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Recursos hídricos: Florianópolis registra 28% de perda de água no sistema de distribuição

Tubulação danificada é um dos principais causadores de vazamentos em unidades consumidoras

 

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Imagem Ilustrativa

 

Devido às perdas na distribuição hídrica, o Brasil desperdiça 39,3% de toda a água potável captada no país. De acordo com dados de estudo desenvolvido pelo Instituto Trata Brasil, essa quantidade de água poderia abastecer mais de 63 milhões de brasileiros em um ano. Esses números, porém, não incluem os vazamentos que podem ocorrer dentro das unidades consumidoras, causados majoritariamente por problemas na tubulação interna e gotejamentos.

Os números do desperdício de água no país vêm aumentando anualmente desde 2015, quando 36,7% da água potável foi perdida durante a distribuição. Três anos depois, em 2018, o índice era de 38,5%, e subiu quase um ponto percentual em 2019, data dos últimos dados disponíveis. Como o recurso perdido não é faturado pelas companhias hídricas responsáveis, o prejuízo estimado é de R$ 12 bilhões, o equivalente ao que foi investido em água e esgoto no país em 2018.

Apenas em Florianópolis, entre 2015 e 2017, houve um crescimento de 10% no índice de perda de água. A capital registrava 43% de perdas na distribuição, uma média que superava tanto a estadual (38%) quanto a nacional (37%). Dois anos depois, esse número caiu para 28% — uma queda significativa, mas que deve ser observada: apenas na capital, segundo o Painel do Saneamento, 6,9% das residências possuem abastecimento irregular de água, o que significa que é possível que haja uma perda maior do que o calculado. Esse estudo foi elaborado pelo Instituto Trata Brasil com informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2019.

Ainda distante de alcançar as metas de universalização do acesso a água e tratamento de esgoto determinadas pelo novo marco do saneamento, sancionado em 2020, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas sem acesso à água potável e 100 milhões sem serviço de coleta de esgoto. Além disso, o país enfrenta uma crise hídrica como nunca antes vista: em maio deste ano, o governo federal emitiu pela primeira vez um alerta de risco hídrico, com medidas para evitar a necessidade de racionamento do recurso, e o Serviço Nacional de Meteorologia alertou para o estado de emergência hídrica da bacia do Paraná, que abrange as regiões Sudeste e Centro Oeste.

Perdas na distribuição

Quando ocorrem perdas de água nos sistemas de distribuição hídrica, há uma diferença entre o volume total produzido nas estações de tratamento e a soma dos volumes medidos nos hidrômetros. Elas podem ser perdas reais, também chamadas de perdas físicas, ou aparentes.

As perdas reais correspondem àqueles volumes de água que não foram consumidos por terem sido perdidos em vazamentos no percurso, que ocorrem especialmente devido ao desgaste na tubulação. As aparentes, por sua vez, dizem respeito aos volumes consumidos, mas não contabilizados devido à submedições, ligações clandestinas (os chamados “gatos”) e outras irregularidades. Esse tipo de vazamento causa uma perda no faturamento das empresas responsáveis, e não do recurso hídrico em si.


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Em Santa Catarina, os problemas com vazamentos são responsáveis por cerca de 31% do desperdício de água. Por mais inofensiva que pareça, uma torneira com gotejamento lento pode escoar mais de 10 litros de água em apenas um dia, enquanto um chuveiro ou bacia sanitária com gotejamento de médio a rápido pode causar uma perda de 440 litros no mesmo período.

No entanto, os vazamentos nem sempre são visíveis, e podem ocorrer também nas tubulações internas. Por isso, é importante a realização da manutenção preventiva para identificar vazamentos ocultos, evitar fraudes causadas pelo uso indevido do abastecimento da unidade e também para evitar problemas futuros com desgastes na tubulação.

Como identificar vazamentos

Há formas simples de identificar se há algum vazamento na unidade consumidora. O primeiro e mais comum deles é por meio da conta de água: se houver um aumento excessivo no valor cobrado que não parece condizer com o uso, já é um sinal de alerta. Outros testes podem ser feitos pelos próprios moradores do local, observando o registro no hidrômetro, examinando as torneiras e chuveiros em busca de gotejamentos, e também analisando o nível da caixa d’água. Se for percebido um vazamento, é importante requisitar a ajuda de um profissional para detectar a origem do problema e as melhores soluções.

Se a causadora do vazamento for a tubulação, é importante lembrar que, ao longo dos anos de uso, os canos ficam suscetíveis a apresentar algum tipo de desgaste, corrosão ou ferrugem. Hoje, os materiais mais indicados para canos e conexões são o CPVC, cloreto de polivinil clorado, e o PVC, policloreto de vinila clorado. Ambos são altamente resistentes aos produtos químicos, apresentam alta durabilidade e têm um custo menor de instalação.

A má escolha pela tubulação durante uma reforma ou construção pode causar grandes problemas no futuro, como gastos desnecessários e impactos ambientais devido à perda do recurso hídrico e até mesmo contaminação do solo. Por isso, é essencial optar por canos de materiais mais resistentes, como o PVC e o CPVC, que não sofrem corrosão ao entrar em contato com a água e com o solo, e podem ser usados em praticamente todo o ciclo de distribuição.

Fonte: G1.


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