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Avaliação de características morfológicas do lodo de chorume tratado via Geobag através das técnicas de MEV e EDS

Resumo

Neste trabalho, realizou-se a avaliação morfológica qualitativa e semi-quantitativa de lodo de chorume, gerado no aterro sanitário localizado no município de Rosário-MA, tratado via geobag, a fim de contribuir para o levantamento de alternativas de aproveitamento e destinação adequada desse material. Os métodos empregados foram a Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e a Espectroscopia de Energia Dispersiva (EDS). Os resultados apresentaram um material com composição química predominantemente inorgânica, abundante em oxigênio (68,54 %) e cálcio (27,15 %). Foram detectados, também, elementos como o sódio (0,35 %), magnésio (2,78 %), alumínio (0,19 %), silício (0,50%), cloro (0,23 %) e potássio (0,28 %), além de elevado número de poros e morfologia heterogênea.

Introdução

O crescimento populacional, o desenvolvimento econômico e a urbanização vêm sofrendo alterações e, como consequência, tem-se o aumento da geração de resíduos sólidos urbanos (RSU), o que representa um dos maiores problemas ambientais, sociais e econômicos da atualidade (Gouveia et al. 2012).

Nos municípios brasileiros, coleta-se diariamente, cerca de 260 toneladas de resíduos sólidos. Mais de 50% dos municípios dispõem seus resíduos em locais a céu aberto, em cursos d’água ou em áreas ambientalmente protegidas (IBGE, 2017).

Alguns municípios do Nordeste geraram, em 2016, a quantidade de 55.056 toneladas/dia de RSU, das quais 79% foram coletadas. Do montante coletado na região, 64,4% ou 27.906 toneladas diárias ainda são destinadas para lixões e aterros controlados. Nesse contexto, o estado do Maranhão possui apenas um aterro sanitário licenciado. O qual recebe apenas 20% das 6.754 toneladas de resíduos geradas por dia no estado, sendo 23,3% destinado a aterros controlados e 14,4% a lixões (ABRELPE, 2016).

Somado a isso, a disposição inadequada dos RSU pode aumentar alguns riscos como a emissão de gases de efeito estufa, o aumento de agentes transmissores de doenças e a geração de chorume (Gouveia, 2012). Este último, também denominado lixiviado ou líquido percolado, consiste em um líquido de coloração escura e odor desagradável resultante da decomposição dos resíduos sólidos junto à percolação da água que lixivia constituintes orgânicos e inorgânicos através destes resíduos (Orlando et al. 2014).

Diante desta problemática, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, Lei 12.305/2010), regulamentou a proibição, a partir de agosto de 2014, sobre a disposição em aterro sanitário de qualquer resíduo passivo de reaproveitamento. A correta disposição final dos resíduos sólidos reduz o seu potencial de contaminação ambiental.

Assim, durante a vida útil do aterro e após cessar o seu funcionamento é necessário que haja o monitoramento cuidadoso dos gases, bem como o emprego de técnicas de tratamento dos líquidos lixiviados (SILVA, 2016). Uma das técnicas de tratamento para esse material é a sua aplicação na indústria da construção civil. Que vem se destacando na reciclagem de resíduos industriais e urbanos, pois possui uma elevada produção, o que permite que um grande volume de resíduo seja utilizado.

Autores: Laércio dos Santos Rosa Junior; Paulo Guilherme Mesquita; Hélio da Silva Almeida; Fernanda Paula Costa Assunção e Dilson Nazareno Pereira Cardoso.

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