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Caracterização da água de lavagem de uma estação de tratamento de água, com vistas ao reúso

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo a caracterização do efluente líquido descartável  (sobrenadante das lagoas de lodo e a água de lavagem dos filtros) da ETA/Gramame, João Pessoa, Paraíba, com vistas ao reúso no início do processo de tratamento. De acordo com os resultados obtidos, verificou-se que as características físico-químicas do referido efluente apresentaram, em geral, comportamento similar aos da água bruta da ETA, captada no rio Gramame. Exceção ocorreu para o parâmetro alumínio, que no efluente foi bem mais elevado. Dessa forma, o reaproveitamento dos volumes de água utilizados na lavagem dos filtros e limpeza dos decantadores de uma ETA, deve passar por um controle mais efetivo na adição do sulfato de alumínio no processo de tratamento e nas operações de limpeza dos decantadores e lavagem dos filtros.

INTRODUÇÃO

O crescimento acelerado das populações e o desenvolvimento industrial e tecnológico, que vêm ocorrendo mundialmente nos últimos anos, têm levado a uma demanda de água cada vez maior, razão porque as poucas fontes de água doce do planeta hoje disponível, já estão comprometidas ou estão vulneráveis às poluições. Esses fatores têm aumentado, entre os povos, a disputa pela água, dado que, sua disponibilidade tornou-a limitada, pelo comprometimento de sua qualidade. No Brasil, a referida situação de disputa pela água atingiu um nível tal, que conflitos de uso são fartamente detectados nas regiões mais carentes, especialmente no semi-árido.

A possibilidade de colapso das reservas de água doce em um futuro próximo, tem feito com que a água passe cada vez mais a ser considerada um recurso natural, com valores econômico, estratégico e social. Assim, nos dias atuais há um sentimento crescente relacionado às exigências ambientais, de proteção aos mananciais, considerando-se o uso racional da água e o reúso, como ferramentas importantes para as indústrias, inclusive a da produção de água tratada, que buscam minimizar problemas relacionados à disponibilidade hídrica e ao lançamento de efluentes, cada dia mais premente.

A reciclagem, ou reúso de água, não é um conceito novo na história do nosso planeta. A natureza, por meio do ciclo hidrológico, vem reciclando e reutilizando a água há milhões de anos e com muita eficiência. Cidades, lavouras e indústrias já praticam, há muitos anos, de forma indireta ou pelo menos não planejada, o reúso, pois geralmente usuários de jusante captam águas que já foram utilizadas e devolvidas aos rios, pelos usuários de montante (FIESP/CIESP, 2004).

As estações de tratamento de água (ETAs) representam uma necessidade básica visto que têm a finalidade de produzir água potável proporcionando, desta forma, melhores condições de saúde e higiene à população, porém no processo de tratamento da água também ocorre um elevado consumo de água na limpeza e lavagem de decantadores e filtros, gerando o efluente descartável. A disposição inadequada deste efluente, em corpos hídricos, tem mostrado ser extremamente danosa, seja pela provável toxidez dos resíduos gerados no processo e presentes neste efluente, seja pelo aumento da quantidade de sólidos e da turbidez da água no corpo receptor, que podem comprometer a estabilidade da vida aquática. O efluente descartável apresenta uma composição bastante variada, sendo constituído principalmente do material em suspensão, originalmente presente na água bruta, e das substâncias químicas adicionadas à água (coagulantes) para tratá-la (Meneses, 2005).

Sob esta ótica, o consumo, muitas vezes excessivo, de água na limpeza das ETAs, aliado ao problema de sua escassez e à necessidade de preservação dos recursos ambientais, resulta também em uma estratégia de redução dos desperdícios no processo, mediante aumento direto de sua eficiência e, quando viável, da recuperação da água de lavagem para o próprio abastecimento ou para outros usos qualitativamente menos restritivos das águas recuperadas.

De acordo com Ferreira & Laje Filho (1999), a concepção do sistema de recuperação de água de lavagem é profundamente dependente das características da água bruta, dos sistemas de filtração e de lavagem, do tipo de pré-tratamento ao qual a água afluente aos filtros é submetida e das características exigidas para a água recuperada.

Neste contexto, o presente trabalho tem como principal objetivo caracterizar o efluente líquido descartável da ETA/ Gramame (sobrenadante das lagoas de lodo dos decantadores mais a água de lavagem dos filtros) com vistas ao reúso no início do processo de tratamento de água, para abastecimento público, identificando-se, assim, oportunidades para redução da captação em mananciais para atender à demanda.

Autores: Ana C. L. S. M. de Menezes; Carmem L. M. Gadelha; Wamberto R. da Silva Júnior; Taysa T. V. Machado & Tânia M. V. de Almeida