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Aprimoramento em sistema de ETE/EPAR com foco em melhoria da qualidade da água de reuso: Estudo de caso

Publicado em 25/03/2021 às 10:36:59

Resumo

O tratamento de efluentes e o reuso do efluente tratado são estratégias para racionalização do uso da água. De acordo com a qualidade alcançada pelo tratamento e da modalidade de reuso pretendida, o efluente tratado, ao invés de retornar ao manancial, pode ser reutilizado como alternativa ao consumo de água potável. Este trabalho realiza o diagnóstico de um sistema de tratamento de efluentes e produção de água de reuso existente, localizado em uma indústria farmacêutica, com intuito de avaliar a qualidade do efluente tratado, bem como da água de reuso, em relação aos parâmetros legais, visando apresentar e discutir quais são as ações necessárias para adequar os parâmetros críticos ou que, possivelmente, estejam fora dos padrões estabelecidos, de modo a promover e ampliar a sua utilização. O estudo foi feito a partir do histórico de análises do efluente tratado e da água de reuso, já utilizada em sistemas de resfriamento e sanitários. Os dados foram organizados e relacionados com os padrões normativos e técnicos referentes às aplicações da água de reuso. Foi avaliada a caracterização das amostragens em relação ao uso atual e os possíveis cenários de ampliação do reuso, utilizando ferramentas estatísticas. Os resultados mostram que somente a desinfecção é um processo que carece de melhorias, em relação ao uso atual. Com melhorias no sistema de desinfecção e aderência ao monitoramento de parâmetros preconizados em legislação, as aplicações da água de reuso podem ser ampliadas e, com investimento em tecnologias de tratamento avançado, os parâmetros da água de reuso podem se aproximar aos padrões de potabilidade. Foram detectadas oportunidades de melhorias no sistema de águas de resfriamento, no qual a água de reuso é aplicada, e a possibilidade de utilização da água de reuso em caldeiras, com potencial para uma economia anual da ordem de R$ 300.000,00/ano.

Introdução

O planeta vive o que se convencionou chamar de crise hídrica. Com o aumento populacional, existe um incremento constante na demanda de água, nos setores agrícola, doméstico e industrial (ROSHAN; KUMAR, 2020). De acordo com a ONU (2020), um déficit hídrico global de 40% pode ocorrer até 2030 e estima-se um crescimento de 24 % até 2050 da participação dos setores energético e industrial na demanda de água.

Considerando a crise hídrica como uma questão de oferta e demanda (CARDOZO; DEMANBORO, 2011), o tratamento de águas residuárias pode oferecer mais do que somente a manutenção da qualidade do recurso hídrico ofertado. O esgoto ou efluente industrial tratado pode ser utilizado como água de reuso, tanto para fins potáveis quanto não-potáveis. Dessa forma, ao reduzir o consumo de água potável e minimizar a captação de água nos mananciais, Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) equipadas com meios para garantir o reuso do efluente tratado podem ser consideradas ferramentas para a gestão da demanda hídrica (FAUSTINI et al., 2018). Apesar dos incentivos em diversos países, a proporção de utilização de água de reuso em relação a geração total de águas residuárias ainda é pequena, com um potencial ainda a ser explorado (VOULVOULIS, 2018).

No mundo, a utilização predominante de água de reuso (mais de 70%) é pelos setores agrícolas (irrigação), paisagístico e industrial. A utilização da água de reuso nesses setores se justifica devido a dois fatores: padrões de qualidade menos restritivos e concentração em usuários individuais com demandas expressivas (FUKASAWA; MIERZWA, 2020).

Nas indústrias a utilização da água de reuso tem outros objetivos, além da economia de recursos naturais. Com a crescente demanda, o custo da aquisição de água potável e do descarte e tratamento de efluentes também são crescentes, e, aliados à regulamentação mais restritiva, tornam a reciclagem de águas residuárias uma ação economicamente vantajosa (ANDRADE et al., 2017). Indústrias de diversos ramos de atuação têm adotado o reuso como prática comum em seus processos industriais, mas poucos estudos sobre a aplicação em indústrias farmacêuticas são relatados (ANDRADE et al., 2017). No caso específico das indústrias farmacêuticas, Milanesi et al. (2020) destacam que atitudes para incremento de sua sustentabilidade ambiental, como a economia de água, são crescentes e já são considerados um diferencial para consumidores e organizações.

Neste contexto, é evidente que a existência de estações de reuso de água são benéficas para indústrias farmacêuticas, e sua correta operação é essencial para que se tenha acesso a todos os benefícios, econômicos e ambientais. As ETE são sujeitas a falhas mecânicas e humanas, bem como a variabilidade inerente aos processos de tratamento biológico de esgotos, o que, por sua vez, leva a problemas e instabilidade nos processos, e ocasionando efeitos adversos na qualidade do efluente (OLIVEIRA; von SPERLING, 2005). Para evitar isso, devem-se usar técnicas e meios que sejam eficazes na identificação das falhas dos processos de tratamento (TREVISAN; ORSSATTO, 2017).

Neste sentido, os sistemas de tratamento de efluentes, que, por princípio, necessitam de constante atualização para manter sua eficiência e resguardar os mananciais que receberão os despejos, também precisam de adequações para que seu efluente tratado possa ter seu reuso viabilizado. Neste trabalho, realizamos o diagnóstico de um sistema de tratamento instalado em indústria farmacêutica da região de Campinas, com intuito de caracterizar e avaliar a qualidade da água de reuso, visando a manutenção do uso atual e a proposta de ações para ampliação do reuso.

Autor: Rodrigo José Gonçalves da Cunha.

 

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