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Análise da viabilidade ambiental e financeira da implementação de alternativas tecnológicas de uso racional da água em campus universitário

Resumo

Diante dos problemas concernentes à escassez hídrica, faz-se necessária a busca por alternativas de uso racional da água. Nesse sentido, com a realização desta pesquisa objetivou-se avaliar alternativas tecnológicas de uso racional da água em uma universidade, mais especificamente nas centrais de aulas da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), campus Mossoró-RN, visando estimar os ganhos ambientais e o investimento financeiro da adoção das medidas propostas. As alternativas tecnológicas estudadas se referem à simulação da substituição dos aparelhos hidrossanitários instalados por aparelhos poupadores de água. E, para tanto, foram realizadas visitas in loco a fim de obter o quantitativo e as características dos aparelhos hidrossanitários existentes (bacias sanitárias, torneiras, mictórios). Além disso, foi efetuado um levantamento on-line do número de alunos que frequentam cada uma das 7 centrais de aulas da universidade e estudos literários para identificar os aparelhos poupadores de água mais eficientes. A partir dos dados coletados, foi possível simular alguns cenários de gestão da demanda de água. E, alicerçando-se nos resultados obtidos, concluiu-se que os cenários que contam com a substituição dos reparos e válvulas de descarga das bacias sanitárias convencionais proporcionam os melhores resultados, com economia de água variando de 20% a 23%.

Introdução

A água, indispensável à preservação da vida na Terra, encontra-se distribuída de maneira desigual no Planeta. O Brasil possui cerca de 14% das disponibilidades hídricas mundiais, estando em uma vantagem comparativa em relação aos demais países (LANNA, 2008).

Quanto à disponibilidade de água, em termos globais, o Brasil ocupa uma posição privilegiada. Esse fato traz um conforto ilusório, porque, a nível regional, os recursos hídricos estão distribuídos de maneira desigual no território, espacial e temporalmente. Nesse contexto, o Nordeste brasileiro desponta como uma região que, pela própria natureza, necessita de atenção especial referente à oferta de água, particularmente o Nordeste Setentrional, que possui 87,8% do seu território no semiárido, região em que a maioria dos rios não são perenes, e para a garantia de oferta contínua de água, são utilizados reservatórios (ANA, 2017). Além dos obstáculos relacionados à má distribuição da água, o crescimento populacional, o desenvolvimento econômico e tecnológico e o uso descomedido desse recurso têm ocasionado um aumento na demanda desse bem, submetendo os recursos hídricos a grandes pressões.

Assim, observando-se a relevância da conservação dos recursos hídricos para a preservação da vida na Terra e manutenção de todas as atividades econômicas existentes, faz-se indispensável a sua conservação de modo a garantir que as gerações presentes e futuras a usufrua. Dessa forma, almeja-se, principalmente dos órgãos públicos, a efetivação de ações que busquem a utilização dos recursos hídricos de modo estratégico, por meio do gerenciamento da demanda de água, através de medidas tecnológicas, econômicas e educacionais e regulatórias ou institucionais.

O gerenciamento da demanda de água pode ser compreendido como o desenvolvimento e implementação de estratégias que influenciem a demanda de água, de modo a obter o uso eficiente e sustentável de um recurso escasso, promovendo a equidade social e preservação ambiental (SAVENIJE; VAN DER ZAAG, 2002).

As ações que buscam viabilizar o uso racional da água podem ser dos seguintes tipos: i) tecnológicas: medição individualizada do consumo de água, correção de vazamentos, utilização de aparelhos hidrossanitários poupadores de água, automatização da rede de distribuição de água; ii) educacionais: programas e campanhas de educação ambiental, adequação dos currículos das escolas e universidades; iii) econômicas: subsídios para aquisição de aparelhos poupadores de água, penalização financeira que induza o aumento da eficiência da concessionária de água, cobrança pelo uso da água bruta; iv) regulatórias ou institucionais: legislação que induza o uso racional da água, outorga pelo uso da água, criação de comitês de bacias hidrográficas, entre outras alternativas (SHARMA; VAIRAVAMOORTHY, 2009; ALBUQUERQUE, 2004).

Nesse contexto, as instituições de ensino superior devem ser pioneiras na disseminação de ideias e atitudes concernentes à racionalização do uso da água, tanto pelo grande consumo intrínseco às suas atividades, quanto pela supremacia de apregoar conhecimentos e hábitos sustentáveis. Nessa perspectiva, foi selecionada uma universidade localizada no semiárido brasileiro como caso de estudo desta pesquisa, o campus central da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, localizado no município de Mossoró-RN. E, ainda que seja de conhecimento a relevância de medidas educativas que fitem a conscientização ambiental dos consumidores, este estudo se circunscreveu à análise e proposta de ações que minimizem o consumo de água independente da vontade dos usuários, isto é, através da intervenção na estrutura física das edificações. Então, foram investigadas, sob a ótica ambiental (redução do consumo de água) e financeira (investimento necessário), a substituição dos seguintes equipamentos: i) torneiras convencionais e de fechamento automático hidromecânico por torneiras de fechamento automático por sensor, ii) mictórios com fechamento por registro de pressão e com fechamento automático por válvula hidromecânica por mictórios com fechamento automático por sensor e dos reparos e iii) válvulas de descarga de acionamento único das bacias sanitárias por modelos com duplo acionamento (dual flush).

Autores: Antônio José Cruz de Araújo; Êmele Rádna Rodrigues do Vale; Lívia Maria Pinheiro da Cunha e Maria Josicleide Felipe Guedes.

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