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Análise preliminar das cargas difusas e pontuais do córrego Sarandi através do georreferenciamento e análise físico-química da água

Resumo

O problema da poluição do Córrego Sarandi vem sido discutido há décadas. Com a expansão urbana e a constante implantação de novos empreendimentos, aspectos naturais como o ar, clima, geomorfologia e vegetação vem sofrendo modificações, especialmente os recursos hídricos, cujos impactos aumentaram nos últimos 50 anos devido ao crescimento das cidades. Para remediação do córrego, uma das ferramentas mais importantes é a caracterização das fontes difusas e pontuais de poluição, sendo a poluição difusa caracterizada por todas as formas de poluição que podem chegar ao córrego através do escoamento superficial ou pela precipitação, e a poluição pontual caracterizada por ter sua fonte em local específico e de fácil identificação. O objetivo do presente trabalho foi fazer um levantamento preliminar das fontes difusas e pontuais de poluição através do georreferenciamento, caracterizando o uso e ocupação do solo, análises físico-químicas da água do córrego e caracterização quanto aos impactos macroscópicos da bacia. Os resultados das análises de água e impactos macroscópicos apresentaram um alto grau de degradação do córrego e do ambiente em seu entorno. Cerca de 30% da ocupação da sub-bacia se dá por indústrias, consideradas como fontes permanentes de poluição. Como o diagnóstico ambiental de um curso d’água é complexo e deve se desenvolver ao longo dos anos, o presente trabalho trata-se de uma análise preliminar que pode contribuir para futuros projetos e iniciativas.

Introdução

Desde a década de 60 os jornais do estado já apontavam para o problema da poluição do Córrego Sarandi, localizado nos municípios de Contagem e Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Muitos eram os casos de moradores que, na falta de saneamento básico, usavam as nascentes da sub-bacia do Sarandi como destinação final de seus efluentes domésticos. O córrego Sarandi é apontado ainda como principal poluidor da Lagoa da Pampulha/BH (PARREIRAS, 2011). Atualmente esse quadro não mudou, pelo contrário, o uso e ocupação do solo nas grandes cidades tornou-se desordenado e vem diminuindo a permeabilidade do solo com o crescimento demográfico e a implementação de novos empreendimentos.

Com a expansão urbana, novos materiais e equipamentos são introduzidos constantemente e as principais alterações estão ligadas à perda da cobertura vegetal, alteração do relevo, aumento da emissão de efluentes atmosféricos, bem como material particulado e a modificação em geral dos elementos naturais que são o ar, clima, recursos hídricos, vegetação e geomorfologia local (GRILLI, 2010).

Silva (2015), afirma que a escassez de água existe em virtude do crescimento populacional excessivo e da degradação dos recursos hídricos. Defende ainda que a qualidade da água não se diz respeito apenas à sua pureza, mas também seu uso e destinação final.

Segundo Lima et. al. (2016), os impactos sobre os recursos hídricos nos últimos 50 anos aumentaram devido ao crescimento das cidades e uma das formas de caracterizar esses impactos é através da quantidade de nutrientes presentes na água, sendo o nitrogênio e o fósforo os principais causadores dos processos de eutrofização.

A caracterização das fontes poluidoras pontuais e difusas é uma importante ferramenta para remediação e revitalização tanto do córrego, quanto da Lagoa da Pampulha. A poluição pontual é assim definida, pois sua fonte pode ser detectada, já a poluição não-pontual, também chamada de difusa, é caracterizada pelos poluentes que chegam a determinado corpo hídrico ao longo de sua extensão, através dos canais de drenagem pluvial, despejos irregulares, etc. A qualidade do corpo hídrico está diretamente relacionada com a infraestrutura da região (POLIGNANO, 2012).

A poluição difusa é gerada em vastas áreas e a forma mais comum de chegar aos cursos d’água é através das precipitações. Pode ser oriunda de áreas rurais, urbanas ou da atmosfera sendo que nas áreas urbanas a complexidade das cargas difusas é maior, tendo uma relação direta com a qualidade do saneamento e limpeza urbana dos municípios. Quanto aos poluentes provenientes da deposição atmosférica, o principal deles é o nitrogênio, oriundo das emissões industriais (MANSOR et. al., 2006).

Segundo Grilli e Bettine (2010), além das fontes poluidoras mais comuns como o despejo irregular de efluentes sanitários e industriais, a poluição difusa é caracterizada por uma série de componentes que são pouco citados como fonte de poluição. São eles os resíduos dispostos de forma inadequada nas vias públicas, os gases e materiais particulados emitidos por indústrias e veículos (em tempos chuvosos), resíduos orgânicos de animais, entre outros. Com o escoamento superficial da água da chuva, todos esses poluentes chegam aos corpos hídricos e colaboram com as cargas poluidoras de forma muito significativa.

Segundo Kourakos et. al. (2012), a poluição não pontual tem sido considerada em todo o mundo como um problema fundamental da qualidade das águas. Quando as cargas de poluentes atingem os fluxos de água subterrânea elas podem afetar os ecossistemas de todo o globo. Cerca de metade da população mundial depende da água subterrânea e 43% dessa água é usada na agricultura para irrigação. Tais fatos evidenciam a preocupação global com esse tipo de poluição.

Através do geoprocessamento e dos mapas de zoneamento dos municípios onde a sub-bacia se encontra, é possível determinar as possíveis cargas de poluentes provenientes de indústrias e locais que não possuem rede de esgoto. Com a elaboração dos mapas com essas informações, os estudos de caracterização da poluição difusa e pontual se tornam mais eficazes.

A identificação de possíveis áreas onde há geração de poluentes também se faz importante para o controle da poluição bem como a definição de monitoramentos, essencial para caracterização dos níveis de eutrofização dos cursos d’água na bacia (LIMA, 2016).

Tal pesquisa se faz necessária para determinar se existe relação entre o uso e ocupação do solo na sub-bacia do córrego Sarandi com a poluição do mesmo. Essas informações contribuem de forma significativa com o diagnóstico ambiental preliminar desse córrego e se tornam uma importante ferramenta para o poder público em suas obras de revitalização de córregos urbanos, bem como para a comunidade científica.

O objetivo geral desse trabalho é caracterizar o uso e ocupação do solo na sub-bacia hidrográfica do Córrego Sarandi – MG para determinar, através da comparação com a análise físico-química da água, quais as possíveis cargas pontuais e difusas provenientes de indústrias e despejo irregular de efluentes sanitários.

Sendo assim os objetivos específicos são: delimitar a sub-bacia do Córrego Sarandi, setorizar a área da subbacia, fazer a análise físico-química da água, caracterizar os setores delimitados e os pontos de coleta, elaborar o mapa com as informações de uso ocupação do solo, relacionar os resultados da análise da água com o mapa de uso e ocupação do solo.

Autores: Kelvin Nunes Vianini e Elizabeth Rodrigues Brito Ibrahim.

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