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Aproveitamento de água de chuva em uma indústria mecânica: aspectos econômicos e ambientais

Resumo: De acordo com o relatório divulgado pela ONU (2015), o planeta enfrentará um déficit de água de 40% até 2030, o que reacende os debates sobre a gestão deste recurso. O aproveitamento da água de chuva é uma alternativa utilizada por vários países para suprir demandas de água cujo uso é menos nobre. O objetivo deste estudo foi avaliar, sob as óticas econômica e ambiental, o aproveitamento de água de chuva para consumo não potável em uma indústria mecânica localizada no município de Belo Horizonte / MG. Foram caracterizadas as instalações físicas da indústria, identificadas às demandas de água não potável para os processos e os requisitos de qualidade da mesma. O uso pretendido com a coleta da água de chuva foi para fins sanitários, irrigação dos jardins e limpeza do piso da fábrica. A simulação para dimensionamento do reservatório e a análise de viabilidade do sistema foi realizada através do software Netuno, um programa computacional utilizado para simulação de sistemas de captação de águas pluviais. A análise de viabilidade econômica realizada através do Netuno foi baseada no cálculo no valor presente líquido (VPL), tempo de retorno dos investimentos e taxa interna de retorno (TIR) para um período de 10 anos de vida útil do projeto. A estrutura física da indústria favorece a implantação do sistema por se tratar de um galpão com 2.536,52 m² e ter espaço suficiente para alocação de reservatórios de armazenamento. O percentual de utilização de água potável que pode ser substituída por água pluvial foi de 58,46 %. O reservatório inferior indicado após a realização das simulações foi de 10.000 litros e o percentual de economia obtido foi de 28,98%. O resultado econômico foi favorável à implantação do sistema, pois a TIR obtida foi maior que a taxa média de atratividade (TMA) definida na análise, o tempo de retorno do investimento foi inferior ao tempo de vida útil do projeto e o VPL significativo, tornando atrativa a realização deste investimento. Sob a ótica ambiental, com a implantação deste sistema haverá uma redução das emissões de CO2, no período de 10 anos, de 0,289 tCO2. Os benefícios obtidos para o Sistema de Gestão Ambiental da indústria serão: a certificação em sustentabilidade ambiental de empreendimentos de Belo Horizonte, com a possível obtenção do selo Ouro, o fortalecimento do Marketing Verde e o atendimento à Política de Gestão Integrada definida pela indústria.

Introdução: A dificuldade de preservação da água pelo homem sempre fez parte da sua relação com tal elemento. Desde o início da civilização humana a busca por condições adequadas de vida e trabalho fez com que os indivíduos migrassem para regiões nas quais a água pudesse ser encontrada facilmente. Com o surgimento das primeiras cidades e o advento da agricultura, tal exploração se tornou mais crescente, o que tornou muitas reservas aquíferas, antes intactas, expostas à poluição. A partir do século XVIII, período de ascensão do setor industrial, o crescimento das indústrias refletiu drasticamente no ambiente natural. O volume de detritos despejados na água tornou-se maior e a acumulação de elementos não biodegradáveis como plásticos nos rios pôde ser observada. Ademais, o crescimento expressivo da população, “no período entre os anos de 1500 e 1780, apenas na Inglaterra, houve um aumento populacional de cerca de 3 milhões de habitantes para 8 milhões. Em 1880, este índice já estava em mais de 30 milhões” (CHINEM, 2013) tem implicado no aumento do consumo dos recursos hídricos para uso pessoal. Um dos principais desafios do século XXI diz respeito à preservação da água. Com a escassez já sentida pela população, a disputa por recursos hídricos tem se tornado comum em países como a Turquia, Iraque e Síria. Segundo o relatório de 2015 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o planeta enfrentará um déficit de água de 40% até 2030, o que reacende os debates sobre a gestão deste recurso, a necessidade de reutilização da água e novas técnicas de preservação ambiental. A água potável limpa, segura e adequada é vital para a sobrevivência de todos os organismos vivos e para o funcionamento dos ecossistemas, comunidades e economias. Mas a qualidade da água em todo o mundo é cada vez mais ameaçada à medida que as populações humanas crescem, atividades agrícolas e industriais se expandem e as mudanças climáticas ameaçam alterar o ciclo hidrológico global. (…) Há uma necessidade urgente para a comunidade global – setores público e privado – de unir-se para assumir o desafio de proteger e melhorar a qualidade da água nos nossos rios, lagos, aquíferos e torneiras. (ONU ÁGUA, 2010). Diante da elevação do consumo e degradação dos recursos hídricos, a utilização de fontes alternativas passa a ser considerado para suprir demandas de água cujo uso é menos nobre. Analisando o consumo de água residencial, por exemplo, temos como demanda: beber, preparar alimentos, higiene pessoal, lavagem de roupas, veículos, descarga da bacia sanitária, irrigação de jardins, entre outros. No entanto, não é necessária a utilização de água potável para todas as atividades citadas. O consumo poderia ser dividido em demandas potáveis e não potáveis. Atualmente, captamos água dos mananciais, gastamos com o tratamento para torná-la potável (recursos + energia), distribuição e posteriormente utilizamos esta água para fins que não necessitam desta qualidade, como descarga da bacia sanitária. Como alternativas para abastecimento destas atividades temos o reuso de efluentes tratados, como a água cinza e/ ou o aproveitamento da água de chuva. De acordo com a ABNT NBR 15527:2007 a água de chuva pode ser utilizada após tratamento adequado como, por exemplo, descargas em bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d’água e usos industriais. Além dos benefícios citados, o aproveitamento da água da chuva reduz a demanda de água fornecida pela companhia de saneamento e contribui para amenizar os efeitos da pavimentação nos centros urbanos, que ocasionam enchentes e inundações nos períodos de chuvas intensas.

Autora: Jennifer Karen Alves Caldeira.

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