretamente nos rios, causando um impacto na biodiversidade dos mesmos (ACHON et al., 2013), fez com que pesquisadores voltassem à atenção para tal fato na tentativa de desenvolver estudos para caracterização e avaliação dos impactos causados por sua destinação direta em cursos d’água (ANDREOLI, 2001; BARROSO; CORDEIRO, 2001; GONÇALVES, 1997).

Caracterizar esse resíduo é, portanto, de suma importância para propor alternativas corretas para sua disposição final, reduzindo o impacto causado pelo seu lançamento indevido nos cursos d’água.

Assim sendo, objetivou-se nesse trabalho realizar a caracterização física, química e biológica do lodo gerado na ETA do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do município de Formiga – MG, permitindo quantificar seu potencial poluidor para corpos hídricos receptores.

Autores: Diego Vipa Amâncio; Fernando Neris Rodrigues; Kátia Daniela Ribeiro e Gilberto Coelho.

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